'Não apareceu metade da missa', diz Arruda | Fábio Campana

‘Não apareceu metade da missa’, diz Arruda

Da Agência Estado:

Dois anos e meio após ser preso e ter o mandato cassado acusado de ser chefe do esquema criminoso batizado de mensalão do DEM, o ex-governador do Distrito Federal José Roberto Arruda deu o primeiro depoimento nesta terça-feira à Justiça. Ele negou as acusações, disse que foi vítima de vingança de inimigos e, dando socos na mesa, ameaçou ir à forra: “Já que destruíram minha vida mesmo, não tenho pressa. Só digo uma coisa: ainda não apareceu nem metade da missa.”

Arruda está indiciado na ação penal 707, que corre no Superior Tribunal de Justiça (STJ), pelos crimes de corrupção, lavagem de dinheiro e formação de quadrilha, podendo pegar mais de 20 anos de prisão caso seja condenado. Ele foi ouvido no Tribunal de Justiça do Distrito Federal, por delegação do ministro Arnaldo Esteves Lima, relator da ação. A quadrilha, segundo as investigações da Polícia Federal, teria desviado mais de R$ 1 bilhão dos cofres públicos em seis anos.

O delator do esquema, o ex-secretário de Relações Institucionais Durval Barbosa, que também depôs nesta terça-feira, reafirmou a denúncia de que Arruda comandava a organização criminosa. Ele disse que pagava as contas do ex-governador com “dinheiro sujo”, inclusive viagens internacionais. “Deixava dinheiro escondido, dólares, em um banheiro para ele”, afirmou. Explicou que Arruda frequentava a casa dele e que teria deixado dinheiro de contratos de informática até com a sogra dele.

Exaltado, Arruda negou as acusações e disse que todos os diálogos apresentados por Durval e periciados pela PF foram editados e manipulados. “Acabaram com a minha vida pública porque eu não cedi às chantagens desses bandidos”, garantiu. Mas entrou em contradição e admitiu que, após eleito, recebeu os empresários financiadores de sua campanha, que teriam lhe cobrado a fatura. “Financiamento privado de campanha é fonte de crise permanente”, observou ele, citando como exemplo o mensalão petista do governo Luiz Inácio Lula da Silva.

Um dos maiores esquemas de corrupção da política brasileira, o mensalão do DEM foi desmantelado em novembro de 2009 pela Operação Caixa de Pandora, da Polícia Federal. O esquema consistia no desvio de recursos públicos em contratos “viciados”, cobrança de propina de empresários que tinham negócios com o governo e rateio de caixa dois entre autoridades e políticos da base aliada. Entre 2000 e 2009, teriam sido desviados mais de R$ 1 bilhão dos cofres públicos.


5 comentários

  1. Zangado
    quarta-feira, 17 de outubro de 2012 – 13:15 hs

    Missa negra essa …

  2. Resposta à Lá petê
    quarta-feira, 17 de outubro de 2012 – 13:36 hs

    Resposta pronta, se fosse do petê:
    “Sou inocente!, isso é um factóide dos inimigos, da imprensa golpista e dos invejosos.
    E o mensalão do DEM ou do PSDB, ninguém fala nada!…”

  3. Edilson Hugo Ranciaro
    quarta-feira, 17 de outubro de 2012 – 13:50 hs

    É importante que todos os casos de corrupção sejam resolvidos no menor prazo possível e que a justiça não fique subjugada por grupos de interesses políticos.

  4. Edilson Hugo Ranciaro
    quarta-feira, 17 de outubro de 2012 – 13:56 hs

    A Constituição Federal claramente determina que os Poderes são independentes entre si. Está na hora de acabar com indicações do Poder Executivo sobre o Poder Judiciário. Quem deve indicar é o CNJ.

    Assim, teóricamente acaba com esses Ministros que apoioam e absolvem esses verdadeiros ladrões do país, como estamos assistindo e lendo sobre o mensalão e nos processos junto aos inúmeros MPs no país.

    Outra alteração importante que o Poder Judiciário deve impor é que nos casos de servidores públicos ou desvios de recursos públicos, apenas o Ministério Público julgue e seja desvinculado do Poder Executivo do Estado, como é o caso do Militar. Sem interferência de TCEs, Comendadores do TJ ou STJ.

  5. Araújo
    quarta-feira, 17 de outubro de 2012 – 23:17 hs

    será que vai na direção do Cassio Tanigushi?

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