A alegoria dilmesca para quando o carnaval passar | Fábio Campana

A alegoria dilmesca para quando o carnaval passar

Da Mary Zaidan:

Um Ministério para selar a cooptação do PSD do ex-prefeito Gilberto Kassab, um a mais para o PMDB, e outro de volta para o PR. O mesmo PR, sufocado por denúncias de corrupção, que a presidente Dilma Rousseff, fantasiada de faxineira, espanou do Ministério dos Transportes.

E isso é só um pedaço do enredo que se verá na Esplanada depois de o Carnaval passar.

Dilma preferiu desfrutar os dias de folia na Base Naval de Aratu, Bahia, longe da maior festa popular do País. Talvez precise reunir energia e fôlego para a folia oficial que pretende patrocinar. Vai fazer mudanças em seu governo. Poucas, garante. Só as necessárias. De novo para atender às conveniências dela e não às do País.

Atende, na verdade, ao bamba Lula. De uma só tacada se busca jogar confetes sobre alguns resistentes da base desconfiada, por vezes arisca, e inibir a evolução cada vez mais consistente do governador de Pernambuco Eduardo Campos (PSB), candidatíssimo à vaga de Dilma em 2014.

Como é preciso barrá-lo no baile, a lógica é financiar a farra do PT e de seu bloco com dinheiro do contribuinte.

A gigantesca base de mais de 460 deputados e senadores em um Congresso com 594 parlamentares só funciona – quando funciona – no modelo franciscano do toma-lá-dá-cá. Isso envolve cargos em diferentes escalões no governo e em empresas públicas, que parecem infinitos diante da insaciável gula dessa turma.

Para satisfazê-los, o governo não para de engordar. Em dezembro, mais 150 cargos de confiança somaram-se aos indecentes 23.493 existentes. Os 27 ministérios da era FHC pularam para 37 no período Lula e para 39 com Dilma.

E ela já pediu ao novo presidente do Senado Renan Calheiros (PMDB-AL) que acelere a votação da criação da pasta da Micro e Pequena Empresa, mimo reservado para o PSD de Kassab.

Gabriel Chalita, ex-PSDB, ex-PSB, candidato peemedebista derrotado na eleição para prefeito de São Paulo, terá o seu quinhão na cota do vice Michel Temer.

E antes de embarcar para seus dias de reclusão, a presidente garantiu espaços também para o ressentido PR e a ampliação da gleba do PDT.

As estatais são cobiçadíssimas. Não por outro motivo, nos governos Lula e Dilma foram criadas nada menos que 25 novas empresas públicas, devidamente loteadas entre o PT e aliados. A maioria das novatas, conforme o jornal Folha de S. Paulo, está nas mãos do PT.

Mas tem para todo mundo: PDT, PTB, PMDB, PSB. A Hemobrás, por exemplo, abriga dois filhos de Miguel Arraes, avô de Campos.

Esse esquartejamento sangra o País. Mas dane-se. O que importa é garantir o reinado por muitos carnavais.

Mary Zaidan é jornalista, trabalhou nos jornais O Globo e O Estado de S. Paulo, em Brasília. Foi assessora de imprensa do governador Mario Covas em duas campanhas e ao longo de todo o seu período no Palácio dos Bandeirantes. Há cinco anos coordena o atendimento da área pública da agência ‘Lu Fernandes Comunicação e Imprensa, @maryzaidan


4 comentários

  1. Alessandro
    domingo, 10 de fevereiro de 2013 – 14:14 hs

    Ministérios e empresas públicas em prol da “governabilidade”.
    Governabilidade de quem, cara pálida? Do povo que não é.

    E se a Dilma garante apenas mudanças “necessárias”, significaria mudar praticamente todos os principais ministros (da Fazenda, principalmente) e as diretorias das Agências Reguladoras.

    Mas ela não estava se referindo à competência, certo?

  2. antonio carlos indignado
    domingo, 10 de fevereiro de 2013 – 18:10 hs

    Em tempos de Carnaval o samba do crioulo doido cai muito bem, bem até demais. Este governo da companheira presidente Dilma é igualzinho a coração de mãe, sempre cabe mais uns. ACarlos

  3. NARIZ DE FOLHA
    domingo, 10 de fevereiro de 2013 – 23:28 hs

    ESTE JUNTA CORRUPTOS SIGNIFICA QUE A DILMA NÃO ESTÁ SEGURA DE SUA RELEIÇÃO.

  4. Deutsch
    segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013 – 0:08 hs

    Quando essa farra vai ter fim? Quando é que a cumpanhera vai deixar de brincar de presidANTA?

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