Campanha vai custar até R$ 55 por eleitor nas maiores cidades do PR | Fábio Campana

Campanha vai custar até R$ 55 por eleitor nas maiores cidades do PR

Fotos: Divulgação e Aniele Nascimento/Gazeta do Povo / Rosana Katia Nazzari, candidata à prefeitura de Cascavel, e Rodrigo Rocha Loures, candidato à prefeitura de São José dos Pinhais

Rosana Katia Nazzari, candidata à prefeitura de Cascavel, e Rodrigo Rocha Loures, candidato à prefeitura de São José dos Pinhais. Fotos: Divulgação e Aniele Nascimento/Gazeta do Povo.

Da Gazeta do Povo:

A campanha para prefeito nos dez maiores municípios do Paraná pode movimentar cerca de R$ 160 milhões em gastos, se levado em consideração os valores de despesas eleitorais estimados pelos próprios candidatos. Essa é a soma dos limites de gastos declarados pelas candidaturas no ato de registro das chapas. Em média, o voto de cada eleitor vai custar R$ 55 nessas cidades.

Preocupação

O cientista político Mário Sérgio Lepre, professor da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR) em Londrina, considera natural o aumento nos gastos de campanha em relação às últimas eleições. “Além da inflação, sempre existe aumento nos custos”, diz Lepre.

Ele diz, porém, que há uma preocupação que vai além dos gastos elevados: a prestação de contas dos candidatos depois do pleito. “Aquilo que é declarado geralmente não corresponde à realidade”, afirma Lepre. “O Brasil ainda não tem um bom modelo de controle. Se os gastos de campanha fossem claros e transparentes, poderíamos ter uma análise correta do que foi declarado e seria mais fácil para o eleitor escolher seu candidato”, diz ele. O cientista político acredita que não se deve condenar as campanhas caras. Mas quem as financia precisa aparecer.

Destinação

A maior parte dos gastos deve ser destinada aos programas do horário gratuito de propaganda eleitoral. Confecções de placas, santinhos e pagamento de técnicos que trabalham na campanha também são áreas que consomem muitos recursos. Cada comitê deve fixar um limite de gastos e informá-lo à Justiça Eleitoral no ato de registro das candidaturas. Gastar além do limite estabelecido pelo partido sujeitará o candidato a multa de cinco a dez vezes o valor excedente. O responsável pode responder ainda por abuso de poder econômico. Depois de registrado na Justiça Eleitoral, o limite de gastos dos candidatos só poderá ser alterado mediante solicitação justificada.

Concorrente de Cascavel pretende gastar apenas R$ 5 mil

Dos candidatos a prefeito nas dez maiores cidades do Paraná, quem declarou a menor previsão de custo de campanha foi Rosana Katia Nazzari (PCB). Candidata à prefeitura de Cascavel, no Oeste do estado, ela registrou um limite de gastos de apenas R$ 5 mil. O valor, segundo Rosana, é o suficiente para uma campanha que pretende mostrar uma nova forma de fazer política. “Dá para fazer campanha com pouco dinheiro. Quem coloca muitos recursos está fazendo um investimento e não campanha. Usa dinheiro agora para depois favorecer grupos econômicos que o ajudaram”, diz a candidata.

Cientista política com pós-doutorado e professora da Unoeste, Rosana diz que sua candidatura servirá para conscientizar a população sobre os abusos econômicos cometidos nas campanhas e na política tradicional. O valor estipulado seria uma maneira de marcar a diferença com a política usual. “Defendo o financiamento público. O financiamento privado de campanha é o ponto-chave para o crescimento da corrupção”, diz.

Ela garante que o dinheiro que usará virá de doações espontâneas de simpatizantes e que o baixo valor é viável porque a maior parte da produção da campanha virá de trabalho voluntário. Rosana também não fará folheto próprio, aproveitando o material de campanha dos candidatos a vereador do partido para aparecer ao lado deles. (DN)

Candidato de São José dos Pinhais é o mais rico

Entre os candidatos a prefeito nas dez maiores cidades do estado, quem declarou o maior patrimônio à Justiça Eleitoral foi o empresário Rodrigo Rocha Loures (PMDB). Candidato à prefeitura de São José dos Pinhais, na região metropolitana de Curitiba, o ex-presidente da Federação das Indústrias do Estado do Paraná (FIEP) e proprietário da empresa de alimentos Nutrimental declarou ter um patrimônio próximo a R$ 64 milhões.

Rocha Loures diz acreditar que o fato de ser considerado rico não influenciará o eleitor – nem de forma positiva, nem negativa. “Acho que isso não influencia na campanha. O que eu espero que gere impacto é a biografia, a história e a reputação do candidato. Os eleitores devem escolher, dentre os candidatos, aquele que merece sua confiança pela capacidade administrativa”, afirma.

Apesar do patrimônio que possui, o empresário não pretende custear inteiramente a campanha, que está estimada em R$ 1,5 milhão. Ele conta que pode até investir dinheiro próprio, mas terá outros doadores de campanha. O que mais o surpreendeu até agora, no início de período eleitoral, foi a quantidade de gastos que uma campanha exige. “É preciso investir em pesquisa, material de propaganda como santinhos, placas, jingle, gravação para o programa eleitoral de rádio. É bem complexo”, diz o empresário, que está em sua primeira disputa eleitoral. (DN)

Paranaguá, no litoral do estado, deve ser o município com a campanha mais cara em relação ao número de eleitores: até R$ 129 por pessoa. É o dobro, por exemplo, do teto de gasto no maior colégio eleitoral do estado, Curitiba, na qual o custo por votante é de R$ 60,60.

O custo da campanha da capital subiu em relação ao último pleito, em 2008. O valor estimado de gastos pelos candidatos à prefeitura de Curitiba naquele ano geraria um gasto de R$ 38 por eleitor. Corrigido pelo índice de inflação, esse valor ficaria em R$ 46 por eleitor.


Um comentário

  1. Pedro Rocha
    segunda-feira, 16 de julho de 2012 – 10:07 hs

    Enquanto o Brasil não LIMITAR OS GASTOS DE CAMPANHA DRASTICAMENTE, a roubalheira não vai acabar. Pelo contrário, só aumentará!
    Não concorda, ou finge que não vê, só quem tem interesse nesse bolo: os comparsas e sócios na ladroagem, e a grande mídia!

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