Procuradoria vai investigar Agnelo por ligações com Cachoeira | Fábio Campana

Procuradoria vai investigar Agnelo por ligações com Cachoeira

O governador do Distrito Federal, Agnelo Queiroz (PT), será investigado pelo procurador-geral da República, Roberto Gurgel, por supostas relações ilegais com o grupo de Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira.

O procurador chegou a pedir que o STF (Supremo Tribunal Federal) enviasse as informações relativas a Agnelo diretamente ao STJ (Superior Tribunal de Justiça), órgão do Judiciário responsável por julgar governadores estaduais, que têm foro privilegiado.

O ministro Ricardo Lewandowski, relator do caso, no entanto, decidiu que esse procedimento deve ser feito pelo próprio Gurgel. Ele foi autorizado a tirar cópias de todas as informações presentes no Supremo.

Interceptações telefônicas feitas pela Polícia Federal durante a Operação Monte Carlo indicam cobrança de propina no governo do DF em relação a contratos de lixo da empreiteira Delta. Integrantes da cúpula da administração são citados.

Até o momento, no entanto, Queiroz não é formalmente investigado. Isso só acontecerá quando o procurador-geral retirar as cópias do Supremo e enviar o caso ao STJ, requisitando oficialmente a abertura de inquérito.

Agnelo deve também ser alvo da CPI da Arapongagem, criada nesta terça-feira pela Câmara Legislativa do Distrito Federal.

Ela investigará a violação do sigilo e a utilização indevida de dados pessoais de autoridade, servidores e jornalistas a partir de 2006 Ð e que vieram à tona junto às suspeitas sobre Cachoeira.

DEPUTADOS

Também nesta terça-feira, Lewandowski autorizou o desmembramento das investigações da Monte Carlo, determinando a abertura de inquéritos no STF para investigar três deputados citados nos autos: Carlos Leréia (PSDB-GO), Sandes Júnior (PP-GO) e Stepan Nercessian (PPS-RJ).

De acordo com Gurgel, eles não devem ser investigados conjuntamente, pois os indícios contra os parlamentares não estão relacionados entre si, apenas com o empresário Cachoeira.

Além disso, Lewandowski negou um pedido do procurador-geral para que fosse incluído o irmão de Demóstenes Torres, Benedito Torres, procurador-geral de Justiça de Goiás, como um segundo investigado no inquérito do Supremo sobre o senador.

O nome de Benedito apareceu em conversas de Demóstenes com Cachoeira, mas ele próprio não foi grampeado.

As provas da Monte Carlo –cuja validade será questionada pela defesa de Cachoeira, como a Folha revelou– foram defendidas por Gurgel.

“A PF não analisou as falas de pessoas com prerrogativa de foro e não fazia qualquer tipo de investigação a respeito dessas pessoas”, disse ele, segundo quem os políticos flagrados em conversas com Cachoeira eram “interlocutores frequentes”, mas não alvos da polícia.


9 comentários

  1. Ernesto
    terça-feira, 24 de abril de 2012 – 22:18 hs

    Se isso for verdade, quem tem que ser investigado é o procurador geral da república pela sua conduta omissa e conivente com as práticas criminosas ora denunciadas.

    Do Perillo que recebeu até propina ele não vai investigar?

    Foi no Palácio das Esmeraldas que o governador de Goiás Marconi Perillo (PDSB) recebeu de Carlinhos Cachoeira um pacote de dinheiro no valor de R$ 500 mil. Isto foi parte do pagamento de “negócios” entre o governador e o bicheiro. O contato era feito por Wladimir Garcês, preso na operação Monte Carlo e, apontado como braço direito do contraventor. Cachoeira monitorou a entrega do dinheiro pelo telefone e chegou a brincar com Garcês pedindo pra que tomasse cuidado para não se envolver em acidentes que pudessem incendiar e queimar as notas.

    O governador de Goiás Marconi Perillo aguardava no Palácio ansioso. Tudo isso e muito mais está dentro do processo da Operação Monte Carlo.

    O que é curioso é que o procurador geral da República Roberto Gurgel em nenhum momento pensa em denunciar Perillo. Mas comentou com um dos procuradores do caso que está cada vez mais difícil deixar Perillo fora disso por conta do episódio envolvendo propina.

    O inquérito que era extremamente sigiloso, hoje circula livremente nas mãos da imprensa e de políticos com interesse em pinçar adversários envolvidos no escândalo.

  2. Gilmar Trento
    terça-feira, 24 de abril de 2012 – 22:27 hs

    Acho ótimo , mas tem que ivestigar o gov Pirillo, o Senador Aercio Neves, o Serra já que o Demostines Torres foi tesoureiro da sua campanha, até o Beto Richa. Vai firme prucuradoria.

  3. Mauro
    quarta-feira, 25 de abril de 2012 – 0:56 hs

    E vai também investigar Perillo por suas ligações perigosas com o bandido Cachoeira! Agnello e Perillo, RUA!

  4. Dr. Primogênito
    quarta-feira, 25 de abril de 2012 – 9:01 hs

    Esse Agnelo é outro que todo dia tem denúncia nova. O MP definitivamente não está interessado em tirá-lo do cargo. É o fim da picada.

  5. Ernetso
    quarta-feira, 25 de abril de 2012 – 12:11 hs

    Gurgel esqueceu Perillo ou gosta de declarar sua ma vontade tao abertamente porque tem impunidade garantida?

  6. PAULO
    quarta-feira, 25 de abril de 2012 – 12:57 hs

    E O PERILLO?
    E O BETO RICHA?
    E O AÉCIO NEVES?

  7. Silvajr
    quarta-feira, 25 de abril de 2012 – 16:18 hs

    Por que será que ele esqueceu de investigar o Demóstenes? Esse clone do Jô Soares ficou sabendo em 2009 das falcatruas do deputado? Esse procurador tá de sacanagem …

  8. Silvajr
    quarta-feira, 25 de abril de 2012 – 16:20 hs

    Esperem um pouco mais e saberemos se ele também ganhou uma cozinha americana do Cachoeira.

  9. luiz
    quarta-feira, 25 de abril de 2012 – 17:20 hs

    Petezada é assim mesmo: mesmo quando um dos seus é flagrado metendo a mão na cumbuca, eles tentam arrastar os outros para a fossa, independente de provas ou de evidências de culpa do outro. Tipico de gente que só é a favor da ética e da limpeza na política brasileira desde que não atinja ninguém do seu próprio partido.

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