Crise externa cria oportunidades para o Mercosul | Fábio Campana

Crise externa cria oportunidades para
o Mercosul


Foto: Jonas Oliveira/AENoticias

A crise econômica que afeta os Estados Unidos e os países europeus, cria oportunidades de negócios para os países do Mercosul. A afirmação foi unânime entre os participantes da cerimônia de abertura do Encontro de Comércio Exterior (Encomex Mercosul), na manhã desta quinta-feira(1), em Curitiba. Com mais de 1,5 mil inscritos o encontro vai debater por dois dias as duas décadas de experiência do bloco e o planejamento dos próximos 20 anos.

Segundo o ministro interino de Desenvolvimento Econômico, Indústria e Comércio Exterior, Alessandro Teixeira, a economia mundial passa por um novo momento e os países do Mercosul e da América Latina possuem um mercado interno forte que torna-se atraente para investidores dos países em crise.

“Em 20 anos o comércio intrabloco cresceu mais de 800 %. O bloco passou por várias crises, mas o salto é positivo. E agora temos a oportunidade de aproveitar esse novo momento da economia mundial”, disse.

O secretário da Indústria, Comércio e Assuntos do Mercosul, Ricardo Barros, afirmou que a América Latina é a bola da vez para os investidores. “E nesse ponto, o Brasil – país líder do bloco, com uma história de cumprir contratos e com uma democracia estabelecida – tem o ambiente para os investimentos mais seguros entre os países em desenvolvimento”, disse ao reforçar que o Paraná tem o diferencial competitivo de estar em uma posição estratégica no Mercosul.

Na avaliação de Barros, o Mercosul avançou nessas duas décadas “ mas não tanto quanto gostaríamos, ainda possuímos uma série de desafios a vencer. E o espaço de debates e de reflexão criado com o Encomex vai nos ajudar a buscar soluções que possibilitem a real integração entre os países do bloco”.

Na mesma linha de raciocínio, a secretaria-executiva do Ministério, Tatiana Prazeres, afirmou que um dos objetivos do Encontro é identificar essas oportunidades que estão sendo criadas com a crise dos países desenvolvidos. “As oportunidades geradas, precisam ser exploradas”, disse. “Além disso vamos incentivar o fortalecimento e o crescimento do comércio intrabloco”, acrescentou.

DESAFIOS E INTEGRAÇÃO – As dificuldades, as barreiras e as crises vivenciadas entre os países do bloco ao longo dos últimos vinte anos foram classificadas como parte de um processo de amadurecimento do bloco.

De acordo com o diretor do departamento do Mercosul do ministério das relações exteriores, Bruno Bath, o Mercosul avançou de forma modesta, mas positiva nesses 20 anos. “Estamos evoluindo na habilidade de superar conflitos. É uma construção diária de um mercado regional”, reiterou.

O presidente da Federação das Indústrias do Estado do Paraná, Edson Campagnolo, afirmou que é obrigação dos países do bloco acabar com os processos burocráticos, derrubando barreiras comerciais e facilitando a vida das empresas, principalmente aquelas da região de fronteira, “Hoje é mais fácil exportar para outras regiões do que para o Mercosul. Temos que aproveitar esse momento da economia mundial para viabilizar esforços que contribuam para a integração do bloco”.

Já o secretário de pequena e médio empresa e desenvolvimento regional da Argentina, Horacio Roura, avaliou que o crescimento do bloco é dependente da integração comercial, política e de infraestrutura entre os países. “ É o caminho para integrarmos toda a América Latina e não somente os países do Mercosul”.

Também participaram da abertura do Encomex o adido comercial do ministério de indústria e comércio do Paraguai, Sebastian Bogado; a coordenadora de relações internacionais e comércio exterior do Uruguai, Natalia Bertullo; o superintendente do Sebrae, Allan Marcelo Costa; o presidente da Fecomércio, Darci Pianna; o coordenador de projetos especiais da Apex, Maurício Manfré; o diretor de negócios internacionais do Banco do Brasil, Admilson Garcia; o gerente de comércio exterior do BNDES, Guilherme Pfisterer; o gerente de empréstimos e serviços internacionais da Caisa, Mario Maia; o presidente da ACP, Edson José Ramon; o presidente da Faciap, Rainer Zielasko; o presidente da Conampe e diretor-geral da SEIM. Ercílio Santinoni; o presidente da Ocepar, João Paulo Kozlowski, entre outras autoridades, empresários e estudantes universitários.

Encomex – Serão dois dias de palestras, reuniões e debates onde a pauta principal é a avaliação das duas décadas de experiência do Mercosul e o planejamento dos próximos 20 anos do bloco econômico. As inscrições são gratuitas e podem ser feitas na página do evento

Os palestrantes discutirão maneiras de facilitar o comércio entre os países do bloco econômico e tratarão de temas específicos, entre eles, crescimento econômico, inovação, competitividade, câmbio, mecanismos de financiamento e negociações com terceiros países. Haverá um painel especifico para discutir as relações comerciais entre Mercosul e Canadá, com a vinda de uma delegação canadense.

A programação inclui também painéis com a participação de ministros dos países membros do bloco econômico e de outras autoridades. Haverá ainda estandes institucionais voltados para os empresários que atuam no bloco comercial e um balcão de atendimento com técnicos do MDIC para solução de dúvidas e pendências relacionadas ao comércio exterior.

O Encomex traz cases de sucesso de 24 empresas de pequenos e médio porte que estão tendo êxito na comercialização de seus produtos no exterior. Dessas, 21 são paranaenses.


Deixe seu comentário:

Campos obrigatórios estão marcados com *

*

*