Mudou, sim. E não funciona. | Fábio Campana

Mudou, sim. E não funciona.

Escrito por Carlos Alberto Sardenberg:

Trata-se de uma quase unanimidade. Tirante os economistas do Banco Central, praticamente todos os demais acham que a inflação brasileira não alcança a meta oficial (4,5%, pelo IPCA, índice do IBGE) nem neste ano, nem no próximo, nem sabe-se lá quando.

Mas depois desse consenso, as opiniões começam a se dividir. Uma turma acha que isso é grave, que não se pode brincar com a inflação no Brasil e que a alta de preços é um imposto contra os mais pobres. Aliás, a inflação das famílias mais pobres está mais elevada do que a dos ricos.

Outra turma, dos economistas do governo ou aliados, acha que não tem nada demais numa inflação de 6,5% ao ano, número que estaria dentro da meta. Não é bem assim. Convém explicar: a meta, fixada pelo Conselho Monetário Nacional, é de 4,5% ao ano. Admite uma margem de tolerância (ou de erro, se quiserem) de dois pontos abaixo ou acima, isso para situações excepcionais, fora do controle do Banco Central.

Mas três anos seguidos com inflação na média de 6% ao ano não podem ser chamados de excepcionais. Pelos dados divulgados ontem pelo IBGE, a inflação corrente subiu de novo para os 6%. Ou seja, este é o ritmo de alta de preços no Brasil, acima da meta, abusando da margem de tolerância.

E isso apesar dos truques, como aquele, quase permanente, de segurar o preço da gasolina e outro, mais recente, de acertar com os prefeitos do Rio e São Paulo o adiamento do reajuste das tarifas de ônibus, previsto para este mês. No primeiro caso, estraga as contas da Petrobrás. No segundo, das prefeituras. É a maldição: em política econômica, toda gambiarra gera uma contra-gambiarra.

Mas todo esse debate poderia ser resolvido de modo muito fácil, dizem aliados do governo. Basta dizer que a meta de inflação agora é de até 6,5%. Mesma coisa que esses mesmos economistas estão propondo para o superávit primário. Em vez de o governo roubar nas contas para atingi-lo, basta reduzir o alvo.

Por que o governo não fez isso?

Reparem que é o mesmo padrão no caso do dólar, tratado aqui na semana passada. Todo mundo sabe que o real foi deliberadamente desvalorizado pelo governo e que a cotação agora varia numa banda de R$ 2,00 a 2,10 por dólar. De novo, críticos e aliados da presidente Dilma concordam nessa constatação, os primeiros, claro, achando errado, os segundos, certo. Mas o governo jura que não tem banda e sim uma clássica de taxa de câmbio flutuante.

Economistas ligados à linha desenvolvimentista (alguns preferem neo-desenvolvimentismo, sabe-se lá por que) sempre sustentaram que um país emergente terá inflação mais alta que os desenvolvidos e estáveis. Não haveria problema com alta de preços de 10% ou até 15% ao ano, se esse fosse o custo para uma expansão acelerada. Mais inflação em troca de mais crescimento, tal é o mote.

Acrescentam-se a essa receita a moeda desvalorizada e gastos públicos elevados.

Se o governo Dilma não está fazendo isso, então faz algo muito parecido. Mais ainda: havia mesmo a expectativa de que a presidente fosse pouco a pouco alterando os parâmetros da política econômica herdados da era FHC e que haviam sido mantidos por Lula por necessidade e não por convicção.

Assim, resultam duas possibilidades. Ou a política não mudou, apenas estaria sendo, digamos, mal executada. Ou mudou e o governo não quer admitir isso para não criar expectativas negativas, sobretudo lá fora, ou porque a mudança não está funcionando.

Afinal, temos inflação elevada e baixíssimo crescimento. O governo aumenta seus gastos e as obras não aparecem. O real foi desvalorizado, mas as importações crescem e os brasileiros continuam torrando dólares lá fora (US$ 22 bilhões no ano passado!).

Até aqui pelo menos, os fatos dizem o seguinte: a política mudou e não deu certo. Que fazer? Voltar ao padrão clássico ou aumentar a aposta neodesenvolvimentista?

Pode ser também que o governo não tenha uma política, mas apenas alvos. E cada vez que atira em um, acerta no que não devia. Um exemplo da hora: a redução das tarifas de energia vai estimular famílias e empresas a consumir mais, lógico. Isso em um momento em que os reservatórios das hidrelétricas, a energia mais barata, estão em ponto crítico, exigindo o auxílio das usinas termoelétricas, mais caras. O processo ainda retira recursos das companhias hidrelétricas, diminuindo sua capacidade de investir em novas fontes.

O pior de tudo é que o Brasil já viu isso nos anos 70 e 80.


7 comentários

  1. sergio silvestre
    sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013 – 0:09 hs

    E o Sandenberg,já está batendo nos oitenta anos e já ajudou muito o Brasil em suas previsões.Só para lembrar os colegas.
    Plano funaro seria perfeito,fã da Zelia de mello,desconfiado com a urv.
    Deveria ser um péssimo aluno de economia,aliás,qual economista acerta alguma coisa.O uico que eu gostava por ser pandego,era o Joelmir beting.Coisa boa morre cedo.

  2. OCIMAR
    sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013 – 9:05 hs

    CORTA O “BOLSA QUADRLHA” PÕE ESA TURMA PRA TRABALHAR,QUANTO MAIS SE TRABALHA,MAIS SE PRODUZ,QUANTO MAIS SE PRODUZ,MAIS SE ARRECADA E POR AÍ VAI.

  3. Viezzer
    sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013 – 9:16 hs

    A equipe do Governo Dilma até que é boa, não sei como explicar isso…

  4. Francisco de Assis
    sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013 – 10:47 hs

    Sardenberg deveria saber, primeiro: que a meta de inflação do governo é de 2,5% a 6,5%,, segundo: que como jornalista tambem não deveria se confundir, meta cm centro da meta, pois isso alem de mostrar-se um despreparado para emitir opinião, confunde o publico leigo. Terceiro: Esse governo Lula/Dilma, durante seus 10 anos de gestão nunca ficaram fora da meta da inflação, diferente do governo anterior, que em 8 anos errou sua meta da inflação em 3 oportunidades.
    “””””” Folha de S Paulo 14/01/2010″
    INFLAÇÃO DO GOVERNO LULA É 37% MENOR QUE NOS ANOS DE FHC
    O índice fechou 2009 com taxa acumulada de 4,31%, abaixo do centro da meta estipulada pelo Banco Central para o ano, de 4,5%. Entre 1995 e 2002, durante o período de implementação do Plano Real, no governo Fernando Henrique Cardoso, o IPCA médio ficou em 9,1%”””””””

  5. Francisco de Assis
    sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013 – 11:15 hs

    Sanderberg deveria saber que no governo de Fernando Henrique Cardoso, tivemos uma das mais altas inflação do mundo.
    A inflação dos paises, nos anos de Sarney/Collor eram, preocupações constantes no mundo. Tinhamos inflação como na Bolivia que chegou a 11.750%.
    No Brasil depois de alguns choques na economia , o Banco Mundial elaborou um plano para o Brasil, que denominou-se Real.
    Controlada a inflação, Itamar elegeu seu candidato Fernando Henrique, que se perde no controle e nos 3 ultimos anos de seu governo, a inflação volta, chegando em 2001 a 7,67% e 2002 a 12,53%. apos 8 anos de governo de FHC, a inflação bateu recorde do plano real, que permanece ate hoje)

  6. Francisco de Assis
    sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013 – 11:19 hs

    Entre os paises emergentes, somente a China tem uma inflação menor que a do Brasil. 5,84%. A India esta com 11,17%, a Turquia 6,36%, a Russia 6,54%. Dados de 2012. Sardenberg deveria estudar um pouco mais antes de falar, e as vezes escrever, bobagens

  7. Parreiras Rodrigues
    sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013 – 12:48 hs

    A inflação, é, claro, bem maior do que a anunciada oficialmente.

    Aliás, esse governo se excede em manipulações, tergiversações e outras variações de sacanagens, tudo, tudo, prá ludibriar a ninguenzada que, fanática e vesga, baba.

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