Cônsul do Brasil diz que brasiguaios se sentem ameaçados por sem-terra | Fábio Campana

Cônsul do Brasil diz que brasiguaios se sentem ameaçados por sem-terra

A presença dos sem-terra paraguaios (foto), conhecidos como carperos, nas propriedades de agricultores brasileiros no país vizinho pode colocar em risco o calendário agrícola da região do Alto Paraná. Segundo o cônsul-geral do Brasil em Ciudad del Este, embaixador Flavio Roberto Bonzanini, os brasiguaios, como são conhecidos os produtores brasileiros que vivem no Paraguai, estão com medo de colocar as máquinas para funcionar.

“Nas próximas semanas tem a colheita da soja, depois o plantio do milho. Eles se sentem temerosos até mesmo de mover a maquinaria nas propriedades por medo de atentados contra equipamentos, que são valiosos, e eles próprios se sentem acuados”, disse Bonzanini.

Ele conta que a reintegração de posse, determinada pela Justiça do Paraguai, não está sendo cumprida na região, que fica na fronteira com o Brasil. “A promessa [das autoridades paraguaias] é que seria cumprida em breve a ordem de reintegração de posse. Mas temos observado uma defasagem muito grande entre a promessa e o efetivo cumprimento dessa ordem judicial”, relata. A alternativa, segundo ele, seria processar as autoridades do país vizinho, que teriam a obrigação de fazer cumprir a ordem judicial. “Mas aí já é uma questão política”, observa.

Segundo o embaixador, o clima na região é considerado “explosivo”. “A questão não é apenas cumprir a ordem de reintegração de posse, mas é que a multidão continua fazendo pressão e ameaçando brasileiros e descendentes, que são proprietários das terras há décadas”. Ele diz que os brasileiros garantem que vão resistir e que não irão entregar suas terras “de mão beijada”.
O consulado brasileiro em Ciudad del Este está acompanhando de perto a situação dos brasiguaios. Na semana passada, houve uma reunião que resultou em um memorando relatando o panorama da região, entregue à Embaixada do Brasil em Assunção, capital paraguaia, e ao Ministério das Relações Exteriores, em Brasília.

A estimativa é que cerca de 350 mil brasileiros, a maioria agricultores, vivam em território paraguaio. Recentemente, o governo paraguaio mudou as regras sobre a faixa de fronteira, o que aumentou a pressão dos sem-terra paraguaios para que os brasileiros abandonem suas terras, alegando que elas foram ocupadas irregularmente.


5 comentários

  1. antonio carlos
    segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012 – 18:52 hs

    É isto aí carperos, mandem embora todos estes dublês de brasileiros e de paraguaios, que são iguaizinhos a muito ucraniano que eu conheço, nasceu no Brasil mas é ucraniano, como não sei, mas é. Aí o Paraguai vai voltar a fazer o que sabe melhor, vender bagulho em Ciudad de Leste. ACarlos

  2. Mirian Waleska
    terça-feira, 7 de fevereiro de 2012 – 1:21 hs

    Quero ver qual a posição da presidente Dilma nessa questão,correndo uma apostinha. Quem quer apostar que ela vai se omitir e daqui a algumas semanas vai pro Paraguai doar alguns milhões como fez essa semana em Cuba. E os Brasiguaios que se danem, essa vai ser a posição dela.

  3. Cajucy Cajuman
    terça-feira, 7 de fevereiro de 2012 – 1:32 hs

    O bispo arteiro que tem no Brasil um amigo – e que amigo! – mas, cuja recíproca não é verdadeira, está fazendo ouvidos moucos em se tratando dos direitos dos brasileiros na fronteira.

    Brasileiros que estão lá há décadas, inclusive com a papelada em dia, estão sendo enxotados como se fossem usurpadores.

    É preciso que a diplomacia brasileira entre de sola no caso, deixando os rapapés de lado e falar em nome do Estado brasileiro, dos tratados internacionais e dos direitos legais da nossa gente em solo paraguaio.

    Afinal, se os mandatários de lá e de cá são irmãos na mesma cantilena populista em que o trabalhador, o agricultor e os menos favorecidos são a massa de manobra para esticar o poder e os tentáculos, porque a nossa irmandade do lado de lá está esquecida – ou quase?

    Onde estão os tais movimentos dos trabalhadores que não estão na fronteira do dever para ajudar nesse momento crucial? Os tais movimentos é só para fazer agitação internamente?

    Não precisa atravessar a fronteira. Vale ficar do lado de cá e levantar o pau da bandeira e gritar: respeitem a nossa gente/é povo decente/e vive como agente!

    Ta bom assim? Podemos melhorar, se necessário.

  4. Parreiras Rodrigues
    terça-feira, 7 de fevereiro de 2012 – 12:18 hs

    O jornalista Luiz Carlos Rizzo, de Maringá, em matéria intitulada MEIO AMBIENTE – SOB O SIGNO DA DEVASSTAÇÃO – 2 de agosto de 1987 – p. 33 de O Estado do Paraná, escreveu/profetizou:…milhares de famílias se juntarão às 500 mil que já deixaram o Noroeste nos últimos 15 anos por causa do empobrecimento do solo. Mudaram-se para novas fronteiras agrícolas, incharam grandes cidades ou APORTARAM NO PERIGOSO PARAGUAI.

  5. lis
    terça-feira, 7 de fevereiro de 2012 – 12:52 hs

    ola,fabio

    li recentemente seu livro Guardador de Fantasmas,e percebi que esta historia se parece com aquela parte do seu livro q fala da alteraçaõ do mapa feito por grandes latifundiarios.
    Esta historia me cheira coisa feita.

Deixe seu comentário:

Campos obrigatórios estão marcados com *

*

*