Tudo como dantes | Fábio Campana

Tudo como dantes

Dora Kramer, para O Estado de S.Paulo

Nada até agora transpirou sobre a reforma do ministério esperada para janeiro. Por um motivo básico: não haverá reforma alguma na equipe da presidente Dilma Rousseff. Em entrevista no fim do ano, perguntada sobre o tema, ela disse que haveria surpresa.

Pois recolham os cavalos da chuva os que interpretaram a fala como sinal de mudanças substanciais à vista. A surpresa deve ser justamente a ausência delas.

Não haverá redução de pastas – até fusões de ministérios podem ser revistas -, não serão reformulados os critérios para o preenchimento de cargos, os partidos aliados não perderão nem ganharão espaços e gente que estava cotada para sair já começa a ser considerada para ficar.

Por exemplo, a ministra da Cultura, Ana de Hollanda. Auxiliares de Dilma não têm percebido a “presidenta particularmente interessada em tirá-la do ministério”.

Outro exemplo, o ministro das Cidades, Mário Negromonte. Envolvido em denúncias de alteração de pareceres técnicos em obras para a Copa do Mundo e acusado por gente do próprio partido (PP) de patrocinar um “mensalinho” na bancada em troca de apoio político, já é visto como sobrevivente. “Passou o vendaval”, argumenta-se.

A reforma, então, estaria resumida a três nomeações e uma complicação. Seriam substituídos os dois ministros candidatos a eleições municipais – Fernando Haddad, da Educação, e Iriny Lopes, da Secretaria de Política para Mulheres – e Paulo Roberto Pinto que ocupa a pasta do Trabalho desde a saída de Carlos Lupi.

A complicação está na substituição de Haddad, razão pela qual a presidente pediu que ficasse mais um pouco no cargo. Pelo seguinte: como o substituto é Aloizio Mercadante, falta resolver quem ficará no lugar dele no Ministério da Ciência e Tecnologia.

O lugar é reivindicado pelo PSB (ocupante da pasta durante os dois governos Lula) e pelo PT, que não pretende abrir mão. A ideia é entregar o ministério para o deputado Newton Lima, a fim de abrir vaga para o suplente José Genoino, ou para Marta Suplicy, com o objetivo de incentivá-la a se empenhar na campanha de Haddad a prefeito de São Paulo.

Nesse momento em que o ministro da Integração Nacional, Fernando Bezerra, do PSB, está na berlinda, é tão complicado premiar o partido quanto ignorar um pleito do governador de Pernambuco, Eduardo Campos, promessa eleitoral cortejada por partidos e governo e de oposição.

Daí a demora no anúncio.

A reforma tal como era esperada virou pó. Argumenta-se no Planalto que imprensa e partidos superestimaram a amplitude das mudanças. Ocorre que nem imprensa nem partidos trabalham no vazio. O governo durante algum tempo alimentou a versão da remodelação do governo à feição de Dilma Rousseff.

As circunstâncias é que mudaram. A principal, a troca de sete ministros nos últimos sete meses de 2011, impossibilitando substituições em tão pouco tempo. Alterou-se também a visão de que seria possível mudar o conceito da coalizão, reduzindo o número de ministérios e profissionalizando as regras de funcionamento.

Por duas razões. Uma evidente, a avaliação de que um governo político não poderia se arriscar a comprar uma briga desse tamanho com os políticos.

Outra subjacente: diz respeito ao compromisso de Dilma com Lula. Mudar muito equivaleria a dizer que durante oito anos ele fez tudo errado. E por mais diferente que seja seu estilo em relação ao antecessor, Dilma seria a última a renegar a herança de Lula, o dono do projeto político que a fez presidente.

Itararé. De onde menos se espera é que não sai nada mesmo, reza o dito que se aplica ao depoimento do ministro Fernando Bezerra, hoje, à comissão especial do Congresso. Na prática, mera simulação.

São três ou quatro oposicionistas contra 20 parlamentares governistas orientados a proteger o ministro com muitos elogios e ataques aos críticos de sua atuação de privilégios a parentes e concentração de verbas no Estado (PE) de origem.

Com a colaboração do PSDB, cuja orientação é pegar leve com o afilhado de Eduardo Campos.


7 comentários

  1. jaferrer
    quinta-feira, 12 de janeiro de 2012 – 18:57 hs

    Ou seja, continuaremos com um ministério nivelado por baixo. Nada de novo nas hordas petistas.

  2. João Hansen
    quinta-feira, 12 de janeiro de 2012 – 23:25 hs

    Caro Fábio,
    O governo da Presidente DILMA, vem confirmando o que ” já se sabia”. É um governo sucedaneo, frágil, débil, com apenas uma grande diferença, no governo anterior o mundo se desenvolvia a taxas economicas elevadas o que permitia gerar superávit de poupança nos países ricos que investiam no BRASIL apenas pela elevada taxa de juros. Agora o panorama é outro, e o processo esgotou-se em função da crise de estado dos países socialistas europeus que não tiveram capacidade de atualizar-se e sair do anacronismo socialista. Teremos um ano para avaliar, e as eleições de outubro orientarão os próximos passos. Atenciosamente.

  3. SAMURAI
    sexta-feira, 13 de janeiro de 2012 – 4:49 hs

    A Presidenta está corretíssima. Substituir bandido por outro ficaria
    tudo igual mesmo…Pra quê gastar energia e fosfato !!!

  4. VLemainski -Cascavel-PR
    sexta-feira, 13 de janeiro de 2012 – 9:18 hs

    O governo Dilma está fumando, queimando óleo… Só acontece na mídia…
    Saúde com mais de 70% de rejeição…Pode?

  5. sergio silvestre
    sexta-feira, 13 de janeiro de 2012 – 9:49 hs

    Gozado,leio os artigos da dora kramer,me da a impressão que
    leio todos os dias a mesma coisa.
    Não inova em nada,sau vocabulario e seus pensamentos.
    Troca de ministros e a gangorra financeira,estamos saturados de saber que com o brasil está tudo bem,só que ela ainda não sabe disso.
    O que será que se passa na cabeça dos mais velhos,ainda perdidos no tempo,que não conseguem acreditar no brasil.
    Gente,torço pelo santos,mas me rendo para futebol melhor dos
    outros times!

  6. HENRY
    sexta-feira, 13 de janeiro de 2012 – 10:45 hs

    ELA, A presidente QUE VOCES ELEGERAM, ESTÁ AGUARDANDO AUTORIZAÇÃO DO ex O “lula 51”.

  7. sexta-feira, 13 de janeiro de 2012 – 13:43 hs

    Ela é despreparada e sem pulso firme, e o país só perde com isso.
    Essa irritação repetina que ela tem a cada escândalo é pura balela par inglês ver.

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