Sobre ministérios, política, politicagens e veneno | Fábio Campana

Sobre ministérios, política, politicagens e veneno

Do Josias de Souza

Com o passar do tempo, Brasília perde a sutileza. O sujeito pode não entender nada de política. Mas enxerga facilmente a politicagem. Ouça-se, por exemplo, o que disse o senador Valdir Raupp (RO).

“O PMDB está claramente subdimensionado [no ministério], mas não é por isso que vamos pressionar a presidente Dilma”, declarou Raupp, que responde interinamente pela presidência do partido.

Abre parêntese: sob Dilma, o PMDB perdeu duas usinas de verbas e votos –Integração Nacional e Comunicações. Em troca, ganhou um abacaxi (Previdência) e um prêmio de consolação (Turismo).

Graças ao sincericídio de Nelson Jobim, perdeu também a Defesa. Deu de ombros. Não se faz política em quartel. Muda daqui, modifica dali o partido controla, hoje, cinco pastas. Muito menos que os 17 ministérios do PT. Fecha parêntese.

Lendo-se Raupp nas entrelinhas, o que ele disse foi o seguinte: o PMDB acha que já engoliu suficientes desaforos. Se Dilma bulir com o partido na reforma ministerial, receberá o troco.

Raupp negou que o PMDB tenha feito pressões subterrâneas para apear do cargo o ministro Fernando Bezerra (PSB), que balança no ministério da Integração Nacional.

“Ele já ia sair em alguns dias, na reforma ministerial, porque vai ser candidato”, disse o senador pemedebê. Veneno puro. Bezerra, de fato, transferiu seu título eleitoral de Petrolina para Recife.

O ministro agiu em combinação com seu padrinho. Se necessário, o governador pernambucano Eduardo Campos (PSB) faria de Bezerra seu candidato à prefeitura de Recife.

As circunstâncias fizeram Eduardo mudar de ideia. A hipótese de Bezerra trocar a Esplanada pelo palanque é mínima. Raupp sabe disso. Mas se vale de um estratagema retórico para atingir seus subterfúgios.

É como se dissesse: veja bem, o PMDB não conspira contra Bezerra. Mas se Dilma tiver de trocá-lo, o partido se dispõe a reassumir o sacrifício de administrar as gordas arcas da Integração Nacional.

Acha que as denúncias contra Bezerra intoxicam a imagem da gestão de Dilma? “Essa é uma questão que compete à presidente da República”, respondeu Raupp, em timbre viperino.

Agora, responda rápido: como os presidentes que a antecederam, Dilma entrega mnistérios aos partidos por generosidade, governabilidade ou passividade?


2 comentários

  1. CAÇADOR DE PETISTAS
    quinta-feira, 12 de janeiro de 2012 – 19:43 hs

    DILMÃO, não aguenta os estardalaçõs deixados por Lula e cai até o final deste ano. É o fim da dinastia Petista..

  2. Pedrão
    sexta-feira, 13 de janeiro de 2012 – 11:01 hs

    Acorda povo brasileiro, veja o que a petezada e seus aliados estão fazendo com o nosso Brasil.

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