Delegados da PF criticam anulação pelo STJ de grampos contra Sarney | Fábio Campana

Delegados da PF criticam anulação pelo STJ de grampos contra Sarney

De Fausto Macedo no Estadão.com.br

Delegados da Polícia Federal se declaram perplexos com a decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ), que mandou anular as provas da Operação Boi Barrica. Os delegados consideram que o Judiciário se curva ante investigados que detêm poderes político e econômico.
Eles temem que outras operações de grande envergadura poderão ter o mesmo fim a partir de interpretações de ministros dos tribunais superiores que acolhem argumentos da defesa.


Foi assim, antes da decisão que tranca a Boi Barrica, com duas das principais missões da PF, deflagradas em 2008 e em 2009, a Satiagraha e a Castelo de Areia – ambas miravam empresários, políticos e até banqueiro.

“A PF não inventa, ela investiga nos termos da lei e sob severa fiscalização”, disse o delegado Marcos Leôncio Sousa Ribeiro, diretor de Assuntos Parlamentares da Associação Nacional dos Delegados da PF.

“No Brasil não há interesse em deixar investigar”, afirma Leôncio. “As operações da PF são executadas sob duplo grau de controle, do Ministério Público Federal, que é o fiscal da lei, e do Judiciário, que atua como garantidor de direitos. Não existe nenhum país no mundo que a polícia sofre essa dupla fiscalização.”

“Aí uma corte superior anula todo um processo público com base em que? Com base no ‘ah, não concordo, a fundamentação do meu colega que decidiu em primeiro grau não é suficiente’. Nessa hora não importa que os fatos são públicos e notórios e que não há necessidade sequer de se ficar buscando uma prova maior.”


4 comentários

  1. O povo
    domingo, 18 de setembro de 2011 – 5:36 hs

    Já temos por aqui o caso do Porto e crimes julgados com penas não aplicadas por simples prescrição.

    A imprensa, a OAB e outras entidades, inclusive a representativa da classe dos delegados, deveriam divulgar o objeto da investigação, o teor e consistência das provas encontradas.
    O ministério público deveria também se pronunciar dizendo à população se na sua competência há algo a fazer.

  2. Divanir
    domingo, 18 de setembro de 2011 – 10:54 hs

    Isto faz com que os organismos de segurança não tenha vontade de trabalhar. Neste país as Leis foram feitas para os pobres, haja vista a interpretação de um magistrado, as Leis neste país tem que ser clara, pois pau é pau e pedra é pedra, as Leis devem ser aplicadas para todos. País da vergonha, onde as cadeias e os presídios estão abalrotados de pobres, negros e outros, menos os ricos, onde os que matam o povo em massa, aqueles que roubam dinheiro público, que seriam aplicados em saúde, segurança e educação, ficam sobre os benefícios da interpretação destes senhores, que pensam ser deuses da verdade absoluta, suprema. Que vergonha, embora legal, porém imoral, enquanto aos pobres, a descisão sempre desfavorável.

  3. Deutsch
    domingo, 18 de setembro de 2011 – 11:14 hs

    O que é que a PF esperava? Isenção e autonomia do judiciário? Não tem um magistrado com culhões nesse pais que tenha coragem de enfrentar os safados poderosos que detem algum poder político no Brasil. Todo o poder judiciário é corrompido pelo dinheiro público, e para isto acontecer, basta o executivo conceder os aumentos de verbas que a catralha do judiciário pede, e automaticamente a contrapartida está garantida. Vivemos num país 4° mundista, onde corromper e roubar milhões dos cofres públicos não dá cadeia, mas vá roubar um pedaço de pão para alimentar sua família pra ver o que acontece.
    Somos todos refens dessa podridão que chamamos de poder público; homens sem coragem, sem vergonha e sem caráter.

  4. Ronaldo
    domingo, 18 de setembro de 2011 – 16:23 hs

    Só nos resta a Justiça Divina.

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