91 atentados em Santa Catarina e o governador não pede reforço federal | Fábio Campana

91 atentados em Santa Catarina e o governador não pede reforço federal

Do Josias de Souza:

Sob ataque há 13 dias, Santa Catarina já contabiliza 91 atentados criminosos em 28 municípios. Num deles, como que decididos a afrontar, os bandidos tocaram fogo num automóvel estacionado no Centro Administrativo, sede do governo do Estado. A despeito de tudo isso, o governador catarinense, Raimundo Colombo (PSD), ainda não se convenceu da necessidade de requisitar ajuda federal.

Embora já não descarte pedir socorro, Colombo hesita: “A Força Nacional de Segurança será utilizada, se for o caso, em atuações específicas”, disse, em entrevista ao repórter Felipe Pereira. Nesta segunda (11), o governador interrompeu o feriadão do Carnaval para reunir-se com o comando da Polícia Militar. No gogó, transmite uma segurança que destoa da insegurança que o assedia.

Colombo falou no gerúndio sobre a ação dos criminosos na sede do governo: “A polícia está investigando e vai esclarecer, como todos os outros [ataques].” Não achou que esse atentado foi simbólico? “Estamos dando a resposta e vamos continuar com vigor, independentemente de onde eles estiverem atacando”, desconversou.

Há cinco dias, após reunir-se em Brasília com o ministro José Eduardo Cardozo (Justiça), Colombo descartara a requisição de forças federais. Disse que não haveria mais do que 100 homens à disposição. O que seria insuficiente. Cardozo o desdisse. Informou que enviaria a Santa Catarina o efetivo que fosse necessário. E o governador: “Falei um número aleatório. Nós temos a melhor relação com o ministro, falamos por telefone todo dia.”

Mas, afinal, a justificativa para não aceitar o reforço não foi a de que o contingente seria menor do que o necessário? “Tecnicamente, a recomendação que se faz, e isto é de todas as instituições que estão participando […], é que a Força Nacional de Segurança deve ser utilizada em objetivos específicos. Quando houver este momento, ela será chamada. Se houver este momento.”

Pode mudar de opinião? “Se houver o momento específico, objetivo específico, sem nenhum problema. […] Conversei com o ministério [da Justiça] e todas as pessoas que estão coordenando o trabalho aqui. É uma decisão técnica. A Força Nacional de Segurança será utilizada, se for o caso, em atuações específicas.”

Colombo não cogita trocar auxiliares no setor de segurança. Um deles, Leandro Lima, diretor do Departamento de Administração Prisional, chegou a colocar o cargo à disposição. O governador deu de ombros. “Continua com a minha confiança. Nós estamos fazendo um trabalho importante e é o momento de continuar o trabalho e consolidá-lo.”

E quanto à secretária de Justiça, Ada de Luca, também continua prestigiada? “O momento é de construir um trabalho cada vez mais eficiente. Não é o momento de questionar as pessoas, a não ser que haja falhas. Neste momento estamos enfrentando uma situação e cada um dando o máximo de si.”

O governador consegue enxergar tranquilidade em meio ao desassossego: “Vocês [da imprensa] divulgam, e entendo, tudo que não deu certo. Mas tem uma série de situações. Você veja, nós tivemos um verão tranquilo, estamos tendo um Carnaval tranquilo.”

Perguntou-se a Colombo se já sabe os motivos dos atentados. Ele serviu-se novamente do gerúndio: “O serviço de inteligência está trabalhando, investigando. Existem muitas informações sendo checadas e aprofundadas.” Sim, sim, mas há conclusões? “Está em curso. Temos todos os levantamentos, os diagnósticos.”

O governador alegou a necessidade de guardar segredo: “Não posso dizer mais que isso. Nesta situação você tem um inimigo, que é o crime. Não cabe passar informação sigilosa sobre a nossa investigação porque o efeito é negativo para o nosso trabalho. Algumas coisas, pela característica dela, temos de tratar com inteligência para proteger o Estado, as nossas forças.”


8 comentários

  1. Zangado
    terça-feira, 12 de fevereiro de 2013 – 13:18 hs

    Colombo logo vai colocar o ovo em pé, tchan tchan tchan …
    Expressionante !!!

  2. Ed
    terça-feira, 12 de fevereiro de 2013 – 15:08 hs

    Até quando o contribuinte vai aguentar pagando para satisfazer o caprichos dos bandidos? Correntão no pé deles e uma marreta nas mãos para quebrarem pedras!

  3. Trabalhador
    terça-feira, 12 de fevereiro de 2013 – 15:30 hs

    Esse governador de SANTA Catarina não pede ajuda porque tem o rabo preso…Se a força nacional começa à prender a bandidada, logo ele vai se incomodar…Então melhor deixar solto….Se aqui no Paraná tá cheio de político que não presta, em SAnta Catarina é 10 x pior…Melhor o Paraná anexar metade e o Rio Grande do Sul anexar a outra metade; pois a classe política catarinense é incompetente demais para administrar o seu estado.

  4. Proteu Dela Rue
    terça-feira, 12 de fevereiro de 2013 – 16:04 hs

    E o medo que a força nacional eviscere os problemas de segurança do Estado?

  5. LuAtena
    terça-feira, 12 de fevereiro de 2013 – 17:39 hs

    Esse Governo é demasiadamente incompetente, moro em Florianópolis há dois anos é já presenciei crise na saúde, na educação, na segurança pública c/c secretaria da justiça e cidadania, ou seja, o executivo está em crise.
    O Governo não escreve o que fala, e se escrever não cumpre. Eu nem queria que enviassem forças da segurança nacional mesmo, queria uma intervenção federal… Só queria…

  6. Mané do Sudoeste
    terça-feira, 12 de fevereiro de 2013 – 20:11 hs

    Esse governadorzinho de meia tigela, parece que não está enxergando, que está cego,levando uma goleada dos PGC. Incompetência total.Uma polícia civil e militar totalmente tonta e paralisada.

  7. Fui II
    terça-feira, 12 de fevereiro de 2013 – 22:07 hs

    Quer ver ele mudar de opinião rapidamente? É só os bandidos tocarem fogo na residência dele, enquanto isso pimenta no rabo dos outros é refresco

  8. Cajucy Cajuman
    quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013 – 22:46 hs

    Triste e lamentável. Santa Catarina não merece o governo que tem. Falta firmeza, pulso, determinação e autoridade! Mais de noventa atentados é, no mínimo, fragilidade governamental. Até parece que quem manda lá é bandido!

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