PT tem de respeitar Supremo, diz Gleisi à Folha de S.Paulo | Fábio Campana

PT tem de respeitar Supremo, diz Gleisi à Folha de S.Paulo

Gleisi diz que a sua eventual candidatura ao governo do Paraná é ‘a pergunta que não quer calar’. Guilherme Pupo/Folhapress.

De Natuza Nery, Folha de S.Paulo:

Vitoriosa com a eleição do ex-tucano Gustavo Fruet (PDT) ao comando de Curitiba, a ministra Gleisi Hoffmann (Casa Civil) disse em entrevista à Folha que o eleitor soube separar o julgamento do mensalão do processo eleitoral e que é preciso respeitar o resultado da ação no Supremo Tribunal Federal.

“Nós podemos gostar ou não de como as coisas se dão, mas nós temos de respeitar resultados e instituições.”

A ministra petista fez um balanço da disputa municipal: “Quem apostou contra o PT se decepcionou”.

Na capital paranaense, ela e seu marido, o ministro Paulo Bernardo (Comunicações), firmaram uma aliança polêmica, mas conseguiram retornar a Brasília fortalecidos e com o caminho aberto à sucessão ao governo do Estado.

A ministra da Casa Civil diz que a sua eventual candidatura ao governo do Paraná é ‘a pergunta que não quer calar’

Folha – A sra. é candidata ao governo do Paraná em 2014?
Gleisi Hoffmann – A pergunta que não quer calar (risos). Olha, meu projeto pessoal não está à frente do meu compromisso com a presidente e com país. Meu foco é o trabalho na Casa Civil. Temos outras pessoas dentro e fora do partido com condições de representar esse projeto no Paraná, como [o ex-senador] Osmar Dias (PDT) e o próprio ministro Paulo Bernardo. A vitória do Gustavo traz a mudança e uma bela oportunidade para o PT mostrar a sua forma de fazer governo.

Dilma quer que fique na Casa Civil?
Nunca falou comigo ao contrário. Voltar ao Senado é sempre possível, mas isso também cabe à presidente.

Vocês reclamaram de erros nas pesquisas locais.
Respeito as pesquisas e os institutos. Entretanto, alguns acabam tendo resultados muito diferentes da urna, para o bem ou para o mal. Falo também de pesquisas que nos deram muito à frente, mas que estavam erradas. Isso é ruim. Pesquisa, quando traz esses erros tão grandes, acaba sendo usada como instrumento eleitoral e pode intervir na vontade do eleitor. É papel do Congresso e do tribunal eleitoral discutir isso.

Como?
Talvez uma forma fosse penalizar os institutos que tenham um erro tão grande. Não temos multa no processo eleitoral para candidatos em desacordo com e lei. Teríamos que pensar, não sei se multa, orientação. Mas tem que ter responsabilização, porque não é sério com o eleitor e com a democracia.

Doeu apoiar um candidato tão crítico ao PT na época do mensalão?
Foi mais ou menos o que aconteceu com o Eduardo Paes no Rio de Janeiro. Se deu certo lá e foi possível, por que não seria possível aqui também? Claro que foi difícil, e lá também foi. Mas nós tínhamos um partido com vontade de participar das eleições, organizado, com condições, e não tínhamos uma candidatura viável. Por outro lado, tínhamos um partido aliado, o PDT, que tinha um candidato bem avaliado, com vontade de participar e chances de fazer uma boa disputa no processo eleitoral. Conversamos com esse candidato, ele veio para esse campo político e aceitou fazer essa aliança. Nós conseguimos dar luz ao que nos unia, e não àquilo que nos divergia.

A senhora chama isso de excesso de pragmatismo?
Não. Eu chamo isso de compromisso com a cidade e com o país. O que nos move é o futuro, construir as coisas de uma melhor forma para a população. Nós temos essa responsabilidade. E se nós tínhamos a possibilidade de fazer isso e trazer um resultado melhor para a cidade, nós devíamos fazer.

Olhando para Curitiba e SP, o PT está conseguindo conquistar mais a classe média?
Acredito que isso se deva muito à presidente Dilma, que fala em criar um país de classe média. É importante ter claro que esse preconceito contra o PT aqui em Curitiba não é uma coisa natural. Ele foi construído. Em Curitiba, quando o [deputado federal Angelo Vanhoni (PT-PR) quase chegou à prefeitura, em 2000, uma das peças publicitárias da campanha mostrava uma lona preta que cobria boa parte da cidade, dizendo que o PT iria invadir todas as áreas de Curitiba, que íamos dividir a casa das pessoas. Criou-se um pavor, e isso foi feito de uma forma sistemática. Neste momento, nós estamos rompendo com essa história curta, mas intensa, de preconceito contra o PT. Estamos iniciando o resgate de nossa credibilidade.

O Gustavo Fruet em Curitiba foi uma espécie de ponte para o PT chegar numa fatia do eleitorado a que jamais havia chegado?
O PT sempre participou de disputas aqui no Estado. Tivemos participações em processos eleitorais importantes. O Vanhoni quase foi eleito prefeito de Curitiba. Eu fui eleita senadora em 2010 com uma votação expressiva na cidade. Portanto, já existe uma aproximação do PT com o eleitorado paranaense e curitibano. Então, eu acredito que essa aliança consolida essa aproximação, e vai nos dar oportunidade de mostrar na administração municipal a colaboração do PT para esse processo. Foi uma aliança boa para ambos os lados.

O Fruet foi rival do PT no passado. Como foi a construção dessa aliança?
Isso é uma consequência também da aliança que construímos em 2010 com o Osmar Dias (PDT). O Osmar também era de um campo político com o qual, até então, o PT tinha pouca proximidade, que era o agronegócio paranaense. Nós apostamos em ter uma sequência dessa aliança.

Foi difícil para o PT assimilar essa aliança?
Muito. Quando fomos fechar a aliança com o Osmar no diretório estadual, houve uma reação muito grande das pessoas. “Como que nós vamos fazer uma aliança com quem representa o agronegócio brasileiro?” Como se isso fosse uma coisa ruim! Isso depois do governo Lula, sendo o agronegócio responsável por 23% do nosso PIB. Então, nós tínhamos, e ainda temos, no partido alguns setores mais resistentes. No Paraná, o PT sempre teve uma história muito forte e muito próxima com o setor do campo. Quando nós fizemos a aliança e tivemos um bom resultado eleitoral, e consolidamos um campo de atuação, isso diminuiu muito. Ao mostrar que isso não comprometia nossa luta, nossa visão, que inclusive é defender o pequeno produtor rural, Nós começamos a ter um diálogo com esse setor, que é importante para o Estado e para o Brasil. Nós temos possibilidade de fazer essas alianças e avançar politicamente.

A senhora acha que o PT está mudando?
Eu não diria que o PT está mudando em relação aos seus princípios, à sua luta, mas em relação à sua tática política, sim.

A adesão do Gustavo Fruet a esse projeto é um sintoma dessa mudança?
É uma aliança política. Tem uma aliança tática, uma estratégia.

A senhora acha que o mensalão teve efeito nessas eleições?
Eu avalio que as pessoas sabem diferenciar muito bem as situações. Uma coisa é o julgamento do STF (Supremo Tribunal Federal); outra coisa é a decisão do eleitor em razão de quem vai governar sua cidade, seu futuro. Ele avalia quais são as pessoas e alianças políticas que têm maior preparo, maior consistência nas propostas, maior firmeza em coordenar políticas públicas. O eleitor sabe diferenciar.

Apesar da eleição, o PT está vivendo um de seus piores momentos…
Já passamos uma fase muito mais difícil. Eu diria que o PT está vivendo uma fase muito boa. Está num governo bem avaliado, que está oferecendo ao povo brasileiro respostas importantes a seus problemas. Mesmo numa crise mundial, o Brasil tem tido resultados importantes na economia, na geração de emprego. E ter uma presidente que é petista com a avaliação que tem, e ter tido um presidente que saiu com a avaliação que saiu.

Mas, ao mesmo tempo, petistas podem ir para cadeia…
Primeiro, não sei se é isso que vai acontecer. Não temos o final do julgamento nem a dosimetria de penas. Segundo, isso é uma decisão de um outro poder que não me cabe comentar.

O PT está preparando crítica ao judiciário e contestações ao julgamento.
Nós podemos gostar ou não gostar de como as coisas se dão, mas nós temos que respeitar resultados e instituições.

Vamos ter o modelo de concessão de aeroportos resolvido até o fim do ano?
Espero que sim. Queremos que a Infraero esteja preparada para gerir aeroportos junto com o setor privado e sua rede própria, e nosso modelo olhará isso.

O governo está vulnerável com a sequência de apagões?
Primeiro que não consideramos uma sequência de apagões. É uma situação que pode ocorrer em um modelo complexo como o nosso. Segundo, o Ministério de Minas e Energia está atuando firmemente para dar resposta à população.


14 comentários

  1. Doutor Prolegômeno
    segunda-feira, 29 de outubro de 2012 – 12:08 hs

    Um botox vai bem para 2014.

  2. Max
    segunda-feira, 29 de outubro de 2012 – 12:17 hs

    O PT vai sangrar muito ainda pelo MENSALÃO do Lula e também pelos demais MENSALINHOSSS que continuou no governo do PT, inclusive o do Lula2, que está com os bens bloqueados para investigações
    Portanto o que A Ptista fala é o blá blá blá de sempre.

  3. Parreiras Rodrigues
    segunda-feira, 29 de outubro de 2012 – 12:30 hs

    Cuma? Perguntaria ZéBéTo. De carona não vale.
    Somadas as aparições do casal ministerial ao lado do Cavaleiro Solitário, malemá – diria Ruth Bolognese, dá três horas.’
    Muito pouco para se assenhorar da vitória que deve ser creditada a uma única pessoa, o Vingador.
    GF pode vestir uma camisa de Super-Herói e acenar para os curitibanos, lá do alto.

  4. sergio silvestre
    segunda-feira, 29 de outubro de 2012 – 12:36 hs

    Daqui de Londrina dá prá se ter uma leitura do que foi a eleição em Curitiba.Os dois candidatos que poderiam ser prefeitos,e a noiva que todos queriam desfrutar no segundo turno ,o Ratinho.Ficou dividida a grande massa conservadora em 60% entre Ducci e Fruet,esqueceram de tirar votos do Ratinho,este surfou no primeiro turno.
    O que o Ducci não fez a leitura,foi que o fruet tem os eleitores
    mais politizados,que não demonstram em quem vão votar,e que na hora H decidem.
    Foi aqueles 4% fatais que tirou do Ducci a prefeitura de curitiba
    Com MARQUETEIROS BEM PAGOS ,e COM UMA MAQUINA,DESCOMUNAL,não sacaram que só bater no Fruet,ia ser a fatalidade que tiraram Ducci do segundo turno.
    Uma falha terrivel numa campanha milionaria.Com isso caiu no colo do Fruet ,até por golpe de sorte a noiva pretendida.
    Jamais curitiba iria eleger um prefeito com apelido de RATINHO.

  5. Rosa Helena Sichi
    segunda-feira, 29 de outubro de 2012 – 14:18 hs

    Esta senhora, que já foi derrotada vergonhosamente nas urnas está enganada. Fret se elegeu porque seus adversários mostraram que ele votara contra os projetos populista do Lula, contra a CPMF e atacou duramente o Lula na CPI dos Correios.
    Quando isto veio à tona, sua candidatura cresceu.
    Quanto aos projetos desta senhora ela saiu mais que derrotada porque seus candidatos de outras cidades do Paraná perderam.

  6. justino bonifacio martins
    segunda-feira, 29 de outubro de 2012 – 14:28 hs

    A Gleisi age assim, bem comportadinha, porque não sofreu na pele, na carne, na sua casade origem germânica, quiçá – -e uma indagação – seus pais tenham até apoiado a ditadura. O STF tem que ser confrontado sdim porque alguns togados tomaram posição política por ódio a Dirceu e Genuino que deram o bom combate à ditadura. Por que esses mesmos togados estão sentados encima do Mensalão Tucano, do Satiahagra que compromete Daniel Dantas, amigo do ministroGilmar Mendes: Não Dona Gleisi, o PT tem dever e obrigação – é questão de honra, de princípios- de contestar esse linchamento político, principalmente,de Genuino e Dirceu. Como não conseguiram matá-los, agora os estão linchando. Estou indignado com essa farsa,com essa hipocrisia.

  7. kiko
    segunda-feira, 29 de outubro de 2012 – 15:31 hs

    Concordo com voce ministra, mas só se voce se estiver referindo à prefeitura de São Paulo, porque aqui a coisa foi bem diferente. Em Curitiba a coisa deu errado pela péssima escolha do Beto que, se tivesse ouvido a razão, hoje estaria rindo e não chorando. Mas até 2014 tem muita água ainda para passar por baixo da ponte. ACarlos

  8. Parreiras Rodrigues
    segunda-feira, 29 de outubro de 2012 – 17:57 hs

    “O Brasil está tendo bons resultados na economia mundial na geraç~ao de empregos”.

    Dissecando: O arreganhamento do cr’edito e o incentivo ao consumo cria mesmo uma sensa’c~ao de bom momento na economia. O povo gasta, a grana circula. O endividamento no entanto n~ao a faz lembrar nada do que acontece por ai, nuns pa’ises europeus, p. ex.?

  9. sergio silvestre
    segunda-feira, 29 de outubro de 2012 – 22:44 hs

    O Parreiras,vc tá com gagueira escrita,ou tomou muito GINSENG.Ainda tá caçando comunistas?

  10. Pedro Santos
    segunda-feira, 29 de outubro de 2012 – 23:11 hs

    Fruet ganha a Prefeitura e dá de mão-beijada um salvo-conduto para os petistas Gleise e Paulo Bernardo continuarem ministros… Se tivessem perdido em Curitiba, como enfrentar a dona Dilma? Prof. Lemos, Péricles e Verri voltando para a ALEP podem ajudar o Rossoni na limpeza moral da Casa…

  11. Marta
    terça-feira, 30 de outubro de 2012 – 0:03 hs

    Eu preferia a ditadura sem ladrão do que viver chaveado brincando de democracia que democracia que não posso deichar casa sem chavear murro mais parece uma prisão? sem contar que não posso andar na rua sem estar me cuidando mais a democracia começou tudo errado ZÉ Dirceu, Genuíno, outros tantos mais roubavam matavam para dizer que queriam a democracia a novela do SBT mostrou tudo que foi errado muito pouco era certo ainda temos que pagar como que o Serra, FHC, Brizola, um politico serio honesto deve estar se virando no tumulo de ver essa roubalheira estudaram e não precisou matar e nem roubar nada de ninguém PT hoje gostou do poder que vendem a alma para DIABO para se manter no poder vejam que LULIA fés em são paulo para eleger Fernandio que só fez cacaca quando ministro venderam ministério pra loira burra da Mata meu deus MALUFF A PREFEITURA FOI RIFADA QUE NOS DEVEMOS ESPERAR QUE POVO VEJAM MAIS TV E PRESTE ATENÇAÕ VEJA QUANTO ESSE POVO ROUBAM

  12. Marta
    terça-feira, 30 de outubro de 2012 – 0:04 hs

    Eu preferia a ditadura sem ladrão do que viver chaveado brincando de democracia que democracia que não posso deichar casa sem chavear murro mais parece uma prisão? sem contar que não posso andar na rua sem estar me cuidando mais a democracia começou tudo errado ZÉ Dirceu, Genuíno, outros tantos mais roubavam matavam para dizer que queriam a democracia a novela do SBT mostrou tudo que foi errado muito pouco era certo ainda temos que pagar como que o Serra, FHC, Brizola, um politico serio honesto deve estar se virando no tumulo de ver essa roubalheira estudaram e não precisou matar e nem roubar nada de ninguém PT hoje gostou do poder que vendem a alma para DIABO para se manter no poder vejam que LULIA fés em são paulo para eleger Fernandio que só fez cacaca quando ministro venderam ministério pra loira burra da Mata meu deus MALUFE A PREFEITURA FOI RIFADA QUE NOS DEVEMOS ESPERAR QUE POVO VEJAM MAIS TV E PRESTE ATENÇÃO VEJA QUANTO ESSE POVO ROUBAM NOSSO PAIS

  13. Indignaldo
    terça-feira, 30 de outubro de 2012 – 0:35 hs

    Só a Gleisi e a turma do PT acreditam que influenciaram o voto no Gustavo. A vitória é pessoal e exclusiva do Gustavo. Esqueça ministra, vai procurar a tua turma. O eleitor do Gustavo não votou no PT, não porque deixou pra lá o mensalão. O mensalão não será esquecido em 2014, virá com muita força na sua candidatura ao governo do Paraná. Esqueça definitivamente o eleitor do Gustavo e vai tentar aqueles que deram o voto ao ratinho.

  14. Julio Neves
    terça-feira, 30 de outubro de 2012 – 18:21 hs

    PT tem de respeitar Supremo? Como se houvesse outra alternativa.

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