Reféns da fantasia | Fábio Campana

Reféns da fantasia

Da Dora Kramer, O Estado de S.Paulo:

Se os hoje réus em julgamento no Supremo Tribunal Federal tivessem de fato convicção de que o único crime do PT e companhia fosse a prática do caixa 2 em campanhas eleitorais, natural que tivessem se defendido do delito.

Ao menos na época em que o assunto estava restrito ao campo político, já que depois do oferecimento da denúncia pelo procurador-geral Antonio Fernando de Souza por peculato, corrupção, formação de quadrilha, lavagem de dinheiro e evasão de divisas, o “núcleo político” precisou recorrer a qualquer recurso para se defender, por mais frouxo que fosse?

Na primeira fase, entre a criação da CPI dos Correios em função da exibição de um vídeo de funcionário da estatal ligado ao PTB recebendo R$ 3 mil de propina, a denúncia de Roberto Jefferson e o deslocamento do foco das investigações para o mensalão, o que se ouviu foram negativas peremptórias sobre quaisquer tipos de acertos financeiros.

Apenas a partir da revelação de dados e fatos impossíveis de serem desmentidos é que os envolvidos saíram do estado de negação para o de adaptação de justificativas.

Até que em meados de julho – quase três meses depois da cena que originou todo o escândalo – adotou-se oficialmente a versão do caixa 2 consolidada na entrevista dada pelo presidente Lula em Paris atribuindo as ações de seu partido aos defeitos do sistema: “Do ponto de vista eleitoral o PT fez o que é sistematicamente feito no Brasil”, disse.

Desde então, essa passou a ser a história a que estariam presos os advogados na construção das peças em prol dos clientes. Por partirem do princípio da aceitação de ilícito “menor”, assentaram como verdadeira a ocorrência de delitos “maiores”.

De onde ficaram prejudicadas, por inverossímeis, as defesas apresentadas no processo procurando mostrar os acusados como homens de bem, vítimas de insidiosa perseguição, porque a medida é uma só: se há culpa assumida, seja de que tamanho for, rompido está o pressuposto da inocência.


Um comentário

  1. Do Interiorrrrrr...
    quarta-feira, 22 de agosto de 2012 – 8:36 hs

    Claro!, Isso ocorreu após a prescrição. Porque não admitiram isso antes:? Porque seriam condenados…. Agora Poooooooddddddeeeeee!.

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