Lágrima por José Angeli | Fábio Campana

Lágrima por José Angeli

Morreu na madrugada um bravo libertário. o escritor José Angeli Sobrinho, o Mires. Brigou contra a ditadura militar e ficou preso por três anos. Conheci-o no incio dos anos 80, quando terminava de escrever o romance “A cidade de Alfredo Souza”, um épico sobre a luta pela terra que Wilson Martins dizia que era o romance do Paraná e que acrescentara muito ao romance brasileiro: “uma soberba criação estilística, nela compreendendo o uso literário e psicológico do palavrão; uma extraordinária galeria de personagens e um tema inseparável da formação brasileira, que é a expansão do Brasil sobre si mesmo”.

Há mais dois livros que completam uma trilogia iniciada com “A Cidade de Alfredo Souza” e que devem ser publicados no ano que vem.


7 comentários

  1. Valéria Prochmann
    sábado, 8 de dezembro de 2012 – 14:05 hs

    Que notícia lamentável a perda do Angeli… um querido, que marcou as nossas vidas com seu alto astral e sua inteligência aguda… volta e meia me pegava pensando “por onde andará o Angeli?” Vc vinha mantendo contato com ele, Fábio?

  2. sábado, 8 de dezembro de 2012 – 19:32 hs

    Minha irmã escreveu estas frases ontem sem saber desta noticia.

    Um dos Zés da minha vida.

    “A benção, tia Luzia. A benção, tio José. Minha mãe mandou buscar um pouquinho de café…”, Quem dos meus oito nunca ouviu o cantarolar do Zé Machado?

    Hoje começo pedindo a benção, de um Zé, que não é o Zé Machado. Este Zé, com quem muito pouco convivi, que pouco sei, mas que me atrai. Do punhado de gente bonita e cheirosa, sobrou-me o Zé. Magro, alto, barba comprida, desajeitado e muito falante.

    E eu com apenas 06 anos de idade me apavorava com a sua presença, bastava ouvir o barulho do carro para me esconder desesperada, atrás do sofá, do vestido da mãe, embaixo da cama de madeira pesada.

    Mas o Zé, desavisado, me achava sem grandes dificuldades, me puxava pela perna, e me enchia de beijos molhados, esfregando aquela barba áspera no meu rosto. Ignorando toda minha rebeldia, rindo da minha pirraça.

    Ahh Zé, que vontade de correr prá bem longe de você. Tive que me segurar e fingir, por vergonha de admitir, que eu tinha medo de você. Não podia fazer isso, era feio, muito feio, até pecado.

    Doía meu peito, eu não queria você prá mim, você era louco, tá louco Zé, como gostar de alguém que não fazia média prá agradar ninguém?

    Que roubava as batatas fritas da mãe, e saia sorrindo sorrateiro, que me agarrava mesmo sem eu querer, que contava piadas e dava altas gargalhadas, que andava despojado mexendo com todo mundo. Que acreditava no seu sonho e brigava por ele, contrariando tudo e a todos, se estava certo ou errado não sei, mas guerrilhava em prol das suas crenças. Que horror Zé!

    Ninguém fazia assim, só você prá me constranger, e como te defender se você não se ajudava, acabava eu chorando pelos cantos da zoada das meninas.

    Assim era o meu padrinho “Zé Loco”, não era polido, não era bonito, não era um montão de coisas, era somente ele, exatamente ele.

    Perdemos o contato, eu nunca mais soube do Zé, os anos passaram e hoje quero confessar Zé, meu querido Zé, não tenho dúvidas que atrai a pessoa mais semelhante a mim, tão louco! E que loucura legal ser e se manter um pouco bandido, um pouco mocinho, de pouco em pouco se forma o Zé.

    Eu sou filha do Zé, sobrinha do Zé, afilhada do Zé, amiga do Zé, fã do Zé, ex-cunhada do Zé. E eu? Quem sou? Eu sou Maria…Maria, é outra história.

  3. valdir izidoro silveira
    domingo, 9 de dezembro de 2012 – 16:11 hs

    Cara Valéria,

    Quem comunicou ao Fabio a triste noticia fui eu; mantinha contatos com o Angeli toda a semana e o visitava em Morretes uma vez por mes. Foi um grande companheiro e amigo; está morando no meu coração.

  4. segunda-feira, 10 de dezembro de 2012 – 15:44 hs

    Triste, triste notícia! Ainda este ano estivemos em Morretes (eu , meu marido e o casal de amigos franceses Foucault). Ele me mostrou seu novo romance, cheguei a ler algo lá mesmo. Ele pensava enviar o romance para um concurso do Paraná. Será que mandou?

    Soube hoje a notícia e ainda perplexa retomo um dos seus livros para a leitura-oração do dia.

    Valdir, como está a família? Mande notícias!

  5. Silvia Cobelo
    sexta-feira, 4 de janeiro de 2013 – 19:21 hs

    Estou escrevendo uma tese (FFLCH_USP) sobre as adaptações brasileiras do Quixote e ao voltar a pesquisar sobre um dos adaptadores, José Angeli, deparei-me com este seu post. Eu sabia que ele nascera em 1944, e fui procurar alguma biografia. Estamos falando do mesmo José Angeli, não?

    Um grande abraço e meus pêsames pela perda do amigo.

  6. francisco cominese filho
    quarta-feira, 23 de outubro de 2013 – 13:34 hs

    Conheci no inicios dos anos setenta o Angeli.
    Foi em Morretes e quem me indicou ele para um serviço ”pesado” foi outra figura tipica da cidade, o Felipe (na época dono de bar e restaurante N S do PORTO).
    O gaucho louco como o chamavam , morava na pensão em cima do bar e trabalhava como topógrafo e era macho para aceitar o serviço , fechar o perimetro do meu sitio mesmo com alguma resistencia de uns e outros pois embora eu estivesse documentado legalmente um latifundiario da serra do mar de tradicional familia , impedia naquela região qualquer cerca,
    pois ”era tudo dele”.
    Fechamos a area, o Angeli trabalhou junto com uns ”amigos” meus vindos de Cascavel e região, gente boa, como ele mesmo dizia, pois estava acostumado com o povo brabo dos sertões assim como eu.
    De ”recuerdo”, nessa época, me deu um livro; A CIDADE DE ALFREDO SOUZA, livro que eu gostaria que todo o brasileiro lesse para saber não só das lutas pela colonização da nossa terra mas para saber como nascem as cidades.
    Depois de alguns ou melhor muitos anos mantivemos contato por email e telefone ele em morretes eu em curitiba, foi quando me convidou para conhecer seus novos livros e por falta de tempo nunca fui, desculpe, Tche.
    Que o Patrão Celestial te nomeie capataz daquele pago, pois eu sei que voce MERECE.
    Adeus Gaucho Louco. Adeus José Angeli Sobrinho!

  7. Giovana Leticia Angeli
    sábado, 15 de junho de 2019 – 0:30 hs

    Esse e meu pai,louco para muitos,mas para mim o melhor pai,saudades imensa

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