Demarcação de terras eleva tensão com "brasiguaios" | Fábio Campana

Demarcação de terras eleva tensão com “brasiguaios”

Fabio Murakawa, do Valor Econômico

A iniciativa do presidente do Paraguai, Fernando Lugo, de promover uma demarcação de terras no Departamento (Estado) de Alto Paraná acirrou um conflito entre sem-terra locais e sojicultores “brasiguaios” perto da fronteira com o Brasil. Ambas as partes falam que o problema pode resultar em “derramamento de sangue”.

Há cerca de dez dias, o governo enviou ao local soldados do Instituto Geográfico Militar para verificar se parte das terras hoje ocupadas por produtores brasileiros, conhecidos como “brasiguaios”, pertenceria ao Estado. Cientes da presença dos militares, sem-terra acampados há mais de um ano na região passaram a acompanhar as demarcações, o que provocou confrontos e deu início, segundo os “brasiguaios”, a uma onda de invasões de terra. Os brasileiros dizem ainda que as demarcações vêm sendo feitas sem ordem judicial.

Liderados por Victoriano López, presidente da Associação de Carperos do Alto Paraná, os sem-terra reivindicam a expropriação de 160 mil hectares de terra ocupadas por estrangeiros a menos de 50 km da fronteira. Eles são chamados de “carperos” por se instalarem em barracas de plástico (“carpas”).

Em declarações à mídia local nesta semana, Lopez pediu a expulsão dos brasileiros e advertiu para o risco de violência. “Quando não tivermos outro caminho, senão ocupar as terras e expulsar os brasileiros, haverá derramamento de sangue”, afirmou.

Procurado pelo Valor, López disse representar 14 mil camponeses que se sentem “estrangeiros dentro do nosso próprio país”. “Há na região muitos brasileiros e não há paraguaios”, disse. “Os brasileiros nunca foram molestados aqui, mas exigimos que respeitem a propriedade do Estado paraguaio.”

Na entrevista, o líder camponês disse que muitos dos “brasiguaios” são vítimas de supostas atividades de grilagem de Tranquilo Favero, brasileiro que está há mais de quatro décadas no Paraguai e é tido como o maior produtor individual de soja do país. “Ele chegou [ao país], ocupou e vendeu terras públicas”, afirmou.

López afirmou ainda que as agressões na região partem dos brasileiros e disse que o sangue derramado a que se referiu nas entrevistas será o dos sem-terra. “Nós não vamos sair daqui, não vamos desistir de tomar essas terras, e a polícia nos atacará.”

Tranquilo Favero, por sua vez, disse ao Valor ter uma propriedade de 30 mil hectares na região que já foi alvo de quatro medições judiciais desde 2008, a última delas há quatro meses. “Nessas quatro medições, não encontraram nada de errado”, afirmou.

Favero criticou López, a quem classificou como “delinquente”, e o presidente paraguaio, que “está incentivando as invasões”.

Ele confirmou ter vendido terras para brasileiros na região, mas disse que todas as propriedades estão devidamente documentadas. “Não vamos entregar [as propriedades] porque somos nós quem produzimos.”.

Segundo ele, os “brasiguaios” são responsáveis por cerca de 80% produção de soja do Paraguai, em torno de 8 milhões de toneladas.

Para Ovídio Zanquet, gerente da cooperativa de agricultores brasileiros Lar Paraguai, a demarcação de terra pode resultar em violência, caso se desapropriem fazendas dos “brasiguaios”. “Se depender de entregar terras, vai ter problema mesmo”, disse. “Ninguém vai querer entregar a propriedade na qual trabalhou por 20, 30 anos para aproveitadores, que não fazem nada.”

A tensão na fronteira preocupa o governo brasileiro e foi tema de conversa entre o embaixador em Assunção, Eduardo dos Santos, e o presidente Lugo, dizem fontes do Itamaraty. Anteontem, em reunião com Lugo para tratar de investimentos, Santos “manifestou o desejo de que a situação se pacifique” na região e se resolva “pela forma do diálogo” e que a demarcação cumpra “todos os ritos judiciais”.


7 comentários

  1. lalanja
    quinta-feira, 26 de janeiro de 2012 – 10:36 hs

    dizem na prefeitura quem responde a maioria dos ataques e agradecimentos e o novo chefe de gabinete rogerinho ex assessor do vereador roberto fu.

  2. jsilva
    quinta-feira, 26 de janeiro de 2012 – 10:51 hs

    Ja doamos 1 bilhao de reais para a linha de 500KV de Itaipu para Assuncao , doamos 700 milhoes de reais por ano ao Paraguai e agora querem ferrar os produtores brasiguaios que sao responsaveis por 80% da soja do Paraguai !!!
    É aquela estoria ..quem cede um dedo..perde uma braço..depois….
    O Paraguai ja esta quase fechando um contrato com a maior mineradora do mundo..a Rio Tinto..onde utilizara a energia de Itaipu …Brasil…temine logo Belo Monte se nao vai faltar energia aqui !!!!

  3. Luiz
    quinta-feira, 26 de janeiro de 2012 – 11:02 hs

    Não consigo ver, até hoje, argumentos para defender incondicionalmente os “brasiguaios”.

    Não existe país desenvolvido que não tenha passado por alguma fase de reforma agrágia. A concentração de terras no Brasil é absurda: menos de 1% da população detém 48% das terras, algo sem precedentes no mundo, sendo que 70% de nossos alimentos provêm da agricultura familiar. Latifúndio é dedicado a desmatamento e ao plantio de milho, soja e criação de gado para exportação, não para consumo interno.

    Os “brasiguaios” somente decidiram ir ao Paraguai para comprar grandes propriedades de terra a um décimo (quiçá) do preço brasileiro, esquivando-se do pagamento de nossos tributos e, pior, de direitos trabalhistas a seus empregados. As denúncias de trabalho escravo à população campesina e indígena em fazendas “brasiguaias” não terminam, mas a punição aos proprietários é INEXISTENTE.

    Agora, quando o Pres. Lugo procura medidas para desconcentrar as terras e fiscalizar o uso de solo PARAGUAIO por brasileiros que enriquecem às custas do povo PARAGUAIO, ele é alvo de críticas da grande imprensa brasileira…

    Não é questão de defesa Brasil x Paraguai, mas sim de defesa da SOBERANIA de um país vizinho, que, não esqueçam, já foi destroçado uma vez por nós em uma guerra injusta e violenta…Vizinho este que, mesmo em situação de subdesenvolvimento abusrdo, ainda é um parceiro econômico do BR e da América do Sul.

    Pensemos: se fosse o contrário, teríamos a mesma passividade histórica que o Paraguai teve com os “brasiguaios”?

  4. antonio francisco da silva
    quinta-feira, 26 de janeiro de 2012 – 11:08 hs

    Quem compra mal compra duas vezes.Essas terras foram adquiridas do governo ditatorial do paraguaia,que “vendeu” a preço de banana as terras do pais para grupos estrangeiros,em detrimento do povo.Nenhum governo que recorre às urnas para chegar ao poder se sustenta sem apoio da maioria e essa maioria tem seus interesses nos governos que elegem.Portanto,está certo o governo do pais vizinho

  5. Cajucy
    quinta-feira, 26 de janeiro de 2012 – 13:09 hs

    E o que está fazendo a diplomacia brasileira para interferir e salvar os interesses dos brasileiros que investiram há anos na região?

    E mais:: Lula não é ‘assim’ com o mandatário paraguaio? Será que já interferiu pedindo respeito e cidadania aos brasileiros que lá vivem, ou isso é coisa do passado, quando estava no poder…

    Será que o bispo Lugo está chutando o pau da barraca e quer ver o circo pegar fogo? E os petistas dizem o quê?

    E ainda: e os tais movimentos sem terra não vão agir em defesa dos compatriotas?

    Estranho né? Esses movimentos só entram em ação quando instigados pelo partido quando lhes interessa…

  6. bimbo
    quinta-feira, 26 de janeiro de 2012 – 16:26 hs

    Foram cuidar daquele índio f.d.p. devinam ter deixado morrer de câncer,mas… tua hora tá chegando lula.

  7. anderson
    segunda-feira, 30 de janeiro de 2012 – 21:29 hs

    sabe nam compactuo com agressores se eles qerem mais oq ja demos uma generosa contia em itaipu agorra q erm tomar terras tanbem do brasileiros se fosse assim teriamos uma nova cuba e isso qe qerem? axo qe o brasil deve acompanha e se opor piamente sobre essa qestao se eles faserem isso a bolivia vai faser outros paises vam faser ora o brasil sobe 6 economia porem foi com sacrificio do povo sangue nosso !!! se as terras foram compradas no regime militar nam importa pois o brasil vendeu varias estatais e = parecido!!!

    Dexar acontecer agorra e dar um salvo conduto !!!

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