Procriação, por Dora Kramer | Fábio Campana

Procriação, por
Dora Kramer

De Dora Kramer, O Estado de S. Paulo:

Tomando emprestada uma frase escrita por Marcelo Tas outro dia no Twitter, constatemos a evidência: o problema não é o número de partidos existentes no Brasil, mas o fato de que nenhum deles é de verdade.

Não se prestam à representação de correntes de pensamento nem à defesa de causas ou à disseminação de ideais presentes na sociedade e, por isso, não se pode dizer que sejam fracos. Simplesmente inexistem e, no entanto, proliferam-se.

Há um mês o Tribunal Superior Eleitoral concedeu registro à 30ª agremiação partidária brasileira, o Partido Ecológico Nacional (PEN), cujo presidente é um ex-deputado estadual de São Paulo eleito com ínfimos votos pelo Prona.

Ele se apresenta sem uma única ideia na cabeça, mas com um plano muito objetivo nas mãos: filiar algo em torno de 30 deputados estaduais, a fim de ampliar seus domínios já fincados no Acre, na Paraíba – onde o PEN já filiou os presidentes das Assembleias Legislativas – e no Distrito Federal.

O referido dirigente, Adilson Barroso, rejeita “radicalismos”. Não explica que tipo de concepção enquadraria no conceito e diz que definirá “depois” se o partido é governista ou oposicionista. Por via das dúvidas, trata logo de elogiar a presidente Dilma Rousseff e o governador Geraldo Alckmin.

Por enquanto, encerra a fase de caça a políticos com mandato um tanto decepcionado por ter conseguido a adesão de apenas um (o tucano Fernando Francischini) dos 12 deputados federais “comprometidos” com ele.

Por compromisso entenda-se a chance de trocar de partido sem o risco da perda do mandato. Mas, lamenta o presidente, infelizmente ele não é “prefeito de uma grande cidade” e não conseguiu arregimentar correligionários da proporção de um Gilberto Kassab e seu PSD de cerca de 50 deputados.

Persistente, Barroso irá atrás de Marina Silva na esperança de que a ex-ministra do Meio Ambiente sirva de adereço verde à denominação ecológica da nova legenda. Um “sonhático”.

Nessa altura o leitor pode estar se perguntando por qual razão perde-se tempo aqui com o PEN.


2 comentários

  1. antonio carlos
    sábado, 21 de julho de 2012 – 22:15 hs

    A colunsta do Estadão só constata o óbvio. Só é preciso ser alfabetizado para chegar às conclusões que ela chega. Hoje temos quase tantos partidos politicos quanto religões. As tais reformas estruturais, tão faladas na campanha de 2010, hoje saíram de moda. Até quando vamos ver novos partidos surgirem pela vontade de uma pessoa , e agora até de igrejas? ACarlos

  2. jobalo
    sábado, 21 de julho de 2012 – 23:22 hs

    De chato e sem graça, em seu programa riddiculo, que chega a forçar a amizade, esse tal de tas agora virou analista de politica , só nos faltava essa ter que aguentar esses tipos , dando pitacos onde nem sabem o caminho,.

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