Paulo Bernardo não esclarece perguntas dos tucanos no Senado | Fábio Campana

Paulo Bernardo não esclarece perguntas dos tucanos no Senado

Ao participar de uma audiência pública na Comissão de Ciência e Tecnologia do Senado, nesta quarta-feira(31/08), o ministro das Comunicações, Paulo Bernardo, não esclareceu as perguntas elaboradas pelo Líder Alvaro Dias (PSDB/PR) e os senadores Aloysio Nunes (PSDB/SP) e Cyro Miranda (PSDB/GO) referentes às “caronas” do ministro em jatinhos de empresas diretamente beneficiadas com obras superfaturadas através da multiplicação de aditivos nas licitações de obras do PAC, como o Contorno Norte de Maringá.

Os tucanos reiteraram perguntas relativas às caronas do ministro em aviões da empreiteira paranaense Sanches Tripoloni, que concentrou doações eleitorais para partidos aliados do governo e é alvo de investigações do Tribunal de Contas da União. O TCU detectou que a empreiteira aumentou em 1.273% os seus contratos com o Dnit (Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes) de 2004 a 2010.

A construtora repassou R$ 510 mil para a campanha da ministra da Casa Civil, Gleisi Hoffmann (PT-PR), mulher do ministro Paulo Bernardo. Desde o início da crise nos Transportes, políticos do PR dizem que Paulo Bernardo atuou em prol de empreiteiras, o que ele nega. Em março deste ano, foi beneficiada pela elevação de um contrato para obras no Contorno Norte de Maringá, que subiu de R$ 142,9 milhões para R$ 178,6 milhões. Em fevereiro, venceu licitação para a segunda fase da obra. O contrato ainda não foi assinado porque o TCU viu sobrepreço de 10%.

De acordo com o líder Alvaro Dias, o Governo do PT está gastando R$ 300 mi na obra, que se constitui em um viaduto de apenas 17Km. Não por acaso Alvaro Dias tem dito que a obra “é medalha de ouro em superfaturamento”. Paulo Bernardo preferiu posar de vítima e jogar a responsabilidade no colo do Líder Alvaro Dias e da bancada do Paraná. “Quem mais trabalhou e se empenhou para essa obra ser incluída no PAC foi a bancada do Paraná. E a primeira assinatura é do senhor, senador Alvaro Dias”, provocou. O líder tucano não se intimidou: “Assinaria duzentas vezes se me pedissem, até porque, como governador do Paraná, sempre trabalhei nessa direção e construí o Contorno Sul. Aliás, o Contorno Norte de Maringá está com um atraso de vinte anos. A questão na obra de Maringá é o seu custo. Nem se o viaduto fosse de mármore justificaria o que o Governo está gastando”.

Paulo Bernardo insistiu que a decisão de priorizar o Contorno Norte e incluí-lo no PAC “foi colegiada”. E ainda afirmou que o então líder do Governo no Congresso, deputado Ricardo Barros (PP), coordenou esse processo, “porque é irmão do prefeito de Maringá (Silvio Barros/PP)”.

Em abril deste ano, o prefeito de Maringá foi condenado pelo Tribunal de Justiça do Paraná por improbidade administrativa. Quanto ao escândalo dos jatinhos, o ministro mais uma vez repetiu: “peguei muitas caronas, mas não lembro dos prefixos nem dos aviões”. Alvaro Dias perguntou: “É preciso saber se foi produzida mágica da multiplicação no valor de contratos a partir da utilização de jatinho por ministros”. Aloysio Nunes perguntou se o ministro lembrava de ter pego “carona” em um a King Air P-AJT, pertencente ao empresário Paulo Francisco Tripoloni, dono da empresa Sanches Tripoloni e se autoriza a Anac a divulgar os deslocamentos feitos nos últimos dois anos dessa aeronave. Paulo Bernardo autorizou essa divulgação. Agora os senadores tucanos vão encaminhar os seus questionamentos à Anac. Ao final da participação da bancada do PSDB nessa audiência, o senador Cyro Miranda perguntou se o ministro sabia que o Tribunal de Contas da União (TCU) considerou Sanches Tripoloni inidônea em maio de 2009, ou seja, proibida de fazer negócios com a administração pública, e mesmo assim ele beneficiou a empresa.

“Parece que a empresa foi considerada inidônea e depois foi revogada essa classificação no TCU”, respondeu Paulo Bernardo. “Não tenho procuração para defender a Sanches Tripoloni, mas o sistema não libera nada se a empresa constar como inidônea. Com certeza esse problema já tinha sido resolvido quando os recursos foram liberados”, complementou.


3 comentários

  1. ex compaanhero
    quarta-feira, 31 de agosto de 2011 – 15:46 hs

    Qinhentos paus nao é pouca coisa, isso é que nem baton na cuéca seu Ministro. Talvez a Terezinha explique.
    Um petista a mais querendo explicar o inexplicável.

  2. ivanowski
    quarta-feira, 31 de agosto de 2011 – 22:55 hs

    . Parabéns, Sen Álvaro Dias, pela atuação contra esse Governo de ‘trambiqueiros’.

    . MELHOR SENADOR DO PR DE TODOS OS TEMPOS .

  3. Jorge Pacheco
    quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012 – 16:06 hs

    O tempo passou e tudo foi esquecido, a Construtora em questão
    continua trabalhando e desviando o dinheiro, é isso em uma grande
    obra grandes valores são desviados, e está claro qeu o PT tem
    interesse pois parte dos desvios vão para seus bolsos, quer
    dizer fica tudo em casa, e o povo, bem o povo é um mero detalhe
    não faz diferença, a se a coisa fosse séria, a corrupção seria
    punida com cadeia, mas aqui além de não se ter punição
    os corruptos são agraciados com aditivos para aumentar os
    valores, é isso, isso é Brasillllll.

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