A política, segundo Tim Maia | Fábio Campana

A política, segundo
Tim Maia

Do Nelson Motta

Sempre que perguntada, a maioria da população brasileira tem se manifestado contra a liberação do aborto, da maconha e do casamento gay, e a favor da pena de morte e da maioridade penal aos 16 anos. Sem duvida são posições conservadoras, ou “de direita”, como diz o Zé Dirceu, e, no entanto, são esses que elegem os governos e as maiorias parlamentares ditas “de esquerda” hoje no Brasil. Como harmonizar o conservadorismo na vida real com o progressismo na política ?

Talvez Tim Maia tivesse razão quando dizia que, “no Brasil, não só as putas gozam, os cafetões são ciumentos e os traficantes são viciados, os pobres são de direita”. Uma ingratidão com a esquerda que lhes dá o melhor de si e luta pelo seu bem-estar. Mas tanto a maioria dos velhos pobres como dos novos, da antiga classe média careta e da nova mais careta ainda, e, claro, as elites, acreditam em Deus, na família e nos valores tradicionais, e rejeitam ideias progressistas. Discutir, apenas discutir as suas crenças, é considerado suicídio eleitoral.

Quando Abraham Lincoln, em 1862, promulgou a Homestead Law, a lei da reforma agrária nos Estados Unidos, assegurando a cada cidadão o direito de requerer uma propriedade de até 4 mil metros quadrados de terra do Estado, pagando 1 dólar e 25 centavos, criou milhões de pequenos proprietários rurais — que deram origem às grandes maiorias conservadoras de hoje, que ganharam sua bolsa-terra e não querem mudar mais nada. Uma ação politicamente progressista gerou milhões de novos reacionários.

Um século e meio depois, no Brasil, a nossa “nova classe média”, que tem casa, carro, crédito, viaja de avião, e é eleitoralmente decisiva, parece ser ainda mais conservadora do que a “velha”. A ascensão social exige segurança e instituições sólidas, quer conservar o que conquistou e reage a mudanças que ameacem suas conquistas. Como Tim Maia, querem sossego.

Então por que não param de falar em esquerda e direita como se fosse de futebol e tentam entender o que está acontecendo? Como disse o ex-comunista Ferreira Gullar, “no meu tempo ser de esquerda dava cadeia, hoje dá emprego”.


3 comentários

  1. Roberto
    segunda-feira, 14 de janeiro de 2013 – 8:33 hs

    Excelente leitura do Nelson, pra começar bem a semana…

  2. INDIGNADO
    segunda-feira, 14 de janeiro de 2013 – 11:06 hs

    No linguajar petista a esquerda é pobre e a direita rica, no entanto para chegar ao poder o Lulapinochio fez união com o bom ex vice presidente e rico José Alencar(inmemorian), as Empreiteiras e os Bancos que são da elite brasileira. Povo acorde enquanto é cedo.

  3. kiko
    segunda-feira, 14 de janeiro de 2013 – 16:37 hs

    A classe média vota com a barriga, o que é bom para ela(barriga), é melhor ainda para mim. Pindorama não sabe o significado real de direita ou esquerda, deu para pagar a prestação da casa, pude trocar de possante, que ótimo, é assim o que eu gosto. O candidato que garante as benesses a poder ter a conotação política que tiver, tem o meu voto. Esqueçam, direita e esquerda é coisa de intelectua. Ou de militante de partido socialista ou comunista. ACarlos

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