PSDB foi o que mais elegeu prefeitos no Paraná | Fábio Campana

PSDB foi o que mais elegeu prefeitos no Paraná

Apesar da derrota no maior colégio eleitoral do Paraná, Curitiba, o PSDB do governador Beto Richa ganhou o maior número de prefeituras no estado. O PSDB foi o partido que mais conquistou prefeituras no Paraná nas eleições de 2012. Levantamento realizado pela Gazeta do Povo em 393 dos 399 municípios do estado revela que os tucanos elegeram 78 prefeitos e tiraram o primeiro lugar do PMDB, cujo número de prefeituras despencou em relação a 2008 – de 134 para 56. O PT ficou em terceiro lugar, com 39 prefeituras – sete a mais do que em 2008; o PSD ficou com 36, assim como o PDT.

A conquista de apoio no interior passa a ser o foco do partido agora, de olho nas eleições ao governo do estado em 2014. O PSDB ultrapassou o PMDB em número de prefeituras.

Historicamente, o partido do governo do estado tende a eleger mais prefeitos na eleição do meio do mandato. Foi assim com o PMDB do Roberto Requião [governador de 2003 a 2010]. Isso acontece porque as prefeituras menores dependem do governo do estado. Levando em conta os partidos da base do governo, esse número aumenta. Estamos falando de cerca de 370 municípios pequenos, com nove vereadores, e os de porte médio, que muitas vezes elegem prefeitos de oposição ou independentes. Para saber se isso realmente tem impacto para o governador, devemos levar em conta também o número de votos do PSDB em todo o estado e quantos vereadores foram eleitos. Só assim vamos saber como essas eleições vão impactar em 2014 [na eleição para o governo do estado].

E as cidades que terão 2º turno, como Londrina, Maringá, Ponta Grossa e Cascavel, que têm candidatos apoiados por Richa. Qual a importância delas para o projeto 2014?

Curitiba é o maior colégio eleitoral. Um em cada sete eleitores estão aqui e, para 2014, o PSDB vai ter que conquistar a capital sem a máquina do poder municipal, já que o candidato apoiado pelo Beto Richa não foi para o segundo turno. Se você considerar esses locais, que têm candidatos que não são do PSDB, mas da base aliada do governo, eles passam a ser mais importantes do que foram até agora, pois ficam no lugar de Curitiba. Ele [Richa] vai se desincumbir de Curitiba, onde participou ativamente no primeiro turno para apresentar Luciano Ducci ao eleitor. Com Ducci fora, vai sobrar mais tempo para ele ir às cidades do interior.

O PMDB perdeu muitas cidades nesta eleição. Isso é efeito da saída do Requião do governo ou de brigas internas do partido?

As brigas têm mais a ver com a cúpula do que com a base eleitoral, que estava inflada nas eleições anteriores pela presença do partido no governo por dois mandatos consecutivos. Com a saída, o número de prefeituras diminui bastante, o que não significa que o número de votos diminuiu. A quantidade de votos do partido e o número de vereadores no estado pode ter se mantido a mesma. Diferente, por exemplo, do PDT, que fez uma votação muito grande em Curitiba, com um único candidato, o que deve ser grande parte dos votos do partido em todo o estado.

Emerson Cervi, cientista político e professor da Universidade Federal do Paraná

“Tradicionalmente, o partido do governo estadual exerce grande poder sobre os pequenos municípios. Quando Roberto Requião era governador, o PMDB conseguiu eleger um número maior de prefeituras. Agora a história se repete, com o PSDB”, diz Elve Cenci, professor de ética e filosofia política da Universidade Estadual de Londrina (UEL).

Os tucanos quase dobraram o volume de prefeituras em relação a 2008, quando haviam conquistado 42 municípios. Apesar da liderança no ranking, o PSDB ficou de fora como cabeça de chapa nas maiores cidades do estado, inclusive em Curitiba, onde apoiava Luciano Ducci (PSB).

A presença do PSDB no interior passa ter papel importante no quadro para a disputa ao governo do estado em 2014, segundo os analistas. Com o fracasso do apoio na capital, a tendência é que o governador Beto Richa reforce sua presença no interior visando a reeleição, inclusive em cidades nas quais o PSDB faz parte da coligação que disputará o segundo turno. É o caso de Londrina, onde o governador apoia Marcelo Belinati (PP), sobrinho do ex- prefeito Antonio Belinati, que vai concorrer com Alexandre Kireeff (PSD).

O PSDB está presente ainda na base de apoio a Edgar Bueno (PDT), que vai enfrentar Professor Lemos (PT) no segundo turno em Cascavel, e em Ponta Grossa, com Marcelo Rangel (PPS) contra Péricles (PT). Em Maringá, o candidato apoiado Beto Richa, Pupin (PP), vai concorrer com Ênio Verri (PT).

Perda de fôlego

O encolhimento do PMDB, por sua vez, tem razões na própria falta de uma estrutura organizada em nível nacional ou regional, o que acabou por fazer a legenda perder fôlego em 2012. “E sem a figura de Roberto Requião no governo e que tinha grande presença no interior, o partido perdeu força”, diz Cenci.

As eleições de 2012 também mostram uma maior pulverização das prefeituras entre os partidos, com a ascensão de legendas como o PSD e PSB, que virou destaque nacional e conquistou 14 prefeituras no Paraná, inclusive a de Foz do Iguaçu, onde Reni Pereira venceu.

Mas essa mudança, porém, não significa uma alteração mais radical na escolha dos eleitores, na avaliação do professor de ciência política da PUC-PR, Mario Sergio Lepre. “Não há uma identidade partidária. Alguns partidos surgem mas acomodam figuras políticas já conhecidas do eleitorado”, diz.

O resultado das principais cidades do interior obedece muito mais questões de ordem conjuntural do que partidária, afirma Lepre. “Não há um descolamento do que vimos no passado porque há uma base de coligação muito grande entre os partidos”, afirma.

Ficha-sujas elegem parentes no interior

Joana Neitsch

Impedidos de concorrer pela legislação eleitoral, alguns candidatos a prefeito no interior do Paraná conseguiram sair vitoriosos nas eleições de ontem na figura de familiares que disputaram o pleito no lugar deles.

Na última sexta-feira, o candidato único de Catan­­duvas (Oeste do estado), Olim­­pio de Moura (PMDB), renunciou à candidatura após ser barrado pela Lei da Ficha Limpa. Ontem, o nome e a foto dele apareceram nas urnas, mas quem levou os votos foi sua esposa, Noemi Schmidt de Moura. Com a candidatura, 100% dos votos válidos ficaram para os Moura, mas apenas 3.062 dos 5.973 eleitores que foram às urnas votaram nele (ou na esposa). A abstenção na cidade chegou a 19%.

Em Bituruna (Região Sul), José Inocêncio Rossoni (PSDB), filho do deputado Valdir Rossoni (PSDB), renunciou à candidatura em agosto. No seu lugar, entrou a cunhada Catiane Rossoni. A candidata, que teve ainda Beto Richa como cabo eleitoral, levou a prefeitura com 57% dos votos.

Ter o sobrenome de alguém que teve a candidatura indeferida não prejudicou Álvaro Felipe Valério (PSDB), prefeito eleito de Clevelândia (Centro-Sul), com 49,5% dos votos. Já no final da campanha, no dia 28 de setembro, ele entrou para substituir seu pai, Vanderlei Luis Spinelli Valerio, que teve a candidatura indeferida.

Idade fez diferença

Ser 18 anos mais velho que o principal rival na disputa pela prefeitura de Balsa Nova (Grande Curitiba) fez diferença para Luiz Costa (PMDB). O candidato teve 3.869 votos, exatamente o mesmo número que Marcos Zanetti (PDT). De acordo com a legislação eleitoral, neste tipo de situação o mais velho fica com o cargo.


11 comentários

  1. nei
    segunda-feira, 8 de outubro de 2012 – 13:57 hs

    EM QUAL CIDADE GRANDE O PSDB GANHOU MESMO? ESTA EH A FORCA DO GOVERNADOR DE CURITIBA BETO RICHA, PORQUE O INTERIOR AINDA NUM TEM GOVERNADOR.

  2. ANTI-CORRÚ--PT--OS
    segunda-feira, 8 de outubro de 2012 – 14:41 hs

    POVO SÉRIO E HONESTO É OUTRA COISA.

  3. ernesto
    segunda-feira, 8 de outubro de 2012 – 15:01 hs

    É o Richa seguindo fielmente a trajetória do Requião, em pouco tempo vai tentar se eleger pra senador. Tenho dúvidas se conseguirá.

  4. Doutor Prolegômeno
    segunda-feira, 8 de outubro de 2012 – 15:33 hs

    Foi uma vitória de pirro no interior. O que vai pesar na eleição estadual é o din-din federal. Com o estado semi-quebrado e de pires na mão, e tendo perdido a capital, a jóia da coroa, a galinha dos ovos de ouro, o governo estadual nada pode oferecer aos prefeitos senão palavras, tapinhas nas costas e conforto espiritual. A grana quem tem é o governo federal.

  5. elton
    segunda-feira, 8 de outubro de 2012 – 15:54 hs

    Se juntar todos os eleitores das cidades que o PSDB elegeu prefeito não dá o número de eleitores de Londrina… Então se fizerem as contas, noves fora, acho que o PSDB saiu derrotado, graças as estratégias dos estrategistas Beto Richa e Valdir Rossoni…

  6. Max
    segunda-feira, 8 de outubro de 2012 – 18:58 hs

    E o PT só a metade disso, só 39 cidadelas até então, é de gritar e inventar mesmo
    Fora Petralhas!

  7. fiscalde realeza
    terça-feira, 9 de outubro de 2012 – 8:28 hs

    MAX

    O PT FOI QUEM MAIS CRESCEU NO PARANÁ
    POIS TINHA 30 CIDADES AGORA TEM 39

    COM O PDT E OUTROS PARTIDOS TEM MAIS 31 ENQUANTO O PSDB JA NEM AUMENTOU SÓ TEM MAIS PORQUE O PMDEB DESPENCOU
    SE VOCE FALAR MAX PRIMEIRO ESTUDE PARA DAR FALAR MENOS M………………..

  8. Anônimo
    terça-feira, 9 de outubro de 2012 – 9:58 hs

    durango kid de olho no governo do estado.

  9. duranco kid
    terça-feira, 9 de outubro de 2012 – 10:00 hs

    durango kid de olho no governo do estado.

  10. JOAO. Destro
    sexta-feira, 12 de outubro de 2012 – 22:22 hs

    Esses governantes não podem continuar de costas para nós povo do Paraná .

    Ouvir sempre a sociedade e os empresários, Até parece que são heróis, mas

    são apenas inquilinos ,gerentes das tarefas do Estado, por tempo determinado. Agem como se fossem donos eternos do dinheiro público.

    Quando destinam pequenas verbas para óbras no interior, fazem com estardalhaço enorme, como se não fosse obrigação deles investir bem
    nosso dinheiro.

    A mudança no poder torna-os mais acessíveis. Parabéns PARANÁ.

  11. quinta-feira, 18 de outubro de 2012 – 20:22 hs

    E o pr ninguem vai falar nada, do meu ilustrissimo prefeito aquele que vai cumprir tudo oque prometeu naquela cartilha de 2008. Oito anos deve ser suficiente pois quatro não foi deve ser por isso que não tinha projeto nenhum esse ano.

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