A agitada despedida de Bento XVI | Fábio Campana

A agitada despedida
de Bento XVI

Editorial de O Globo:

Não têm sido tranquilos os últimos dias do pontificado de Bento XVI, a que ele decidiu renunciar. Às questões polêmicas, que já existiam, somam-se outras, como um relatório que teria sido preparado por três cardeais, a pedido do Papa, e que, dada a gravidade das conclusões — corrupção, rede de prostituição gay dentro do Vaticano —, teria sido a gota d’água para que o pontífice, já esgotado fisicamente, se decidisse a encurtar o mandato.

Por enquanto, são especulações. Mas o suficiente para causar preocupação nos que, católicos ou não, se interessam pelos destinos da mais antiga instituição do Ocidente.

A preocupação também transparece nas últimas homilias que o Papa tem pronunciado na Praça de São Pedro — os encontros semanais que foram um dos pontos altos desse pontificado de oito anos. O que pede o Papa? Que a Igreja e seus fiéis virem as costas ao orgulho e ao egoísmo; que as pessoas deixem de instrumentalizar a Deus para seus próprios fins, pondo acima de tudo o sucesso material. Seriam referências ao que acontece no Vaticano, onde, segundo outros relatos, existiriam conflitos entre tendências rivais?

A Igreja é uma organização de alcance mundial, e, onde há poder e prestígio, as ervas daninhas não tardam a aparecer. Mas o que Bento XVI está dizendo faz parte do patrimônio imemorial da Igreja, e serve para qualquer época.

Em dois mil anos de existência, a Igreja de Roma passou por todas as peripécias. Da perseguição ao triunfo. Houve um momento, na Idade Média, em que o Papa valia mais que os imperadores, e podia articular a derrubada de testas coroadas. Isso foi a fonte de imensos equívocos, o ponto de partida para prelados arrogantes que usavam seus cargos para se cobrirem de riquezas e de honrarias. Exatamente nessa hora, apareceu um Francisco de Assis, para dizer que o verdadeiro caminho da Igreja estava no desprendimento, no despojamento.

É uma discussão que atravessa os séculos, porque eclesiásticos são feitos de carne e osso. Dentro do próprio catolicismo, diz-se que a Igreja é “santa e pecadora”, por ser composta de seres humanos.

Foi o que se viu de uns anos para cá, quando começaram a espocar as denúncias sobre casos de pedofilia praticados por sacerdotes. Sendo a pedofilia já de si abominável, que dizer de um suposto homem de Deus que usa a sua função para abusar de um menor?

São questões que Bento XVI herdou do papado anterior, e a que procurou dar resposta na medida das suas forças. Seria uma pena, entretanto, que problemas desse tipo (gravíssimos) jogassem na sombra o legado de um papa de excepcional estatura intelectual e humana.


Um comentário

  1. sergio silvestre
    domingo, 24 de fevereiro de 2013 – 16:18 hs

    Nos proximos vinte anos mudará muito a relação igreja e fiéis.
    O mundo caminha para um dito da biblia”olho por olho ,dente por dente”.O humano se desgarrando das crenças e rumando para o ateismo.
    Isso está previsto desde que começou o homem a se .emancipar,a cada dia se enche de informação,estas que nem sempre o levam a Deus.
    Isso é o temor de Bento XVI ,que já precentiu o que vai acontecer com todas igrejas num futuro.
    O expancionismo de todas elas vão levalas a quase extinção num futuro,pois fica até patético aquilo que vemos hoje nas tvs.
    São evangelisadores que não passam confiança,parecem mais vendedores de iluzão.
    Nos ,os cristãos não gostariamos que isso acontessece,mas parece que é algo que não tem volta.

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