A memória do Toffoli | Fábio Campana

A memória do Toffoli

Do Painel da Folha de SP:

Na sabatina a que foi submetido rumo ao STF, em 2009, José Dias Toffoli respondeu ao tucano Álvaro Dias sobre eventual impedimento de votar no mensalão: “Se, eventualmente, tiver alguma hipótese na qual eu tenha atuado, aconselhado, tenha tido algum tipo de orientação, é evidente que, pelas normas de impedimento, tenho obrigação de me declarar impedido ou suspeito de atuar”. O hoje ministro disse nunca ter ouvido falar de mensalão em sua passagem pela Casa Civil.


9 comentários

  1. quinta-feira, 2 de agosto de 2012 – 21:43 hs

    Principal assunto do país, o mensalão foi o tema de pelo menos dez discursos na tribuna da Câmara ontem à tarde.
    Mesmo com o debate pegando fogo entre os deputados no plenário, quem lê a edição de hoje do Jornal da Câmara não encontra uma linha sobre o julgamento no STF.
    Sobre a cobertura meio “mundo da lua” do jornal, o pessoal que cuida da comunicação na Câmara diz que o mensalão vai começar a ser abordado hoje na TV e na rádio Câmara, além da internet…
    Bem que Marco Maia havia avisado que iria abafar o mensalão na Câmara… Pelo menos essa promessa ele cumpriu (leia mais em Vende e não entrega).

  2. pingo
    quinta-feira, 2 de agosto de 2012 – 21:47 hs

    Quebrando normas e com problemas de memória, incapaz de ocupar o cargo pelas próprias pernas.
    Como não vai pedir para sair, seria um caso de Impecheament do Ministro do STF ?

  3. NEVES
    quinta-feira, 2 de agosto de 2012 – 22:16 hs

    ALÉM DE MEMÓRIA CURTA O PETRALHA É MENTIROSO E NÃO HONRA A CALÇA QUE VESTE

  4. Ocimar
    sexta-feira, 3 de agosto de 2012 – 9:37 hs

    TO FALANDO O CARA É DA QUADRILHA,FOI O LULADRÃO QUE COLOCOU ELE LA DENTRO.

  5. Helena
    sexta-feira, 3 de agosto de 2012 – 11:43 hs

    Esse ministrinho foi nomeado para o STF, para representar o petê e não a sociedade brasileira, é um “desmorariado” tal como todos os petistas, como diz o humorista mexicano,”sem querer, querendo”….

  6. Helena
    sexta-feira, 3 de agosto de 2012 – 11:48 hs

    corrigindo… DESMEMORIADO… isso contamina gente! me proteja dessa praga! uiuiuiuiuiuiuiuiuiui

  7. Zangado
    sexta-feira, 3 de agosto de 2012 – 12:20 hs

    Não é que ele não tenha memória, ele NÃO PODE TER ESSA MEMÓRIA.

    Não é que ele não saiba que existe o impedimento, ele NÃO PODE SEQUER MENCIONAR O TEMA DO IMPEDIMENTO.

    Para o ministro existe uma lei acima da Constituição, é LEI DE LULA.

  8. Parreiras Rodrigues
    sexta-feira, 3 de agosto de 2012 – 14:23 hs

    Tem um outro bloco da sociedade que nunca sabe de nada. O dos cornos…

  9. ernesto
    sexta-feira, 3 de agosto de 2012 – 15:56 hs

    Constrangimentos no mensalão

    Paulo Moreira Leite
    Política, eleições

    Sabemos que os esquemas financeiros da política brasileira são condenáveis por várias razões, a começar pela principal: permitem ao poder econômico alugar o poder político para que possa atender a seus interesses. Os empresários que contribuem com campanhas financeiras passam a ter deputados, senadores e até governos inteiros a seu serviço, o que é lamentável. O cidadão comum vota uma vez a cada quatro anos. Sua força é de 1 em 100 milhões. Já o voto de quem sustenta os políticos é de 100 milhões contra 1.

    Por isso sou favorável a uma mudança nas regras de campanha, que proíba ou pelo menos controle essa interferência da economia sobre a política. Ela é, essencialmente, um instrumento da desigualdade. Contraria o princípio democrático de que 1 homem equivale a 1 voto.

    Pela mesma razão, eu acho que todos os fatos relativos ao mensalão petista precisam ser esclarecidos e examinados com serenidade. Casos comprovados de desvios de recursos públicos devem ser punidos. Outras irregularidades também não devem passar em branco.

    Não vale à pena, contudo, fingir que vivemos entre cidadãos de laboratório. Desde a vassoura da UDN janista os brasileiros têm uma longa experiência com campanhas moralizantes para entender um pouco mais sobre elas. Sem ir ao fundo dos problemas o único saldo é um pouco mais de pirotecnia.

    No tempo em que Fernando Henrique Cardoso era sociólogo, ele ensinava que a opinião pública não existe. O que existe, explicava, é a “opinião publicada.” Esta é aquela que você lê.

    O julgamento do mensalão começa em ambiente de opinião publicada. O pressuposto é que os réus são culpados e toda deliberação no sentido contrário só pode ser vista como falta de escrúpulo e cumplicidade com a corrupção.

    Num país que já julgou até um presidente da República, é estranho falar que estamos diante do “maior julgamento da história.” É mais uma opinião publicada. Lembro dos protestos caras-pintadas pelo impeachment de Collor. Alguém se lembra daquela da turma do “Cansei”?

    Também acho estranho quando leio que o mensalão foi “revelado” em junho de 2005. Naquela data, o deputado Roberto Jefferson deu a entrevista à Folha onde denunciou a existência do “mensalão” e disse que o governo pagava os deputados para ter votos no Congresso. Falou até que eles estavam fazendo corpo mole porque queriam ganhar mais.

    Anos mais tarde, o próprio deputado diria – falando “a Justiça, onde faltar com a verdade pode ter mais complicações – que o mensalão foi uma “criação mental”. Não é puro acaso que um número respeitável de observadores considera que a existência do mensalão não está provada.

    A realidade é que o julgamento do mensalão começa com um conjunto de fatos estranhos e constrangedores. Alguns:

    1. Roberto Jefferson continua sendo apresentado com a principal testemunha do caso. Mas isso é o que se viu na opinião publicada. Na opinião não publicada, basta consultar seus depoimentos à Justiça, longe dos jornais e da TV, para se ouvir outra coisa. Negou que tivesse votado em projetos do governo por dinheiro. Jurou que o esquema de Delúbio Soares era financiamento da campanha eleitoral de 2004. Lembrou que o PTB, seu partido, tem origens no trabalhismo e defende os trabalhadores, mesmo com moderação. Está tudo lá, na opinião não publicada. Ele também diz que o mensalão não era federal. Era municipal. Sabe por que? Porque as eleições de 2004 eram municipais e o dinheiro de Delúbio e Marcos Valério destinava-se a essa campanha.

    2. Embora a opinião publicada do procurador geral da República continue afirmando que José Dirceu é o “chefe da quadrilha” ainda é justo esperar por fatos além de interpretações. Deixando de lado a psicologia de botequim e as análises impressionistas sobre a personalidade de Dirceu é preciso encontrar a descrição desse comportamento nos autos. Vamos falar sério: nas centenas de páginas do inquérito da Polícia Federal – afinal, foi ela quem investigou o mensalão – não há menção a Dirceu como chefe de nada. Nenhuma testemunha o acusa de ter montado qualquer esquema clandestino para desviar qualquer coisa. Nada. Repito essa versão não publicada: nada. São milhares de páginas. Nada entre Dirceu e o esquema financeiro de Delúbio.

    3. O inquérito da Polícia Federal ouviu 337 testemunhas. Deputados e não deputados. Todas repetiram o que Jefferson disse na segunda vez. Nenhuma falou em compra de votos para garantir votos para o governo. Ou seja: não há diferença entre testemunhas. Há concordância e unanimidade, contra a opinião publicada.

    4. A opinião publicada também não se comoveu com uma diferença de tratamento entre petistas e tucanos que foram agrupados pelo mesmo Marcos Valério. Como Márcio Thomaz Bastos deve lembrar no julgamento, hoje, os tucanos tiveram direito a julgamento em separado. Aqueles com direito a serem julgados pelo STF e aqueles que irão para a Justiça comum. De ministros a secretárias, os acusados do mensalão petista ficarão todos no mesmo julgamento. A pouca atenção da opinião publicada ao mensalão mineiro dá a falsa impressão de que se tratava de um caso menor, com pouco significado. Na verdade, por conta da campanha tucana de 1998 as agências de Marcos Valério recebiam verbas do mesmo Banco do Brasil que mais tarde também abriria seus cofres para o PT. Também receberam aqueles empréstimos que muitos analistas consideram duvidosos, embora a Polícia Federal tenha concluído que eram para valer. De acordo com o Tribunal de Contas da União, entre 2000 e 2005, quando coletava para tucanos e petistas, o esquema de Marcos Valério recebeu R$ 106 milhões. Até por uma questão de antiguidade, pois entrou em atividade com quatro anos de antecedência, o mensalão tucano poderia ter preferência na hora de julgamento. Mas não. Não tem data para começar. Não vai afetar o resultado eleitoral.

    É engraçada essa opinião publicada, concorda?

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