Os cavalos da internet que relincham e dão coices | Fábio Campana

Os cavalos da internet que relincham e dão coices

Artigo de Nelson Motta, O Globo

A maneira mais estúpida, autoritária e desonesta de responder a alguma crítica é tentar desqualificar quem critica, porque revela a incapacidade de rebatê-la com argumentos e fatos, ideias e inteligência.

A prática dos coices e relinchos verbais serve para esconder sentimentos de inferioridade e mascarar erros e intenções, mas é uma das mais populares e nefastas na atual discussão política no Brasil.

A outra é responder acusando o adversário de já ter feito o mesmo, ou pior, e ter ficado impune. São formas primitivas e grosseiras de expressão na luta pelo poder, nivelando pela baixaria, e vai perder tempo quem tentar impor alguma racionalidade e educação ao debate digital.

Nem nos mais passionais bate-bocas sobre futebol alguém apela para a desqualificação pessoal, por inutilidade. Ser conservador ou liberal, gay ou hetero, honesto ou ladrão, preto ou branco, petista ou tucano, não vai fazer o gol não ser em impedimento, ser ou não ser pênalti.

Numa metáfora de sabor lulístico, a política é que está virando um Fla x Flu movido pelos instintos mais primitivos.

Na semana passada, Ferreira Gullar, considerado quase unanimemente o maior poeta vivo do Brasil, publicou na “Folha de S.Paulo” uma crônica criticando o mito Lula com dureza e argumentos, mas sem ofensas nem mentiras.

Reproduzida em um “site progressista”, com o habitual patrocínio estatal, a crônica foi escoiceada pela militância digital.

Ler os cento e poucos comentários, a maioria das mesmas pessoas, escondidas sob nomes diferentes, exigiria uma máscara contra gases e adicional de insalubridade, mas uma pequena parte basta para revelar o todo.

Acusavam Gullar, ex-comunista, de ter se vendido, porque alguém só pode mudar de ideia se levar dinheiro, relinchavam sobre a sua idade, sua saúde, sua virilidade, sua aparência, sua inteligência, e até a sua poesia. E ninguém respondia a um só de seus argumentos.

Mas quem os lê? Só eles mesmos e seus companheiros de seita. E eu, em missão de pesquisa antropológica.

Coitados, esses pobres diabos vão morrer sem ter lido um só verso de Gullar, sem saber o que perderam.

Nelson Motta é jornalista


10 comentários

  1. Stalinismo funcional
    sábado, 5 de janeiro de 2013 – 7:33 hs

    Estamos começando a ver a ™esperança” patrulhando com medo, perpetuando a ignorância e mantendo chacais num projeto de poder, contrario à suas próprias historias. Viva Stalin!!!

  2. Jaime Kiochi Nakano
    sábado, 5 de janeiro de 2013 – 7:34 hs

    Basta ver a tentativa de desqualificar a nossa suprema corte judicial.

  3. Divanir
    sábado, 5 de janeiro de 2013 – 12:04 hs

    Bem típico dos Petistas. Nunca se defendem das acusações, sempre atacam quem os acusam. Na falta de respostas a melhor maneira é o ataque. Que vergonha. Pena que boa parte do povo não enxerga isto e um dia que acordar pode ser tarde.

  4. Palpiteiro
    sábado, 5 de janeiro de 2013 – 12:07 hs

    Perda de tempo é discutir sobre estes assuntos. Moderação foi erigida à categoria de virtude apostólica como meio de impedir a livre discussão e a criatividade. Isso é muito diferente de violência. No Brasil, terra do consenso fabricado, da conciliação forçada, da aversão aos contrários, é feio ser imoderado ou radical. É da fricção ígnea que nasce a luz e não da modorrência do morno. O texto bíblico já dizia que os mornos serão vomitados da boca. Que saudades dos grandes oradores radicais, como Lacerda e a banda de música da UDN. Do radicalismo socialista do jovem Brizola e outros comunistas. Hoje a política é modorrenta, plácida e estereotipada. A ditadura do marquetingue político, da moderação, do bunda-molismo de líderes vazios de espírito e de conteúdo. O império da mediocridade. Viva a discussão, viva o radicalismo, viva a diferença, via os contrários e a contrariedade. Abaixo os bundas-moles.

  5. Parreiras Rodrigues
    sábado, 5 de janeiro de 2013 – 12:48 hs

    Basta citar o Mensalão chefiado por Lula e conduzido pelo Zé Dirceu. para retrucarem com o Mineiro, como se um erro outro justificasse.

    E agora mesmo acabo de ver artigo do Marcos Coimbra – dono de instituto de pesquisa de opinião – na revista Carta Capital, dizendo que apesar do Mensalão, das agressões (?) a Lula, mesmo assim o petê ganha a eleição em 2014.

    Como o aluno que é aprovado por ter colado.

    Não por competência do governo, muito pentelho ao contrário, mas porque realmente “o povo vota com o estômago” como dizia Lula candidato referindo-se às políticas sociais de FHC que demonizava, mas que agora são as cataratas que anuviam os olhos do eleitor – corrompido pelas bolsas, vales, cotas, crédito arreganhado e incentivo ao consumo.

  6. Osnei Arantes
    sábado, 5 de janeiro de 2013 – 13:35 hs

    COMO O PT, PRESIDENTE LULA, RESPONDE AS CRÍTICAS MENSALAO, DENUNCIAS DE CORRUPÇAO, ROSEMARY??

    RESPONDE QUE É A OPOSIÇAO, IMPRENSA GOLPISTA, DIREITA, QUEREM DESQUALIFICAR SEU MANDATO….KKKK

    PORQUE NAO RESPONDER ESTOU LIMPO PODE FISCALIZAR, QUEM OCUPA CARGO PUBLICO TEM QUE SER EXPLICAR, SER TRANSPARENTE, COMO NAO TEM EXPLICAÇAO, ATACA IMPRENSA., TÁTICA ANTIGA..

  7. Eliane
    sábado, 5 de janeiro de 2013 – 15:13 hs

    Tanto o artigo do Gullar qto este do Nelson Motta é de uma lucidez impressionante do que se trata o Pt.

  8. Constanza Del Piero
    sábado, 5 de janeiro de 2013 – 16:25 hs

    Nelson Motta como m´sico, e crítico musical é ótimo! Porém, como crítico ao nefasto desgoverno petista o homem é INSUPERPAVEL! Parabéns, Sr. NELSON MOTTA!

  9. Do Interiorrrrr......
    sábado, 5 de janeiro de 2013 – 17:37 hs

    Excelente texto!…

  10. Damaceno
    sábado, 5 de janeiro de 2013 – 18:09 hs

    Este texto serve para os dois lados. Ambos relincham, ambos dão coices!

Deixe seu comentário:

Campos obrigatórios estão marcados com *

*

*