Pensei que eles iam nos matar, diz cobrador de ônibus atacado em SC | Fábio Campana

Pensei que eles iam nos matar, diz cobrador de ônibus atacado em SC

Criminosos operam de diferentes maneiras no incêndio de coletivos. PM registra 13 ataques na terceira noite de violência em Santa Catarina.

De João Lucas Cardoso e Sérgio Guimarães, G1 SC:

Cobrador de ônibus, Renato de Souza temeu ser a última vez que passasse pelo bairro Caminho Novo, em Palhoça, região metropolitana de Florianópolis. Por volta da meia-noite, na rua Germano Spricigo, o coletivo em que estava foi parado por um grupo de criminosos. Em poucos instantes, seria transformado em ferragem chamuscada e deixaria pessoas feridas e pavor para quem sentiu o calor do incêndio.

“Tive muito medo. Pensei que eles iam nos matar. Trabalhávamos normalmente quando uma moto parou o ônibus. Entrou um homem armado e outro pulou a catraca, espalhou gasolina e mandou os passageiros descerem. Ficamos eu, o motorista e outros dois funcionários de outra empresa de ônibus que estavam com a gente. Eles atearam fogo com nós dentro do carro”, relatou o motorista.

O motorista e um dos passageiros ficaram feridos. “O motorista teve queimaduras nas pernas. Ficou preso ao cinto de segurança e demorou a sair”, completa Souza. Os dois foram levados ao Hospital Regional de São José em estado choque.

O pânico de Renato foi semelhante ao do motorista do ônibus incendiado no bairro Ingleses, em Florianópolis. Ele guiava o coletivo que foi incendiado na estrada Intendente João Nunes Vieira, em frente à igreja Sagrado Coração de Jesus. O condutor, que não quis ser identificado, diz que o medo não foi sentimento único de que estava dentro do veículo.

“Na hora não dá para pensar muito. Na hora em que eu sai, o pessoal da igreja estava também em pânico”, disse o motorista. O ataque ocorreu por volta das 20h. As chamas ainda danificaram dois veículos que estavam estacionados na via. Os Bombeiros usaram quatro mil litros de água para conter o fogo. Segundo o condutor do coletivo, a ação dos criminosos foi diferente dos de Palhoça.

“Quando parei no ponto para saltar passageiros, começou o ataque. Eles já estavam dentro do veículo e disseram ‘Sai fora, sai fora’ e atearam fogo. Estavam no interior do ônibus, um na parte da frente e outros dois atrás. Não estavam encapuzados e acho que o combustível estava escondido na jaqueta, porque eles não entraram com nada na mão. Depois de colocar fogo, saíram correndo e entraram em um carro”, descreveu o motorista.


2 comentários

  1. Viezzer
    quinta-feira, 15 de novembro de 2012 – 13:44 hs

    O nosso país está em Guerra Civil desde a década de 1980…Por que só agora se deram conta?

  2. quinta-feira, 15 de novembro de 2012 – 21:49 hs

    Pois é Sr. Viezzer e o “governo” desarmou o lado do bem (nós)
    agora estamos perdendo a guerra.

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