Sardenberg: Dilma está errada. Economia não é adivinhação | Fábio Campana

Sardenberg: Dilma está errada. Economia não é adivinhação

Dilma, economista, erra ao falar de crescimento e inflação (Foto: Antonio Cruz / ABr)

Dilma, economista, erra ao falar de crescimento e inflação como adivinhação. (Foto: Antonio Cruz / ABr)

Do Carlos Alberto Sardenberg, publicado hoje em O Estado de S. Paulo:

Não é adivinhação

Em 17 de março de 2011, em entrevista ao jornal Valor Econômico, a presidente Dilma Rousseff sustentou que a economia brasileira tinha todas as condições de chegar ao final daquele ano com crescimento entre 4,5% e 5% e inflação contida na meta de 4,5%. Quando a jornalista Claudia Safatle observou que, fora do governo, se esperava resultado bem diferente, para pior nos dois quesitos, Dilma respondeu com uma frase de Delfim Netto:

– Não existe uma lei divina que diz que a taxa de crescimento será de 3% e que a inflação será de 6%. Eu acho que isso é adivinhação.

Curiosa a crítica da presidente. Aquele era um dos chamados “cenários de mercado”, construídos com base em teoria econômica, claro, não em leis naturais. Ao desclassificar essa projeção – “é adivinhação” – Dilma, uma economista, necessariamente desclassificou seu próprio cenário, igualmente baseado em doutrina econômica.

Dirão: mas são teorias diferentes. Certo, mas não foi essa a crítica de Dilma. Ela desconsiderou a prática da previsão econômica. Como não há leis divinas (ou naturais) regulando a atividade econômica, uma ação dos homens, sempre mutável, não há como antecipar os fatos, tal a argumentação.

Faz sentido. É o contrário do que acontece na natureza. Aqui, a ciência consegue formular as leis que regem os fenômenos, sempre da mesma maneira. E até revela a realidade, como mais uma vez se demonstrou com o encontro do “bóson de Higgs”. Cinquenta anos atrás, o cientista Peter Higgs chegou à conclusão que essa partícula elementar existia e deveria aparecer em tal circunstância. Mas não havia aparelhos – sequer computadores! – para encontrar a coisa. Agora acharam, ali mesmo onde deveria estar.

Dilma estava errada, e o mercado, certo

Já a economista e presidente Dilma foi menos feliz. Ao rejeitar a tese de que as variáveis econômicas de 2011 já estavam praticamente dadas e que seria possível crescer mais, com menos inflação, afirmou: “depende da gente…vamos mostrar”.

Logo, não se tratava exatamente de uma antecipação científica, mas de um ato de fé. “Tenho certeza de que o Brasil vai crescer entre 4,5% e 5% neste ano (de 2011)”, declarou em outro momento da entrevista.

Resumindo: a presidente recusou, então, as previsões “supostamente” teóricas e colocou em seu lugar sua determinação e sua confiança na capacidade do governo. E dela.

Como sabem os leitores, Dilma estava errada e o mercado, certo. O Brasil cresceu apenas 2,7%, com inflação de 6,5%, no limite do teto da banda, e ainda assim um resultado, digamos, martelado.

Seria então aquele pensamento econômico, o crítico, tão firme quanto a física de Higgs? Certamente não. Todo mundo tem na cabeça uma fileira de erros de análises e previsões. Teria sido então pura sorte? Adivinhação? Também não.

Bóson de Higgs, ou a partícula de Deus: a simulação mostra a partícula sendo captada pelo detector CMU no Grande Colisor de Hádrons (Foto: CERN / Divulgação)Bóson de Higgs, ou a partícula de Deus: a simulação mostra a partícula sendo captada pelo detector CMU no Grande Colisor de Hádrons (Foto: CERN / Divulgação)

A ciência econômica trata de comportamentos humanos, pessoas tomando a decisão de colocar o dinheiro na poupança ou torrar no shopping. Dá para saber muita coisa olhando para o passado e examinando como as pessoas se comportaram em tal e qual situação. Sim, as situações nunca se repetem igualzinho, mas são ao menos semelhantes.

Vai daí… Assim como a psicanálise avançou tanto no conhecimento da alma humana e, pois, no entendimento do comportamento, também a economia sabe muito sobre as ações dos homens na produção e no consumo.

Ou seja, não é adivinhação. Tem arte, mas tem muita ciência – e muita matemática – na elaboração das análises econômicas. E, sim, há boas e más análises, mais ou menos competentes.

Há também divergências entre as correntes de pensamento, conforme se parte desta ou daquela premissa. Dilma, por exemplo, se filia a uma corrente para a qual o governo (o Estado) precisa intervir pesadamente na atividade econômica para corrigir ou evitar os erros e injustiças do mercado.

E se for assim, não é apenas que a presidente estava errada em suas previsões. Ela pode estar operando com o pensamento equivocado. Já errou feio duas vezes: este ano vai pelo mesmo caminho de 2011. O governo acreditava num crescimento de até 5%, recuou para 4%, o Banco Central já reduziu mais ainda, e agora a presidente já diz que a expansão do PIB não é importante. Ocorre que pela adivinhação ou pela lei divina, o PIB será ainda menor do que no ano passado.

Uma interpretação equivocada da realidade leva necessariamente a política econômica pouco efetiva.

Muitos analistas têm apontado restrições para que o Brasil cresça aceleradamente e com inflação baixa. Dizem que só a eliminação dessas restrições – reunidas no tal custo Brasil – permitiria um novo ciclo de crescimento, a partir, essencialmente, de investimentos privados. Ou seja, trata-se de abrir espaço para as empresas privadas.

Já Dilma tem dito e tentado pelo outro lado. Acha que é possível ao governo colocar as regras, os estímulos e o dinheiro necessário para decolar o país.

Até aqui, porém, temos a combinação de baixo crescimento e inflação ainda alta, isso na comparação com o mundo emergente.

Além disso, há um problema operacional. A presidente acerta, na teoria, quando diz que o governo vai segurar o gasto com custeio e expandir investimento (como dizia na entrevista do Valor).

Mas, na prática, em 2011, o gasto do Tesouro com custeio aumentou 13%. Investimentos, 0,8%. Neste ano, até maio, os investimentos cresceram mais depressa, mas a partir de base menor e ainda longe da meta do governo. E as despesas de custeio subiram mais de 15%.


14 comentários

  1. Deutsch
    terça-feira, 17 de julho de 2012 – 22:12 hs

    Pra começar a dilma é desqualificada para falar de economia, é desqualificada para governar, é desqulificada, enfim… é uma desqualificada.
    Só fala, fala, fala…..
    Porra, to com o saco arrebentando de ver tanta desqualificação!

  2. Roberto
    quarta-feira, 18 de julho de 2012 – 1:31 hs

    Falou o dono da verdade…

  3. VLemainski
    quarta-feira, 18 de julho de 2012 – 9:54 hs

    O povo brasileiro, a maioria desaculturado e politicamente imaturo, é semelhante a cacorrinho recem-nascido.
    Inicialmente orienta-se pelo faro e pelo som. Demora, mas um dia abre os olhos.

  4. Mírian Waleska
    quarta-feira, 18 de julho de 2012 – 10:32 hs

    Ela ta ficando igual ao Lula , uma vergonha nacional cada vez que abre a boca.
    E alguem achava que ela entendia de economia? de administrar um país? de-lhe um fuzil nas mãos que ela faz um estraçalho. Nisso ela é mara

  5. Marques
    quarta-feira, 18 de julho de 2012 – 10:48 hs

    Deutsch
    Qualificado é você!
    Com tanta desenvoltura, provavelmente deve ser um DOUTOR em economia, ou uma viúva de FHC, o presidente que corriqueiramente batia às portas do FMI para pedir $$$$, elevava as taxas de juros e privatizava (ou melhor entregava de forma covarde o patrimônio público aos interesses privados). Hoje o Brasil é a 6ª maior economia do Mundo, caminhando para ser a 5ª, pratica a menor taxa de juros da História, possui uma reserva cambial muito maior que sua dívida externa, um mercado consumidor capaz de amenizar os efeitos da CRISE MUNDIAL, uma presidenta com índices altíssimos de popularidade, uma Democracia que serve de exemplo para o MUNDO., enfrenta dificuldades econômicas é óbvio, a crise econômica que começou em 2008 afeta todo o planeta, segundo alguns renomados economistas, a crise atual é pior que a Grade Depressão de 1929, entretanto, o Brasil está se comportando melhor que a maioria do países.

  6. Jack
    quarta-feira, 18 de julho de 2012 – 11:56 hs

    Penso que Dilma está se vingando da ditadura, fazendo a sua própria ditadura. Nunca antes na história deste país, desde os tempos dos governos militares, se viu um presidente tão autoritário. Se a popularidade dela cair, está ferrada, pois já arrumou milhões de amigos no Executivo, Legislativo e Judiciário. Certamente, o seu segundo mandato (praticamente certo) será um caos para o país.

  7. quarta-feira, 18 de julho de 2012 – 12:10 hs

    O artigo do Sadenberg não identificou de maneira precisa a linha economica da presidente Dilma. É sabido que ela segue a orientação economica do Manual do Perfeito Idiota Latino Americano, aliada a uma grande confusão mental (basta escutar a confusão conceitual de seus discursos) . Prova disto é a sua aceitação do voluntarismo manteguista na economia e a sua identificação com os caudilhos Hugo Chávez, Evo Morales, Cristina Kirchner e outros, quando vocifera contra instituições republicanas.
    O que esperar de uma presidente indicada por um semianalfabeto?

  8. PK
    quarta-feira, 18 de julho de 2012 – 12:27 hs

    MEGA!!!!! SENA!!!!! ECONOMIA SEM FUSÃO; SE EU GANHAR É CLARO QUE FICAREI NUMA BOA!!! O PIBinho É MEU! E O GOVERNO ÓÓÓ R$$$$$$$$$.

  9. sergio silvestre
    quarta-feira, 18 de julho de 2012 – 13:54 hs

    Nem chute né SANDENBERG.
    Se for tirar proveito de tudo que disseram nestas tres decadas,
    deu para aproveitar alguma piada do joelmir beting.
    Quem entende de economia é quem ganha salário minimo.

  10. Henrique junior
    quarta-feira, 18 de julho de 2012 – 14:31 hs

    Marques, dá um tempinho e vc. vai ver que maravilha que vai ficar isso aquí.

  11. Henrique junior
    quarta-feira, 18 de julho de 2012 – 14:32 hs

    “O espetáculo do crescimeinto”

  12. Aline
    quarta-feira, 18 de julho de 2012 – 22:58 hs

    Marques só repete o MANTRA enganador do PT. Ele não é capaz de pensar por si.

  13. Deutsch
    quarta-feira, 18 de julho de 2012 – 23:41 hs

    Marques, quem só sabe meter o pau no governo FHC não tem a mínima noção do que é uma economia se erguer. Isso não acontece de uma hora para outra. Houveram sim erros, mas creditar todos os bonus da economia estabilizada ao meliante do lula e a anta da dilma é no mínimo burrice.
    Pense bem, já a partir dos anos 80 o país não crescia mais. Veio o Sarney, e fudeu com a economia e com o povo. Depois veio o Collor e novamente a economia e o povo sifu( e olha que os dois são os amiguinhos preferidos do luladrão).
    Quando da implantação do plano real, o vagabundo do lula e o pt foram contrários, pois quanto pior a economia, melhor para eles.
    Voce escreve que o FHC vivia pedindo $$$ ao FMI. Claro, como é que iríamos sobreviver se não o Brasil não tinha reservas, pois as exportações eram baixas, graças às intervenções do sarney e collor.
    Muitas ações tomadas foram impopulares, mas foi graças a isso que o lula51 pode colher todos os frutos, ou voce acha que o Brasil melhorou só porque o meliante tornou-se presidente?
    Qual foi a iniciativa do lularápio em melhorar nossa infra estrutura? Reforma tributária? Nada foi feito, e assim continua.
    Tambem achei que os 2 ultimos anos do FHC foram péssimos, tanto que votei no luladrão, e este talvez sido o maior erro da minha vida, pois votei num esteliontário.
    Então, Marques, vá se informar e pare de puxar o saco da presidANTA dilma e do lula-pé-na-cova.

  14. Pedro Rocha
    quinta-feira, 19 de julho de 2012 – 14:01 hs

    O Sardenberg está equivocado! – Afinal, nossa presidentA MOSTRA em seu glorioso currículo, além de outras virtuoses, a administração de sua lojinha de R$ 1,99, em Porto Alegre!
    É só ir lá pra conferir o brilho de sua administração…
    O mesmo currículo, ostenta, (Desculpem, OSTENTAVA(*)), em seu bojo, TESES DE DOUTORADOS, E TÍTULOS OS MAIS DIVERSOS, sempre na área de economia, e TODOS, TODOS, oriundos das mais premiadas escolas do mundo, no setor.
    (*)Inexplicavelmente, talvez até pela magnificiente simplicidade da tão laureada profissional, TODOS AQUELES TÍTULOS HONORÍFICOS sumiram repentinamente do seu magnífico currículo.
    Uma pena. Serviam até de exemplo a tosco sociólogo metido a economista, que por pouco, muito pouco mesmo não afundou esse país. E viva o petê; viva tio Lulla, Viva tia Dilma…

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