O ar da Capital da República arde, fede e ganhou cor | Fábio Campana

O ar da Capital da República arde, fede
e ganhou cor

Do Josias de Souza — Aprende-se de menino que o ar é inodoro e incolor. Não na Brasília dos dias que correm. Na Capital, o ar passou a feder e ganhou cor. Pior: o ar arde.

Antes, a paisagem da cidade sofria alterações apenas metafóricas. O odor era de corrupção, sempre acompanhado pelo amarelo do riso de inocentes culpados.

Há três dias, a coisa tornou-se mais concreta. Aquecido pela baixa umidade –entre 10% e 13%— o ar de Brasília já vinha ardendo nas narinas há semanas.

Passou a arder também nos olhos. Agora, o ar cheira a mato queimado. Graças à fumaça, ganhou uma tonalidade opaca que encobre os monumentos de Niemeyer.

O brasiliense passou a ver o ar que respira. Aliás, é tolice falar em respiração. Os moradores da cidade não respiram. São invadidos pelo ar.

Neste sábado (10), um Hércules da FAB levantará vôo para derramar água sobre um incêndio que altera a rotina do aeroporto de Brasília.

Aviões tiveram de operar por instrumentos. Funcionários das companhias aéreas viram-se compelidos a trabalhar com narinas protegidas por máscaras.

Algo como 300 bombeiros tentam controlar outros focos de fogo. O dois maiores ardem na Floresta Nacional de Brasília e no Jardim Botânico.

Há 92 dias não chove em Brasília. Quem compara a situação do planalto central com a de Santa Catarina, sob águas, é tentado a concluir que Deus não é full-time.


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