Alunos voltam às salas de aula da UFPR após quase 4 meses de greve | Fábio Campana

Alunos voltam às salas de aula da UFPR após quase 4 meses de greve

Alunos do curso de Psicologia assistem a aula após quase quatro meses de greve  na foto de Ariane Ducati/G1.

De Ariane Ducati, G1 PR:

Os alunos da Universidade Federal do Paraná (UFPR), em Curitiba, retornaram às aulas nesta segunda-feira (17) após a suspensão da greve dos professores que durou quase quatro meses. No prédio histórico da universidade poucos estudantes circulavam pelos corredores no início desta manhã.

O G1 conversou com estudantes e servidores e obteve a informação de que apenas turmas do curso de Direito e de Psicologia estavam em aula.

Para a aluna do 5º ano do curso de Direito da UFPR Mayara Tonin, o término da greve é um alívio, mas agora a expectativa é para saber como vai ficar o calendário de reposições. “Nossa formatura é em fevereiro e ainda não sabemos até quando teremos aula”, comentou.

Mayara ainda relatou que com a biblioteca da instituição fechada, por causa da greve, até o encaminhamento do Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) foi afetado.

A preocupação de Diogo Rodrigues Mamassés, também do último ano de Direito, é com a maneira que o conteúdo perdido será repassado. “Ano passado já tivemos greve e sabemos que a reposição nunca é igual ao tempo perdido. (…) Para dois meses de aula, repõe em um”.

No corredor da UFPR, o sorriso e a pressa de Mateus Graner para subir para a sala de aula do 1º ano de Direito, denunciavam a alegria. “Estou feliz com a volta das aulas”, resumiu. O estudante contou que durante o período de greve a maioria dos professores do curso adiantou a retomada das aulas e no início de setembro já estavam lecionando novamente.

Giulia Bolzani, de 18 anos, disse que acha justa a reivindicação dos professores, mas criticou o governo. “A greve nos afetou bastante, não sabemos quando vão ser as férias. (…) Mas achei feio da parte do governo de deixar a paralisação se estender por tanto tempo”, pontou a aluna do 1º de Direito.

No caso da estudante do 4º ano de Psicologia, Aline Rodrigues, a greve influenciou até no início de um estágio. “Não é fácil conseguir estágio remunerado na nossa área e eu consegui um no meio da greve. A paralisação atrapalhou no encaminhamento dos pais e fiquei sem aulas e sem trabalho”, lamentou.

“Concordo com os motivos dos professores, eles têm razão, têm que lutar por melhorias no plano de carreiras mesmo. Todos os nossos professores têm doutorado e ganham menos que um auditor da Receita Federal. Mas no final nós somos os mais prejudicados. Até nossa formatura isso deve atrapalhar”, comentou Aline que voltou para a universidade depois de quatro meses. Segundo ela, a última vez que teve aula foi no dia 15 de maio.

Calendário de reposição
De acordo com a assessoria de comunicação da UFPR, os cursos que ainda não estavam tendo aulas nesta manhã aguardam a resolução sobre o calendário de reposições que está sendo definido pelo Conselho de Ensino e Pesquisa e Extensão da instituição. O resultado da reunião deve ser divulgado nesta tarde.

Negociação
A greve iniciada em 17 de maio foi suspensa na última quinta-feira (13). Cerca de 500 docentes participaram da assembleia e 95% deles optaram pelo fim da mobilização. A paralisação teve adesão de 57 das 59 universidades federais do país.
No domingo (16), o Sindicato Nacional dos Docentes das Instituições de Ensino (Andes) informou em nota que a greve nacional das universidades federais deve ser encerrada nesta semana em todas nas instituições.

UTFPR
Na Universidade Tecnológica do Paraná (UTFPR) as aulas serão retomadas na segunda-feira (24). Os professores da instituição ressaltam que, mesmo com o fim da paralisação, eles não concordam com encaminhamento dado pelo governo para a carreira.


4 comentários

  1. segunda-feira, 17 de setembro de 2012 – 12:59 hs

    Os professores estão ensinando bem…
    Somente os alunos perderam, professores tiveram 4 meses de férias e ganharam aumento,
    É aquela história greve de policia federal ou receita federal eles trabalham, mas deram nome de operação padrão.
    Quando deveriam fazer este tipo de trabalho ou de conduta sempre.
    Quer dizer que fora da greve o trabalho é pela metade?

  2. Anônimo
    segunda-feira, 17 de setembro de 2012 – 14:45 hs

    Eles deveriam sentir-se envergonhados ao entrarem na sala de aula e pedir desculpa aos alunos, o mínimo.

  3. Um professor da UFPR
    segunda-feira, 17 de setembro de 2012 – 18:39 hs

    Aos mal informados que postaram essas duas observações, é bom
    lembrar alguns pontos:

    1) a greve foi estabelecida para as atividades de graduação. A pós-graduação (mestrado e doutorado), como possui calendário próprio, não parou (exceto pontualmente), de forma que os alunos não tivessem problemas junto à CAPES. Logo, não houve os tais “4 meses de férias”.

    2) as aulas de graduação serão INTEGRALMENTE repostas, incluindo atividades nos meses de dezembro, janeiro e fevereiro. Ou seja, as férias (sem aspas) de fim de ano não existirão. Pelo contrário, trabalhamos durante os 4 meses de greve da graduação, com a pós-graduação. Trabalharemos os 4 meses seguintes com a graduação. Um simples deslocamento temporal.

    Enganam-se, pois, aqueles que julgam a greve como uma benesse aos professores. É, sim, um transtorno para todos, incluindo os alunos tão prejudicados (e que nos apoiaram totalmente). Com isso não quero fazer apologia de greve, visto que a considero um estado de exceção. Os mecanismos institucionais de recomposição salarial por perdas inflacionárias e que propiciem melhores condições do exercício pleno de uma cidadania, tanto de professores quanto de alunos, é que devem ser o foco das discussões, não a falácia das “férias de 4 meses”.

  4. vinicius
    terça-feira, 18 de setembro de 2012 – 0:48 hs

    carissimo um professor da ufpr, que comentou acima.. gostei muito do seu comentario, parabens.. me acrescentou muito… aposto de “calou a boca“ dos 2 primeiros comentarios

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