Monti forma governo e vai ser premiê e ministro de Economia na Itália | Fábio Campana

Monti forma governo e vai ser premiê e ministro de Economia na Itália


Foto: Reuters

Do G1, com agências internacionais

O ex-comissário europeu Mario Monti formou nesta quarta-feira (16) o novo governo da Itália, aceitando o cargo de premiê, informou a presidência italiana em comunicado.

Monti, que é economista, disse a jornalistas que vai acumular o cargo de ministro da Economia.

Ele afirmou que espera que seu novo governo de tecnocratas restaure a confiança dos mercados no país e acalme o clima político tenso.

Ele também disse que a indicação de Corrado Passera, presidente do banco Intesa Sanpaolo, para a pasta de Infraestrutura, não configura conflito de interesse.

O governo deve apresentar seu programa no Senado na quinta-feira, segundo Monti.

O substituto de Silvio Berlusconi no cargo entra com a missão de conduzir a Itália para fora da crise econômica que ameaça contaminar a União Europeia.

A posse de Monti ocorre após um dia de negociações com os principais partidos políticos italianos e outras forças do país.

Monti procurou envolver os principais partidos italianos na composição de seu governo, para ter um apoio sólido no Parlamento e tentar governar até 2013.

O primeiro-ministro designado e os novos membros do Executivo, entre eles cinco mulheres, fizeram o juramento na tarde desta quarta-feira. Eles vão se reunir em um Conselho de Ministros.

O Parlamento terá de ratificá-lo como chefe de governo, como se prevê em uma República Parlamentar, em um prazo de dez dias.

A equipe de Monti, formada por 16 pessoas, todos tecnocratas, contará com um “superministério” de Desenvolvimento Econômico, Infraestruturas e Transporte, a cargo de Corrado Passera.

“A fusão destes ministérios permitirá uma maior coordenação do crescimento econômico”, explicou Monti à imprensa.

“Na lista não aparecem políticos”, explicou o novo primeiro-ministro, que espera que um governo sem personalidades políticas permita “que as forças políticas se acalmem e melhorem sua relação”, explicou.

“A não presença de políticos vai facilitar em vez de atrapalhar” a gestão, explicou, após esclarecer que “blindou” sua equipe, porque isso permitirá uma relação direta com os cidadãos e com o Parlamento.

Os italianos se preparam para superar tempos difíceis, e o novo primeiro-ministro adiantou que as principais forças políticas, sindicatos, industriais, jovens e mulheres “têm plena consciência da atual situação de emergência”.

O novo primeiro-ministro destacou que todos os setores da sociedade consultados aceitaram a ideia de realizar sacrifícios para tentar tirar a Itália da crise.

Os mercados castigavam novamente nesta quarta-feira a dívida soberana da Itália com um prêmio de risco a 10 anos acima dos perigosos 7%, razão pela qual o novo executivo terá que tomar decisões rápidas e eficazes para reduzir a gigantesca dívida de 1,9 trilhão de euros (120% do PIB).

Tanto o Partido Democrata (PD), principal movimento de esquerda italiana, quando o Povo da Liberdade (PDL), fundado por Berlusconi, confirmaram que apoiarão o governo no Parlamento.

O novo governo de consenso pode adotar também um novo plano de austeridade para completar as medidas de ajuste decididas em julho e setembro pelo governo de Berlusconi para alcançar o equilíbrio orçamentário em 2013.

Segundo a imprensa, o novo governo pode introduzir um imposto às propriedades imobiliárias, revogado por Berlusconi, assim como uma taxa sobre as grandes fortunas, uma medida que inclusive os industriais estão dispostos a aceitar.

Também pode introduzir grandes mudanças no sistema de aposentadorias, razão pela qual nomeou a especialista em pensões no ministério do Trabalho, e a privatização de serviços públicos, como água, luz ou coleta de lixo.

Enquanto isso, Berlusconi, realizou sua mudança e retirou poucos objetos pessoais da sede de governo, entre eles um precioso vaso chinês e uma espada do Cazaquistão.


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