Agônicos, mensaleiros esperam o pior | Fábio Campana

Agônicos, mensaleiros
esperam o pior


Do Ricardo Noblat:

A se confirmar o que adiantam ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) em conversas reservadas com jornalistas, a maioria dos réus do processo do mensalão está simplesmente… Como é mesmo que diria o ministro Dias Toffoli, dono de uma linguagem desabrida? A maioria está enrascada. Advogados dos réus pensam da mesma forma. Haverá condenações pesadas, segundo eles. E nomes conhecidos acabarão presos. José Dirceu? Não sei. Mas ele anda pessimista.

Acontecerá de fato o que os ministros segredam? Não sei. Desconfio que eles também não sabem.

Os ministros andam muito salientes. Aprenderam a projetar o que lhes interessa – atitude de verdadeiros pop stars. Mas o que projetam muitas vezes serve para esconder suas intenções.

Mais de mil decisões, de variados graus de importância, serão tomadas até o último dia do julgamento.

Tem-se uma vaga idéia de que o último dia cairá em meados de outubro. Ou de novembro. O ministro Marco Aurélio não descarta a hipótese de o julgamento terminar apenas no próximo ano.

Espera-se que uma vez que começou, termine. Afinal, na semana passada, em dado momento, pareciam inconciliáveis as posições de Joaquim Barbosa, ministro-relator, e de Ricardo Lewandowski, ministro-revisor. Joaquim queria fatiar a leitura do seu voto. E queria que cada fatia fosse imediatamente votada por seus pares.

Lewandowski foi contra. Por ele, Joaquim leria as mil páginas do seu voto. Lewandowski leria as 1.400 páginas do dele – o que prometeu fazer bem devagar. Chegaria a vez de os demais ministros.

“Será o caos”, decretou Joaquim, que ameaçou renunciar à relatoria. Lewandowski ameaçou renunciar à revisão.

O impasse foi contornado com o aparente recuo de Lewandowski. Ayres Britto, presidente do STF, anunciou que Lewandowski concordara com a forma de votação proposta por Joaquim. De passagem pelo Rio, Lewandowski deu a entender que não foi bem assim.

E como será logo mais na abertura de uma nova sessão do julgamento?

Há dois ou três meses a direção do STF definiu o número de cadeiras reservadas para jornalistas, advogados e cidadãos comuns. Acertou como seria o formidável esquema de segurança jamais montado dentro e fora do prédio do STF. Reforçou a segurança de cada ministro. E formatou o calendário de sessões.

Esqueceu ou não quis reunir os ministros para estabelecer o roteiro das votações. E a maneira de fazê-las.

Os ministros são conscientes e orgulhosos dos seus poderes. Nenhum vale mais do que o outro. A presidência é rotativa. As mordomias são iguais. Não cultivam o hábito de se consultar sobre seus votos.

Ayres Britto perguntou a um ministro: “Quantas páginas terá o voto de Vossa Excelência?”

A pergunta causou espanto. Que ousadia! O ministro não respondeu. Os votos dos 11 ministros estão prontos ou quase. Mas eles podem mudá-los em cima da hora, até mesmo de improviso.

Um trecho acrescentado entre vírgulas pode indicar uma mudança de posição. Quantos votos não mudaram de lado com o auxílio de um “porém”?

O fator “pressão do governo” pesa muito. O fator “opinião pública”, idem. Além dos fatores “meu amigo” ou “meu inimigo”. Tudo o que é humano não deve nos causar estranheza.

No passado, os tribunais eram patronais e governistas. Estão deixando de ser por causa da mídia, do debate travado nas redes sociais e da cobrança da sociedade por maior transparência.

Conservadores receiam uma Justiça populista. Seus contrários aplaudem uma Justiça menos vinculada aos donos do poder.

Há 30 anos, uma denúncia como essa do mensalão jamais teria sido aceita pelo STF. Há 20 anos, talvez, mas ao cabo do julgamento não haveria culpados.

Agora?

O melhor é aguardarmos.


10 comentários

  1. TROLL
    segunda-feira, 20 de agosto de 2012 – 21:59 hs

    Tomara que as previsões se concretizem .
    Quanto ao pessimismo do José Dirceu , melhor só se virar realidade.
    CANA, e pesada, para todos estes “santos”.
    E por falar em cana ,é a grande chance do sapo barbudo navegar em seu habitat.

  2. Cajucy Cajuman
    segunda-feira, 20 de agosto de 2012 – 22:41 hs

    Quem sabe Joaquim Barbosa dê a resposta que a sociedade tanto espera para a moralização pública e o STF se fortaleça, sem máscara, mas cumpridor do seu dever, deixando os holofotes e às entrevistas de seus ministros para depois do feito.

    Quem sabe ainda, Joaquim Barbosa ao dar o tom da moralidade pública tão indispensável nos dias atuais, VENHA AINDA A TER A SIMPATIA dos brasileiros para, futuramnente, ser CANDIDATO A PRESIDÊNCIA do país e moralizar o resto que falta?

    O tempo dirá!

  3. Max
    segunda-feira, 20 de agosto de 2012 – 22:51 hs

    A justiças tarda mas não falha, quero ver todos os MENSALEIROS E SEU MANDANTE na cadeia.

  4. Vigilante do Portão
    terça-feira, 21 de agosto de 2012 – 4:26 hs

    Tá chegando a hora.

    Chora PETEZADA!

  5. VISIONÁRIO
    terça-feira, 21 de agosto de 2012 – 6:03 hs

    No meio de tanta tempestade do STF ainda existe pelo menos um
    ministro decente e lúcido ===> Joaquim Barbosa. Mas neste país
    cheio de maracutaias infelizmente o julgamento cheira pizza…
    Duvido que o José Dirceu e a curriola vão para a cadeia !!

  6. celestino
    terça-feira, 21 de agosto de 2012 – 7:53 hs

    é hora de moralizar este País, cadeia neles.

  7. PEDREIRA
    terça-feira, 21 de agosto de 2012 – 9:13 hs

    Começo a acreditar que já tem jatinho aquecendo motores para voar para Cuba.

  8. PEDREIRA
    terça-feira, 21 de agosto de 2012 – 10:41 hs

    “Sai Zé”. O camburão está proximo. “Saí Zé”.

  9. ernesto
    terça-feira, 21 de agosto de 2012 – 10:51 hs

    A cana já esa ocupada pelo Aécio Neves, pego dirigindo bêbado. Aguardamos também a ajuda da imprensa para apressar em julgar e condenar os culpados do mensalão tucano.

  10. Helena
    terça-feira, 21 de agosto de 2012 – 16:25 hs

    PARABÉNS, EXCELENTISSÍMO Ministro JOAQUIM BARBOSA!!!
    V.Exa. é um poliglota, doutorado na França, é um afro-descendente, que chegou onde chegou, porque tem méritos com muito louvor, é digno, honesto, transparente, imparcial e JUSTO, sem ter se utilizado de uma bolsa social, porque teve competência e inteligência para tal.É muito bom para todos nós brasileiros contar com HOMENS corajosos, temos muito orgulho em ter V. Exa. ocupando um cargo de tamanha envergadura

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