Ministro do Turismo diz que só sai se Dilma ou PMDB quiserem | Fábio Campana

Ministro do Turismo diz que só sai se Dilma ou PMDB quiserem

O ministro pemedebê Pedro Novais (Turismo) tenta explicar, em sessão conjunta de três comissões da Câmara, o escândalo que arde em sua pasta.

A despeito da operação da PF, das manifestações do Ministério Público e do noticiário oceânico, Novais reconheceu os malfeitos apenas como vaga possibilidade:

“Se houve deslizes ou irregularidades, eu não sei. Mas admito que algo pode ter havido (!?!). De qualquer maneira, isso está sendo corrigido e será eliminado.”

O principal alvo da investigação que converte o Turismo em escândalo é um convênio de R$ 4,45 milhões.

O dinheiro foi ao orçamento do ministério graças a uma emenda da deputada Fátima Pelaes (PMDB-AP).

Repassada à ONG Ibrasi, a verba deveria ter financiado cursos de profissionalização no setor turístico. Jamais foram ministrados.

Estima-se que pelo menos R$ 3 milhões tenham sido desviados. Os desvios foram detectados, primeiro, por auditors do TCU.

O convênio é de 2009, época em que Lula presidia o país e Novais ainda não era ministro. Porém…


…Porém, a última parcela foi liberada já na administração de Dilma Rousseff, sob Pedro Novais.

Na Câmara, o ministro saiu-se à moda Lula: “Eu não sabia.” Havia na equipe de Novais, contudo, pelo menos um personagem que sabia muito bem o que se passava.

Chama-se Frederico Silva da Costa. Frequentava a pasta do Turismo desde 2003, ano inaugural do primeiro reinado de Lula.

Nomeado ministro na cota do PMDB, Novais promoveu Frederico à Secretaria-geral da pasta, segunda posição na hierarquia da pasta.

Preso pela PF junto com outras 35 pessoas, Frederico demitiu-se depois de deixar a prisão. Inquirido sobre o personagem, Novais defendeu-lhe a competência:

“Ele é um dos funcionários mais conceituados deste ministério. Tanto que passou por diversos cargos e eu o promovi a secretário-executivo…”

“…A escolha coube a mim, porque além da qualidade que mencionei ninguém entende mais do relacionamento com o Ministério do Planejamento…

Ministério “…que é quem disponibiliza recursos. Eu precisava dele naquela função, por isso o nomeei.”

Recordou-se a Novais que, antes de ser efetivado como secretário-geral, Frederico já frequentava o noticiário vinculado a outras suspeitas.

Espremido, o ministro saiu-se assim: “É muito fácil a gente julgar depois do acontecido. […] Encaminho a varredura [dos nomes escolhidos’ para a Casa Civil…”

“…O Frederico Costa já vinha sendo funcionário desde 2003. Por que só eu é que tinha a obrigação de conhecer esse fato?…”

“…Se a ficha dele era ótima para todos… Era respeitado no Senado, na Câmara, na Casa Civil, por todos. Não me caberia adivinhar isso.”

Perguntou-se a Novais se cogita pedir demissão. E ele: “Só existem três formas de eu sair do Ministério do Turismo…”

“A primeira é se a presidenta Dilma quiser que eu saia. A segunda, se eu deixar de ter o apoio do meu partido. A terceira é se eu adoecer.”

Dilma já disse e reiterou que confia em Novais. O PMDB e o amigo José Sarney dão-lhe apoio. A despeito da idade avançada (81 anos), o ministro parece vender saúde.


Um comentário

  1. joao
    quinta-feira, 18 de agosto de 2011 – 10:10 hs

    Acho que o povo que tem que querer, e ele quer.

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