Ex-presos vão trabalhar em obras da Copa de 2014 | Fábio Campana

Ex-presos vão trabalhar em obras da Copa de 2014

Joyce Carvalho do Estado do Paraná – As empresas que vencerem licitações para as obras de infraestrutura nas cidades-sede da Copa do Mundo de 2014 terão que contratar egressos do sistema prisional. A medida vai beneficiar quem está em regime aberto ou em liberdade condicional. Estima-se que 900 pessoas serão empregadas nestas condições somente no Paraná. O acesso ao emprego foi acertado por meio de um convênio firmado pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ), que realiza o programa ‘Começar De Novo’.

Em breve, será divulgado decreto no Estado com a determinação. A proporção será de 5% a 10% do total de mão de obra contratada para o serviço. Para o diretor do Patronato Penitenciário do Departamento Penitenciário do Paraná (Depen), Roberto Canto, esta é uma oportunidade para a população saber que o ex-presidiário já cumpriu sua pena e que a comunidade deve apoiá-lo para fazer a transição à sociedade de uma maneira tranquila. “Vai ficar a referência de que aquele estádio, aquela obra também foi construída com o trabalho dos egressos”, afirma.

O juiz Moacir Antônio Dalla Costa, da 2ª Vara de Execuções Penais de Curitiba, acredita que uma medida como esta vai diminuir o preconceito em relação ao egresso do sistema penitenciário no mercado de trabalho. Quando as empresas concordam em contratar uma pessoa que já foi presa, prefere não divulgar entre os outros colaboradores ou para os clientes. “Sem dúvida, a participação de egressos nas obras da Copa do Mundo de 2014 e nas Olimpíadas de 2016 no Rio de Janeiro vai dar um incremento muito grande. Um mestre de obra precisa de qualificação, mas para um servente de pedreiro não é necessário”, avalia.

Dalla Costa lembra que as empresas que aceitam hoje contratar ex-presos fazem isto pela conscientização, e não porque recebem incentivos para isto. “A grande dificuldade que a gente encontra hoje, de maneira geral, é a falta de conscientização do empresariado. Nem todos têm a mente aberta. Se a gente disser que não tem preconceito, seria uma hipocrisia”, considera.

De acordo com ele, uma alternativa para estimular mais o emprego e diminuir o preconceito seria dar incentivos fiscais para as empresas que contratarem egressos do sistema penitenciário. “Quem saiu do sistema pagou pelo que fez. Se não tiver emprego, a possibilidade de voltar ao sistema penitenciário é muito grande”, comenta. O juiz ressalta que, até hoje, nenhum empregador se declarou arrependido em contratar um egresso.

Quem está em regime aberto ou em liberdade condicional deve passar todo mês no Patronato Penitenciário e na Vara de Execuções Penais. Com isto, existe o controle sobre como está sendo o desempenho do egresso no emprego. Por meio do programa Começar de Novo e pelo próprio Patronato Penitenciário, o egresso tem a oportunidade de fazer entrevistas de emprego. “A empresa passa o perfil para aquela vaga e nós passamos para o nosso setor de serviço social, que vê entre os desempregados quem pode se habilitar para o trabalho. A pessoa vai para a empresa e se submete à mesma seleção de quem não é egresso. E a maioria vai e passa”, esclarece Roberto Canto.

De acordo com ele, o Patronato Penitenciário também faz o acompanhamento psicológico da pessoa que está deixando a prisão, entre outros serviços. “Preparamos para o retorno para a convivência da família em alguns casos. A pessoa passa a viver em outro mundo e tem o choque de culturas quando sai da prisão. E ainda começa a sofrer pressão da família”, relata Canto. Atualmente, o Patronato Penitenciário atende em Curitiba e Região Metropolitana 1.734 pessoas, sendo que 222 estão desempregadas.


5 comentários

  1. Chiru
    sexta-feira, 9 de setembro de 2011 – 16:35 hs

    Bibinho poderá ser o mestre de obras, kakaka……

  2. sexta-feira, 9 de setembro de 2011 – 16:42 hs

    Acho que eles devem trocar de posições com os organizadores da copa,pois existem muitos desvios.

  3. sexta-feira, 9 de setembro de 2011 – 16:47 hs

    politicos pensando no futuro

  4. carlosmello.
    sábado, 10 de setembro de 2011 – 10:53 hs

    AI TEM MALANDRAGEM, OS PRESOS TRABALHAM E OS EMPRESARIOS EMBOLSAM A GRANA, JA COMEÇOU A PICARETAGEM.

  5. Edilson Hugo Ranciaro
    sábado, 10 de setembro de 2011 – 12:26 hs

    Não é bem isso pessoal. A iniciativa é boa, não só para quem já pagou pelo seus crimes, mas também para aqueles que tem penas menores.

    Quanto as falcatruas dos políticos isso não vai acabar. Já formaram até empresas ou são acionistas.

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