CPI poupa governadores e dono da Delta | Fábio Campana

CPI poupa governadores
e dono da Delta

Convocação de governadores e Cavendish não foi apreciada. Proposta que pedia a divulgação de dados da matriz da Delta foi retirada da pauta pelo relator após esforços de PT e PMDB.

De O Globo:

BRASÍLIA – Apesar de quebrar o sigilo telefônico, bancário e fiscal de 36 pessoas e empresas e convocar outras 51 testemunhas e acusados para depor, a CPI do Cachoeira não votou a convocação de governadores nem do ex-presidente da construtora Delta, Fernando Cavendish. Também ficou para ser apreciado na próxima reunião administrativa, em 5 de junho, requerimentos que tratam da quebra dos sigilos da empresa em nível nacional. Nesta quinta-feira, os parlamentares da comissão aprovaram apenas o pedido ao acesso de dados da Delta Centro-Oeste.

A oposição, ajudada por alguns deputados e senadores que apoiam o governo, se manifestou contra. Para eles, não há sentido de investigar apenas a empresa na região Centro-Oeste. Eles argumentaram que há interceptações telefônicas em que o nome de Carlos Pacheco, ex-diretor executivo da empreiteira, aparece com certa frequência. Mesmo assim, os argumentos não convenceram o relator Odair Cunha (PT-MG), que adiou a votação do requerimento.

– Vamos votar o sobrestamento (adiamento) da quebra do sigilo da matriz, dos governadores e do Cavendish. Proponho que esses temas sejam analisados em outro momento. Concordo que os contratos da Delta devem ser investigados. E que não deve ganhar contorno partidário. Devemos propor que as assembleias dos estados e as câmaras municipais criem CPIs específicas para analisar esses contratos – disse Cunha.

A CPI aprovou hoje apenas a quebra dos sigilos bancário, fiscal e telefônico, desde 1º de janeiro de 2002, de cinco subsidiárias da construtora Delta, no Centro-Oeste: Tocantins, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás e Distrito Federal. De responsáveis pela construtora, foi aprovada apenas a quebra de sigilo do ex-diretor para o Centro-Oeste, Cláudio Abreu.

Família de Cachoeira e membros mais próximos do grupo são chamados a depor

Nesta quinta-feira, 77 requerimentos de oitivas foram aprovados, para que falem à CPI as pessoas mais próximas a Cachoeira. Foram chamados para depor sua ex-mulher, Andréa Aprígio, e o ex-cunhado, Adriano Aprígio. Os requerimentos para ouvir o pai do contraventor, Sebastião de Almeida Ramos, e o irmão, Marcos Antonio de Almeida Ramos, também foram aprovados hoje. Além disso, o irmão do senador Demóstenes Torres (sem partido-GO), o procurador Benedito Torres, também foi chamado a falar para a CPI. A atual mulher de Cachoeira, Andressa Mendonça, no entanto, não foi convocada.

A CPI também se aproxima do governo do Distrito Federal: o chefe de gabinete do governador Agnelo Queiroz, Claudio Monteiro, é mais um dos que a Comissão quer ouvir.

Outros membros do grupo de Cachoeira foram chamados para depor. Os delegados da Polícia Federal, Fernando Byron e Deuselino Valadares dos Santos, também foram chamados.

A quebra do sigilo bancário, fiscal e telefônico de diversas empresas vinculadas ao esquema do contraventor também foi aprovada nesta sessão. Os parlamentares também vão requisitar informações ao Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) da movimentação suspeita de várias empresas e pessoas. No entanto, até agora a CPI não aprovou nenhum requerimento referente à construtora Delta ou ao seu ex-administrador, Fernando Cavendish. Também ficou de fora a convocação dos governadores.

A comissão autorizou na sessão de hoje a divulgação de dados bancários telefônicos e fiscais de Idalberto Matias de Araújo, o Dadá, ex-sargento da Aeronáutica preso pela operação Monte Carlo da Polícia Federal, sob acusação de ser informante e braço direito de Cachoeira. A CPI também quer ter acesso às informações de Geovani Pereira da Silva, suposto contador responsável pela movimentação de todo o dinheiro da organização chefiada por Cachoeira. Ainda foi aprovada quebra de sigilos bancário, fiscal e telefônico do sobrinho do Cachoeira, Leonardo Ramos.

CPI derruba requerimento para separar gravações de jornalista

A CPI desistiu nesta quinta-feira de colocar em votação um requerimento para que as gravações entre o jornalista Policarpo Jr., da revista “Veja”, e Cachoeira, e outras entre o jornalista e membros da organização criminosa fossem separadas de todo o processo. O requerimento foi apresentado pelo senador Fernando Collor de Mello (PTB-AL), com apoio do PT.

O clima ficou tenso, com diversos parlamentares criticando a iniciativa, argumentando que, no fundo, o que setores do PT e o próprio Collor queriam era uma revanche, além de perseguir a liberdade de imprensa. Depois de muita discussão, o relator, deputado Odair Cunha (PT-MG) declarou prejudicada a votação.

Logo no início dos trabalhos, o relator quis votar, em conjunto, vários requerimentos. Ele alegou que, para melhor encaminhamento, faria blocos. Num deles, incluiu a quebra de sigilos e requisição de servidores. A intenção de Cunha era ler apenas os números dos requerimentos, sem informar do que se tratava. Coube ao deputado Miro Teixeira (PDT-RJ) pedir para que ele lesse o assunto. Num dos documentos, Collor queria que fosse solicitadas gravações em que aparecem o jornalista da “Veja”.

Miro pediu que o requerimento fosse votado separadamente, para que não corresse o risco de ser aprovado. Collor foi o primeiro a defender seu pedido:

– Acredito que o deferimento do requerimento seja fundamental para que possamos detectar com clareza e profundidade até onde foi e vai essa coabitação criminosa entre este jornalista e o grupo criminoso – disse.

– Meu requerimento é no sentido de que pincemos os trechos para que fique comprovado que houve conluio, mancomunado entre Policarpo e Cachoeira – concluiu, deixando claro sua intenção.

Paulo Teixeira (PT-SP) foi outro que defendeu o destaque do documento apresentado por Collor.

– Este jornalista está sendo investigado nessa operação. Não há prejulgamento. Ele está sendo investigado. Se não estivesse, não teríamos ligações constantes – discursou.

Para Miro e outros parlamentares, o que está havendo é uma perseguição por questões políticas.

– Aprovamos um requerimento que genericamente pede a requisição do material bruto. Destacar uma pessoa ou outra é submetê-la a um regime diferenciado que pressupõe culpa.

Foto: André Coelho / O Globo


12 comentários

  1. marcelo
    quinta-feira, 17 de maio de 2012 – 17:15 hs

    Na realidade ninguém quer apurar nada, nem a situação, muito menos a oposição, todos estão disfarçando, só esperando o tempo passar. Afinal, nossos políticos acreditam que o tempo cura tudo, até a corrupção e a falta de vergonha na cara!

  2. fiscalde realeza
    quinta-feira, 17 de maio de 2012 – 18:28 hs

    TOMARA QUE NÂO POUPEM OS PREFEITOS E EX PREFEITOS
    PORQUE DAI VAMOS VER O BETO TALVEIS DEVOLVER UM POUCO DA LINHA VERDE QUE OS ORSAMENTOS JÁ ULTRAPASSOU MAIS DE 1000%
    APOS TER COMECADO AS OBRAS
    E A DELTA ESTA AI COM O BETO EM BAIXO DO BRAÇO

    ISSO É PIOR DOQUE MENSALÂO MUITAS VESES

  3. Carlos Spillere
    quinta-feira, 17 de maio de 2012 – 18:46 hs

    Não há interesse, de ambas as partes (situacão e oposicão) , em apurar, efetivamente, os fatos. Poupar governadores e donos da Delta, bem como limitar a investigacão da Delta apenas à região Centro Oeste, mostra mais uma vez, o carater protecionista de mais uma CPI. Queremos investigacão sem limites, doa a quem doer. Na verdade, a grande maioria dos políticos deve estar envolvida, direta ou indiretamente, no esquema do Sr. Cachoeira. Dai o medo as limitacões impostas.

  4. Parreiras Rodrigues
    quinta-feira, 17 de maio de 2012 – 21:20 hs

    Brasileiros e Brasileiras – podem ficar todos e todas tranquilos e tranquilas.

    Assim como nenhum ministro defenestrado por prática de ilicitudes, devolveu coisa alguma, ninguém dessa corja ai vai responder nada para ninguém e vai ficar tudo como está.

    E os que saem pelas ruas ostentando nariz de palhaço são os mesmos que, pesquisados, oferecem índices de aprovação prá tudo que ai está.

  5. Deutsch
    quinta-feira, 17 de maio de 2012 – 21:46 hs

    Que merda né? não tem o que comentar…

  6. antonio
    quinta-feira, 17 de maio de 2012 – 22:07 hs

    A massa da pizza está crescendo. Está certo o Parreira em seu comentário acima. Ninguém tem interesse em mexer nessa m…, pois se mexer mais fede e respinga em todos. Obras da Delta existiram e existem em todos os estados e cidades, inclusive em Curitiba. Com toda a propina que devem ter pago, os seus donos são os que menos ganham.

  7. quinta-feira, 17 de maio de 2012 – 23:54 hs

    Essa CPI foi só para atrasar o julgamento do MENSALÃO e como não deu certo, os mensaleiros pularam para trás

  8. M.A.S
    sexta-feira, 18 de maio de 2012 – 1:28 hs

    Sem essa de poupar alguém.
    CPI foi feita para investigar todos e não separar ninguém de ninguém.

  9. CAÇADOR DE PETISTAS
    sexta-feira, 18 de maio de 2012 – 6:53 hs

    PT.

  10. Eu li
    sexta-feira, 18 de maio de 2012 – 8:21 hs

    VAI SER A MAIOR PIZZA JÁ FEITA NESTE PLANETA…

  11. Patriota
    sexta-feira, 18 de maio de 2012 – 10:57 hs

    Olhar prá esse sujeito, cheio de pompa, arrogância, prepotência e outras coisas… fazendo parte de uma CPI, não sei se parece gozação ou desprezo para com a inteligência humana ou elle baixou de nível mesmo. De Presidente renunciado e expulsado a participar de uma investigação que deveria ser tão séria, sinto vergonha…

  12. Helena
    sexta-feira, 18 de maio de 2012 – 14:45 hs

    Não dá para ficar calada, diante da brilhante blidagem, há dias há fiz comentário sobre a “caroninha” que o Pirilo poderia pegar com o governador do Rio e de Brasília, cantei a pedra pessoal, aí está a carona, é da oposição é um só, enquanto que da situação são dois, então a situação ficou com um saldo bom, não é mesmo genteeeeeeeeeeeeeeee!!!!
    Ah, ia me esquecendo, se caso for perseguida ou condenada pelas minhas manifestações, no futuro eu peço uma indenização, quem sabe entraria um dinheiro extra, ums “vintinhos mil reais” já quebrava o meu galho.

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