Elio Gaspari diz que fobia à China prejudica o Brasil | Fábio Campana

Elio Gaspari diz que fobia à China prejudica o Brasil

Negociantes nacionais trocam o chão de suas fábricas pelos tapetes de Brasília. Reivindicam proteção contra a China. Elio Gaspari analisa o fenômeno com olhos de consumidor em sua coluna deste domingo. Com olhos de consumidor.

“A sinofobia prejudica o Brasil”, eis o título. O texto vai ao ponto: “Industrial que troca eficiência por trânsito político para cavar barreiras tarifárias faz bons negócios para si”, não para a clientela. É a análise de Gaspari. A íntegra da coluna está disponível no endereço eletrônico do diário gaúcho ‘Correio do Povo’, aberto a não-assinantes.

Alguns empresários e bolsões do governo brasileiro estão namorando uma irracional sinofobia. Se um produto ou serviço vem da China, cuidado com ele, pode destruir a economia nacional.

No lance mais recente, setores do governo mostram-se preocupados com a expansão dos chineses no setor de distribuição de energia. Eles são sócios de três grandes concessionárias, donos de 6 mil quilômetros de linhas e acabaram de comprar, por US$ 3,5 bilhões, um pedaço da estatal portuguesa EDP, que opera em oito estados brasileiros.

A Eletrobras tentou ficar com o negócio, mas não teve bala.

Quem vendeu o patrimônio elétrico da Viúva foi o governo brasileiro. Se a Eletrobras não teve bala para competir, bala não teve.

Os chineses não compram distribuidoras de energia para fazer um ‘gato’, ligando as turbinas de Itaipu a Pequim. Como todos os outros, querem fornecer equipamentos, e os seus são mais baratos.

Quando se vendem empresas para europeus e americanos, é o jogo jogado. Quando é o chinês quem compra, há algo de estranho nisso. Esse raciocínio embute um preconceito.

Em agosto passado, o governo anunciou uma barreira para dificultar a importação de uniformes militares fabricados na China. Uma voz do Comando da Amazônia disse que o ‘Made in China’ das etiquetas dos fardamentos causava ‘desconforto psicológico’. Se fossem ‘Made in USA’, causariam conforto? (O maior fornecedor das fardas era uma empresa brasileira com uma ramificação em Xangai.)

A China é o maior parceiro comercial do Brasil, e em 2011 Pindorama vendeu para Pequim US$ 5 bilhões a mais do que comprou. Com os Estados Unidos ocorre o contrário, um déficit de US$ 7,9 bilhões.

A pressão protecionista do empresariado brasileiro vai em cima de produtos chineses tornados acessíveis para a patuleia: roupas, calçados, brinquedos e eletrodomésticos.

Se a indústria brasileira quer proteção, precisa oferecer desempenho e metas. Quanto tempo será necessário para fabricar camisetas mais competitivas? O ramo dos brinquedos pode sobreviver sem barreiras?

Industrial que troca eficiência por trânsito político para cavar barreiras tarifárias faz bons negócios para si. A Federação das Indústrias de Minas Gerais, por exemplo, contratou Fernando Pimentel para um consultoria de nove meses por R$ 1 milhão. O Império do Meio trabalha com outra agenda.

Há poucos meses, o Ministério do Desenvolvimento, ocupado por Pimentel, comprou 400 aparelhos de ar-refrigerado e pôs dois deles no gabinete do doutor. Todos chineses, sem consultorias.”


5 comentários

  1. Zangado
    domingo, 8 de janeiro de 2012 – 20:34 hs

    Mas o guru honoris causa Lulla não foi à China e reconheceu-a como “economia de mercado” ?

    Sinofobia de que ?

    A China tem que ter um jogo diferente na economia mundial caso contrário não se sustenta, é um monstrengo em território, população e problemas sociais e tem poder de veto na ONU.

    Eles fazem o jogo deles, aceita quem quer ou quem não sabe jogar como “soi-disant” 6ª economia mundial – simples assim.

  2. tony
    domingo, 8 de janeiro de 2012 – 21:17 hs

    Não conheçi até hoje nenhum empresário que não reclamasse da carga tributária. Mas 100% deles sonegam impostos. Eu não sonego nenhum centavo, não porque não queira, é porque não posso, sou empregado da Dilma. Reclamam da concorrência desleal, exigem barreiras tarifárias, e nos oferecem o que em troca? Bons salários e divisão de lucros é que não é. O brasileiro é criativo, dêem incentivo ao seu empregado e vão ver do que ele é capaz de conseguir, bem mais do que muito chinês. Mas não se esqueçam de remunerá-lo bem, porque saco vazio não pára em pé. ACarlos

  3. tony
    domingo, 8 de janeiro de 2012 – 21:18 hs

    Não conheci até hoje nenhum empresário que não reclamasse da carga tributária. Mas 100% deles sonegam impostos. Eu não sonego nenhum centavo, não porque não queira, é porque não posso, sou empregado da Dilma. Reclamam da concorrência desleal, exigem barreiras tarifárias, e nos oferecem o que em troca? Bons salários e divisão de lucros é que não é. O brasileiro é criativo, dêem incentivo ao seu empregado e vão ver do que ele é capaz de conseguir, bem mais do que muito chinês. Mas não se esqueçam de remunerá-lo bem, porque saco vazio não pára em pé. ACarlos

  4. OLHAR CLINICO
    domingo, 8 de janeiro de 2012 – 21:18 hs

    Gostei do artigo. Tem que raciocinar e dizer a verdade. Vamos sustentar as benesses quietos, iludidos, pagando mais caro, enquanto fazem a festa com a riqueza do país, canalizada para poucos ????

  5. segunda-feira, 9 de janeiro de 2012 – 11:08 hs

    A china ainda é uma incógnita, e seus objetivos não são claros.
    Como já disse Napoleão: “Não acordem o gigante chinês. Quem o fizer se arrependerá pelo resto dos seus dias!”
    Dois séculos depois acordaram o bicho, agora aguenta!

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