Do STF para cela comum | Fábio Campana

Do STF para cela comum

Os bem pagos advogados dos réus do mensalão mostrarão quanto valem no pós-julgamento: brigarão para protelar as prisões, que não serão especiais

De Flávio Tabak, O Globo:

No hall do Supremo Tribunal Federal (STF), ao lado de uma das entradas para o plenário, o advogado Hermes Guerrero recebe uma mensagem de texto via celular. Seu cliente Ramon Hollerbach, ex-sócio de Marcos Valério, digitara, preocupado: “Pelo Peluso, estou preso?”

O hoje ex-ministro Cesar Peluso havia antecipado, em razão de sua aposentadoria, suas penas aos réus do primeiro item apreciado no julgamento do mensalão, sobre desvios de recursos públicos da Câmara dos Deputados. A notícia era ruim para o cliente de Guerrero: Peluso determinara, naquele 29 de agosto, dez anos de prisão para Hollerbach por crimes como corrupção, mais multa.

A rigidez imposta pelo STF até agora — dez dos 14 réus julgados já foram condenados — terá seu símbolo maior quando as penas começarem a ser cumpridas.

E a aflição de Hollerbach tem origem na mesma curiosidade do resto do país: será que os réus condenados sairão do plenário diretamente para a prisão?

Para começar, um acórdão pode demorar meses, apesar de que a aposta dos próprios advogados dos réus é que sairá muito rapidamente. Há cálculos de especialistas falando em pelo menos seis meses entre o fim do julgamento e o envio dos condenados para a cadeia.

Esse pós-julgamento também justifica a contratação dos advogados criminalistas mais caros do país. E estes poderão se valer de instrumentos jurídicos para tentar mudar algum ponto da decisão dos ministros do Supremo ou simplesmente adiar a aplicação das penas.

Porém, mesmo bem assessorados, os condenados a penas de prisão não poderão escapar das celas comuns das penitenciárias brasileiras. O acaso de uma aposentadoria compulsória fez com que, pela primeira vez na Ação Penal 470, um ministro falasse sobre “anos de regime fechado” em plenário.


2 comentários

  1. VISIONÁRIO
    domingo, 23 de setembro de 2012 – 6:45 hs

    A esperança deste país é de que pelo menos uma vez na nossa vida
    tenhamos a “chance” de um colarinho branco ir para a cadeia. Temos
    tudo para acontecer mas é ver para crer…

  2. Ocimar
    segunda-feira, 24 de setembro de 2012 – 8:41 hs

    OLHA VISIONÁRIO,EU ME CONTENTARIA SE TIVESSEMOS LEIS MAIS DURAS E JUSTAS,ATÉ NEM PRECISARIA QUE ESSES PORCOS FOSSEM PRESOS CONTANTO QUE A JUSTIÇA DEIXASSE ELES NA MÉR…,TOMASSE TUDO O QUE ELES E OS QUE OS AJUDAM EMPRESTANDO CONTAS BANCÁRIAS TEM,FAZER ESSES BANDIDOS VIRAREM MENDÍGOS,ISSO JÁ ESTARIA DE BOM TAMANHO,AGORA CADEIA,ISSO,NESSA REPUBLIQUETA PETISTA,É PURA UTOPÍA.

Deixe seu comentário:

Campos obrigatórios estão marcados com *

*

*