Às vésperas da reforma, Dilma convoca ministros para traçar novo plano de voo | Fábio Campana

Às vésperas da reforma, Dilma convoca ministros para traçar novo plano de voo

Reuniões vão discutir cortes de despesas no Orçamento e projetos prioritários para 2012.

Vera Rosa, de Brasília, para O Estado de S. Paulo

Às vésperas de promover uma reforma no primeiro escalão, a presidente Dilma Rousseff fará três dias consecutivos de reuniões setoriais com grupos de ministros, nesta semana, para discutir os cortes de despesas no Orçamento e os projetos prioritários para 2012. Dilma quer um plano de voo que também sirva para os novos ministros e melhore a gestão do governo depois da temporada de crises políticas .

Os encontros com a presidente ocorrerão nas próximas quinta e sexta-feira e também no sábado. Serão preparatórios para a primeira reunião ministerial do ano, marcada para o dia 23.

“É melhor assim porque, com 38 ministros, não conseguimos obter uma avaliação detalhada nem aprofundar os assuntos num único dia”, afirmou Dilma, em conversa reservada.

Empenhada em fazer o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) andar e em pôr de pé os programas sociais, mesmo com a tesourada no Orçamento – que será anunciada em fevereiro -, a presidente dividiu a equipe em grupos de Produção, Infraestrutura, Comunicações e Ciência e Tecnologia e Direitos Humanos.

O Ministério da Fazenda acredita que será necessário um corte drástico nos gastos, na casa de R$ 60 bilhões, para cumprir a meta cheia de superávit primário, de 3,1% do Produto Interno Bruto (PIB). Dilma, porém, cobra novos cálculos e tenta fazer um ajuste menor, porque quer preservar os investimentos neste ano de eleições.

Ao enviar na sexta-feira os ofícios de convocação para os encontros setoriais com Dilma, a ministra-chefe da Casa Civil, Gleisi Hoffmann, pediu que todos os auxiliares compareçam munidos de um CD com a prestação de contas de suas pastas.

Dilma está muito preocupada com os problemas de gestão e com o agravamento da turbulência internacional. No Palácio do Planalto, a avaliação é a de que os quatro fóruns do governo, lançados em 2011 (Desenvolvimento Econômico, Infraestrutura, Desenvolvimento Social e Direitos e Cidadania), não funcionaram. Além disso, os programas sociais acabaram ofuscados por uma crise atrás da outra.

Reforma. Pré-candidato do PT à Prefeitura de São Paulo, o ministro da Educação, Fernando Haddad, pode ser o único a deixar a equipe pouco antes da reforma ministerial, prevista para fevereiro. Em conversa com Haddad, na semana passada, Dilma garantiu que autorizaria a saída dele até o dia 30 deste mês.

O substituto de Haddad já está escolhido: será o ministro da Ciência e Tecnologia, Aloizio Mercadante (PT).

A presidente também quer convencer o PP a apadrinhar a volta de Márcio Fortes ao Ministério das Cidades, no lugar de Mário Negromonte. Ex-titular da pasta no governo Lula, Fortes comanda hoje a Autoridade Pública Olímpica (APO).

A simpatia de Dilma por Fortes contraria o PT, que luta para retomar o controle do Ministério das Cidades, dono de um orçamento de R$ 8,92 bilhões. É nessa cadeira – ocupada por Olívio Dutra (PT) no primeiro mandato de Luiz Inácio Lula da Silva – que os petistas sonham em ver o deputado José De Filippi Jr., ex-tesoureiro da campanha presidencial.

O retorno do PT para Cidades é considerado improvável, mas a saída de Negromonte aparece como “favas contadas” nos bastidores do Palácio do Planalto. Tanto que também assanha o PMDB do ministro da Secretaria de Assuntos Estratégicos, Moreira Franco, louco para mudar de lugar na Esplanada.

Um emissário de Dilma sondou, no fim do ano passado, o senador Francisco Dornelles (RJ), presidente do PP, sobre a opção Márcio Fortes em Cidades. Disposta a evitar atritos com aliados neste ano eleitoral, Dilma quer saber se há resistências a Fortes, o seu preferido para a vaga. Publicamente, no entanto, Dornelles nega o contato.

“Eu espero que o Ministério das Cidades seja mantido com o PP, mas a presidente é livre para nomear e demitir”, desconversou o senador. Cauteloso, Dornelles disse, ainda, que a relação de Negromonte com a bancada do PP na Câmara está “pacificada”. Não é bem assim.

Mais da metade dos 39 deputados do partido quer que o ministro – acusado de oferecer mesada de R$ 30 mil aos parlamentares, em troca de apoio – deixe logo o cargo.

“De qualquer forma, o que estou dizendo é que o Mário tem o apoio da presidência do partido”, insistiu Dornelles. Em agosto do ano passado, Negromonte previu que a briga entre os seus aliados e os de Márcio Fortes terminaria “em sangue”.

Diante do impasse, a bancada do PP na Câmara prefere indicar o deputado Márcio Reinaldo (MG) para Cidades. Nesse cenário, tudo indica que, se voltar ao poderoso ministério, Fortes será puxado na cota de Dilma, e não na do partido.


5 comentários

  1. Parreiras Rodrigues
    domingo, 15 de janeiro de 2012 – 19:10 hs

    Nada a ver. Só prá constar.

    Tô com a faísca atrasada. Só agorinha fiquei sabendo que Amaury Ribeiro Jr., o jornalista que escreveu sobre “privataria tucana”, é de Santa Cruz do Monte Castelo – 600 kms. de Curitiba, quase nas barrancas do Paranazão.
    Conheci o pai, o prof. Amaury Ribeiro, que foi diretor de colégio e inspetor regional de ensino.

  2. Zangado
    domingo, 15 de janeiro de 2012 – 19:17 hs

    Será que o povo – duvido – percebe o que é a política e/ou o que são as eleições no Brasil ?

    Um ano de governo (ou o que possa isso significar) e a gestão pública não começou, ou não decolou. Tanto no âmbito federal como no estadual – aqui até querem logo, antes de qualquer “choque de gestão”, comprar uma batelada de aviões …

    Pois, então, o que eram aquelas efusivas perorações por ocasião da campanha política ? Não sabiam quais eram os “pobrema” do país e do estado ? Não sabiam tudo o que era necessário fazer ? Não prometeram isso e mais aquilo para colocar o país e o estado no caminho do paraíso na terra ?

    Pois, está aí, confessado no plano federal e no plano estadual que os “aviõezinhos de palanque” nada decolaram, estão rateando seus motores e fazendo novos planos de vôos …

    Vamos, minha gente boa, vamos colocar essa politicagem no olho da rua a começar nas próximas eleições: o voto é o seguinte – quem está no poder não pode ficar !!!!

  3. domingo, 15 de janeiro de 2012 – 21:52 hs

    Mais promessas , promessas e promessas

  4. sergio silvestre
    segunda-feira, 16 de janeiro de 2012 – 1:01 hs

    Uma sujestão para o amauri,aqui do noroeste do parana.
    Escrever um livro da privataria curitibana,abordando aqueles cabeludos temas do pedagio,banestado etc.

  5. Vigilante do Portão
    segunda-feira, 16 de janeiro de 2012 – 2:41 hs

    Mais mentiras.

    Acabo de ler no O GLOBO que o governo da federal CORTOU pela metade a verba aplicada no programa de segurança acordado com os Estados e Municípios.

    Dicursos, reuniões, comissões de trabalho, tudo muito bonito.

    Na hora da grana,

    A história é outra.

Deixe seu comentário:

Campos obrigatórios estão marcados com *

*

*