Morreu Genésio, o árbitro que "roubava até no minuto de silêncio" | Fábio Campana

Morreu Genésio, o árbitro que “roubava até no minuto de silêncio”

da Folha de S. Paulo

Antes que o relógio marcasse um minuto completo, Genésio Chimentão assoprou o apito para iniciar a partida. O jogo estava atrasado, e o público, nervoso com a espera. Mesmo assim, o protocolo teve de ser cumprido em memória de uma autoridade que morrera na véspera.

Mas foi só a bola rolar que um grito partiu das arquibancadas: “Juiz ladrão. Roubando até no minuto de silêncio”. Manifestações como essa Genésio acostumou-se a ouvir nos tempos de árbitro no Paraná, nos anos 50 e 60. Saído de Sertanópolis (PR) ainda pequeno, cresceu em Londrina, onde começou a vida profissional como alfaiate. Por cerca de 16 anos, manteve um negócio no ramo.

Já apitava um ou outro jogo até que, um dia, decidiu se profissionalizar. Passou a fazer muitos jogos pelo Estado e abandonou a alfaiataria. Em 1966, foi escolhido por um jornal como o melhor árbitro do Paraná. Chegou a receber convite da federação mineira para apitar por lá, mas não quis sair de perto da família.

Genésio ganhou o apelido de Rei da Cumbuca, porque seu nome sempre saía no sorteios que escolhiam os juízes. Sua mulher, Antônia, recortava tudo que saía sobre o marido nos jornais e fez um álbum. A família guarda o primeiro apito e as chuteiras que ele usava e tem o projeto de fazer um livro sobre o árbitro.

Depois de pendurar o apito, deu aulas em cursos de juízes de futebol e trabalhou como vendedor de bebidas. Nos jogos que via com a família, era uma espécie de comentarista de arbitragem. Morreu na quinta, aos 76, após uma parada cardíaca. Teve três filhos e cinco netos.


6 comentários

  1. S Y N F R O N I O.
    sexta-feira, 18 de novembro de 2011 – 11:35 hs

    Que Deus o tenha e perdoe, as vezes que ele meteu a mão no Furacão, favorecendo o Coxa, meus pesames a familia.

  2. CAÇADOR DE PETISTAS
    sexta-feira, 18 de novembro de 2011 – 11:44 hs

    Um fato que poderia se estender aos demais “LADRÕES” deste pais.

  3. Parreiras Rodrigues
    sexta-feira, 18 de novembro de 2011 – 12:07 hs

    Um dos mais famosos alfaiates do Paraná. Há que ser nome de rua, essas coisas. É história.

    Tal qual Silvestre.

    Fiz roupa com os dois.

    Pobrete mais alegrete….

  4. Questionador
    sexta-feira, 18 de novembro de 2011 – 12:42 hs

    -A torcida o xingava sem ter qualquer conhecimento, extamente como é nos dias hoje!!! Não mudou nada…
    -Quanto ao árbritro roubar do Furacão e favorecer o Coxa…fez mais do que o dever de casa…ahahahah. Afinal o CAP terá sua nova arena…a mais moderna de todo o universo para comemorar o título da libertadores…..ahahahah

  5. sergio silvestre
    sexta-feira, 18 de novembro de 2011 – 13:40 hs

    Meus pesames a familia chimentão,ao contrario que se le acima,era um
    cidadão honesto,daqueles que trabalharam até o fim da vida
    Poderá ser nome de rua aqui em londrina sim,já que londrina apesar de tudo,sempre homenageia seus pioneiros.

  6. Murilo Álvaro Viezzer
    sexta-feira, 18 de novembro de 2011 – 22:56 hs

    Como você gosta de futebol Seu Fábio Campana…Eu também…Mas hoje com os Estaduais tendo curta duração…O futebol do interior tem cada vez menos histórias para se contar…Aqui em Ponta Grossa, na última pesquisa de torcidas, o Operário ficou apenas em 5°…

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