A canga | Fábio Campana

A canga

de Carlos Alberto Pessôa para a Revista Ideias

Um dos temas crônicos da econômica brasileira é o baixo crescimento relativo do PIB, produto interno bruto; comparado com os tempos do milagre econômico, quando chegamos a crescer 14% num ano, o nosso crescimento desde o governo Sarney tem sido muito baixo, abaixo do que podemos e devemos crescer se quisermos encurtar mais rapidamente a distância que ainda nos separa dos países ricos.

Nas chamadas décadas perdidas (80-90) crescemos em torno de 2%. Taxa que emperrou a renda per capita. E ficou muito abaixo da nossa taxa histórica de crescimento: desde o final do século XIX até a metade dos anos 80 do século passado crescemos em média 6,5% ao ano.

A carga tributária no Brasil atingiu 37% do Produto Interno Bruto. De tudo o que produzimos pouco menos de 40% é entregue ao grande irmão. Exceto raros países europeus, os escandinavos especialmente, não há carga de impostos igual ou superior a nossa.

E ela é grande porque as despesas são grandes, imensas. E cresceram muito sob Lula, notadamente as despesas com pessoal&custeio.

Acontece que boa parte delas é supérflua. O que levou Sérgio Warlang, ex-diretor do Banco Central, a afirmar: podemos aumentar bastante o superavit primário (a diferença entre o que se arrecada e o que se gasta, sem contar os juros da dívida pública).

Nessa altura chegamos a um ponto crucial. A chamada fragilidade externa do Brasil é produto da nossa baixa taxa de poupança/investimento. Que nos constrange a crescimento menor e a uma dependência maior do capital externo. Não só para equilibrar nossas contas como para crescer.

Uma das razões da baixa taxa de poupança/investimento é que o Estado consome muito. E despoupa. Ao contrário do que fazia nos anos do milagre e até pelo menos o ano de 82, quando contribuía com percentual significativo para o crescimento do País. Ao contrário dos anos posteriores até hoje. Daí a nossa dívida interna. Que é simples consequência do deficit público. E daí também as relativamente baixas taxas de crescimento.


4 comentários

  1. OSSOBUCO
    terça-feira, 15 de novembro de 2011 – 15:14 hs

    meus Deus, Pessoa, milagre econômico foi bancado com dinheiro farto do FMI ao governo militar para enganar a classe média, é claro que depois veio a conta, que só foi paga no governo Lula.

  2. Vigilante do Portão
    terça-feira, 15 de novembro de 2011 – 19:08 hs

    Burrice tem limite.

    Nossa dívida é bem mais complexa.

    Nossa Independência começou com uma enorme dívida.

    Para Portugal e logo em seguida para com a Inglarterra.

    JK, endividou o Brasil, gerando a inflação dos anos 1960.

    Os militares colocaram ordem na casa e depois fizeram mais dívidas, era o tal “milagre”.

    Tudo ia bem, até a crise do petróleo.
    As taxas de juros internacionais (lastreavam nossos empréstimos) subiram de 4% a.a para 22% a.a..

    Nos anos que se seguiram, décadas de 1980 3 1990, vivemso para pagar os juros.

    Veio o Plano Real, (Lula e sua turma, foram CONTRA);

    FHC implantou a meta de superávit primário (Lula e sua turma, foram CONTRA) para pagar os juros e REDUZIR a dívida.

    A estabilidade monetária, aliadas às demais medidas, como reforma previdenciária (Lula e sus turma, foram CONTRA), atrairam investidores, aumentando a produção, gerando empregos e aumentando as exportações.

    Lula apenas continuou aquilo que já havia sido iniciado.

    Em tempo,

    Ao assumir, tendo sido CONTRA as medidas acima, era de se esperar que Lula fosse REVOGAR TODAS.

    Qual nada, manteve TODAS as medidas.

  3. Ernesto
    quarta-feira, 16 de novembro de 2011 – 11:04 hs

    Está faltando dizer que hipocrisia tem limite também, apesar de todas as privatizações, todas as terceirizações, todas as concessões, apesar do Plano Real do Itamar Franco, o FHC quebrou o país em 3 oportunidades, foi 3 vezes ao FMI e entregou o país quebrado para o LULA, com dívida enorme e poucas reservas cambiais.

    Qual a diferença entre o crescimento dos governos Lula e FHC?
    A diferença dos governos do Fernando Henrique e Lula é completa. FHC entregou o Brasil falido. Todo mundo se recusa a entender esse fato; em 2002, o Brasil estava fa-li-do.

    Estava com déficit, a exportação crescia 4% enquanto a divida crescia 6,5%. Tinha US$ 17 bilhões de reservas e tinha feito uma bela duma….dum apagão em 2001. E não satisfeito, fez a crise externa em 2002, o que aconteceu foi isto.

    Não foi à toa que FHC saiu do governo com baixo índice de popularidade. O PT foi e é contra até hoje, e por isso voto nesse partido, contra o modelo neoliberal de estado fraco, tarifaços, desemprego, ajuda indiscriminada aos bancos e entrega do patrimônio público a preço de banana.

  4. Ernesto
    quarta-feira, 16 de novembro de 2011 – 11:18 hs

    Derrubando mitos tucanos:Não é verdade que “a economia foi bem no governo Lula só porque este não mudou a política econômica de FHC”;

    Quando se fala em política macroeconômica implantada por FHC, refere-se geralmente ao tripé câmbio flutuante, regime de metas de inflação e superávit primário. Vamos poupar o Vigilante do economês: basicamente, o preço do real em relação ao dólar não é fixo, flutuando livremente; o Banco Central administra os juros para manter a inflação dentro de um patamar; e busca-se bons resultados nas transações com o exterior para pagar as contas do governo.

    Nem sempre foi assim, nem mesmo no governo FHC: até 1998, o câmbio era fixo. Todo mundo se lembra que, em janeiro de 1999, a cotação do dólar, que valia pouco mais de um real, subitamente dobrou. Talvez não se lembre que isso ocorreu porque FHC tinha mantido artificialmente o câmbio fixo durante 1998, para ganhar a sua reeleição – que teve um custo altíssimo para o país – e logo depois, vitorioso, mudou o regime cambial (no que ficou conhecido como “populismo cambial”). O regime de metas de inflação foi adotado só depois disso. Ou seja, FHC não só não adotou uma mesma política macroeconômica o tempo em que esteve no Planalto, como também deu um “cavalo-de-pau” na economia, que jogou o Brasil nos braços do FMI, para ser reeleito.

    Que política macroeconômica de FHC então é essa, tão “genial”, que o Lula teria mantido? A estabilidade foi mantida, sim, e a implementação do Plano Real pode ser atribuída ao governo FHC (embora Itamar Franco sempre ter discordado disso).

    Mas Lula fez muito mais do que isso. A inflação não voltou: as taxas de inflação foram mantidas, entre 2003 e 2008, num patamar inferior ao do governo anterior. E com uma diferença: a estagnação econômica foi substituída por taxas de crescimento econômico bem maiores, com redução da dívida pública.

    A alta do preço das commodities no mercado externo favoreceu esse quadro (reduzindo a inflação de custos), mas não foi tudo. O crescimento da economia também foi favorecido pelo crescente acesso ao crédito: em 2003, foi criado o crédito consignado, para o consumo de massa de pessoas físicas – e deu certo, puxando o crescimento do PIB; o BNDES se tornou um agente importantíssimo na concessão de crédito de longo prazo (veja esta tabela), induzindo outros bancos a paulatinamente fazerem o mesmo.

    Os aumentos reais do salário mínimo e os benefícios do Bolsa Família foram decisivos para uma queda da desigualdade social igual não se via há mais de 40 anos: foi a ascensão da classe C.

    Isso tudo é inovação em relação à política econômica de FHC.

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