Movimento recolhe adesões para tese do voto distrital | Fábio Campana

Movimento recolhe adesões para tese do
voto distrital

De Sandro Moser da Gazeta do Povo

Um movimento organizado na internet busca usar a força da rede para pressionar o Congresso Na­­­cional a aprovar o projeto de lei que implanta o sistema de Voto Distrital na eleição de deputados federais, estaduais e vereadores. O movimento quer conseguir 1 milhão de assinaturas até o mês que vem para conseguir que o sistema seja testado já nas próximas eleições municipais em 2012.

Batizado de #EuVotoDistrital , o movimento virtual, que se diz apartidário, nasceu, segundo seus organizadores, ainda em 2010, antes da eleição presidencial e de o Congresso Nacional ter agendado em sua pauta a Reforma Polí­­­tica. Até ontem, o #EuVotoDistrital tinha cerca de 91 mil participantes e usava a notoriedade de celebridades que defendem esta mudança como os apresentadores de televisão Marcelo Tas e Luciano Huck.

De acordo como o texto de apresentação na rede, o movimento aposta na mobilização com o uso da internet e “na crença de que a política pode, sim, fazer parte do cotidiano dos brasileiros de forma prazerosa e rápida, porém efetiva”.

A mobilização dos internautas faz parte de um momento em que aumentou a adesão a protestos contra a corrupção divulgados pela internet. Há duas semanas, um movimento no Facebook conseguiu milhares de adesões nos dias seguintes a absolvição da deputada federal Jaqueline Roriz (PMN-DF) e organizaram uma marcha conta a corrupção em Brasília. Mo­­­vi­­mentos semelhantes têm acontecido pelo país nos últimos dias com destaque na imprensa nacional e internacional.

Mudança

A demanda do movimento #EuVotoDistrital é a mudança do sistema eleitoral e a implementação do voto distrital. Neste sistema, o país é dividido em distritos eleitorais com o mesmo número de eleitores. E, em cada distrito, cada partido pode lançar apenas um candidato ao parlamento. Ganha o candidato que tiver mais voto.

Eleito, o parlamentar passa a ser o representante direto dos eleitores daquele distrito. Segundo os defensores da tese, isso é algo que aproximaria o legislador do seu eleitor, que poderia fiscalizá-lo melhor. Além disso, o eleitorado, caso estivesse descontente poderia convocar uma eleição para destituí-lo. Defensor da mudança, o cientista político Luiz Felipe D’Ávila, pós-graduado em Administração Pública pela Universidade de Harvard, nos Estados Unidos, afirma que o voto distrital aproxima o eleitor do seu representante no Congresso, melhora a fiscalização sobre os deputados e diminui a corrupção.

“Um mês após a eleição, 30% dos eleitores já não se lembram em quem votou. Este número aumenta para 70% em relação às eleições anteriores. Uma vez eleitos, os representantes também não se lembram dos eleitores e agem no Legislativo sem prestar contas ”, argumenta.

Riscos

O sistema, porém, é questionado por alguns cientistas políticos que veem o risco da bipartidarização, entre outras distorções. Para o cientista político Luiz Domingos Costa, o eleitor deixa de votar baseado em critérios ideológicos e passa a votar de forma estratégica.“O eleitor vê uma pesquisa e vê que tem dois na frente. Aqueles outros eleitores que votariam em terceiros vão preferir o voto útil e a escolha pela rejeição”, analisa. Já para o professor da UFPR Fabrício Tomio, o risco é aumentar o clientelismo na política. “Com todos os candidatos eleitos localmente eles precisam ser mais responsivos para poderem ser reeleitos. O Congresso norte-americano, que é eleito desta forma, é mais clientelista que o nosso”, avalia.


9 comentários

  1. Épracaba
    domingo, 25 de setembro de 2011 – 14:26 hs

    Será o amadurecimento da politica nacional, É a forma mais democratica de ser representado.

  2. VLemainski -Cascavel-PR
    domingo, 25 de setembro de 2011 – 15:42 hs

    Seria uma nova experiência. Pior do que o atual não poderá ser, com toda a certeza..,..

  3. carlosmello.
    domingo, 25 de setembro de 2011 – 16:26 hs

    TERIAM QUE FAZER UM MOVIMENTO PARA TORNAR O VOTO NÃO OBRIGATORIO, AI SIM QUERIA VER, DAVA PRA CONTAR NA MÃO OS VOTOS, PODERIA ATE CANCELAR A URNA ELETRÔNICA. IRIA SOBRAR ENVELOPES.

  4. Billie Holiday
    domingo, 25 de setembro de 2011 – 17:19 hs

    O maior risco do voto distrital é o de dar certo, reduzir a corrupção e aumentar a responsabilidade dos políticos junto ao povo.
    A grande verdade é que o sistema atual não está atendendo aos anseios do povo.
    VOTO DSITRITAL E NÂO OBRIGATÓRIO JÁ!

  5. vasconcelos
    domingo, 25 de setembro de 2011 – 19:08 hs

    De acordo com o voto distrital …
    Chega dos profissionais mudarem de região em busca de votos, com promessas e mentiras.
    A exemplo, da era 64 (…) que diminuam as siglas partidáras, uma poluição desgraçada … E vc compra uma TV de alto custo e obrigado a ficar com o controle na mão, para teclar o mudo.
    Deviam ouvir o povo do país, para saber se aumentam os vereadores ou contratam bombeiros (…).
    Será que o homem da cavaliria, sobre a filha dos outros, seria reeleito? (Falo daquele que adora CPI de queijo e tomate …
    … CRIANÇAS DE 16 ANOS ESCOLHENDO …

  6. Mauro Ignacio
    domingo, 25 de setembro de 2011 – 19:39 hs

    Lamentávelmente a reforma politica mais uma vez ficou no discurso e tudo ficará como antes, mas certamente o voto distrital seria uma das ferramentas para eleger politicos compromissados com a população e também a população estar mais próxima e atenta as ações do seu representante. Ainda há tempo para mudanças, mas os eleitores podem fazer essa mudança na urna independente da reforma politica. Reforma só mesmo o judiciário fazendo como fez com a fidelidade partidária.

  7. Deutsch
    domingo, 25 de setembro de 2011 – 19:45 hs

    a única coisa que vai ar certo no Brasil é fechar o congresso nacional e mandar a camarilhade vagabundos pra casa. De nada adianta voto distrital, pois vão continuar roubando da mesma forma.

  8. OSSOBUCO
    domingo, 25 de setembro de 2011 – 19:50 hs

    Tem gente que não sabe, mas os especialistas alertam que o voto distrital só aumenta o clientelismo político.

  9. segunda-feira, 26 de setembro de 2011 – 11:20 hs

    Pior do que tá não fica.

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