Ideli diz que aliança PMDB-PT é a 'espinha dorsal do governo' | Fábio Campana

Ideli diz que aliança PMDB-PT é a ‘espinha dorsal do governo’

Ao acionar seus agentes para cumprir mandados de prisão no Ministério do Turismo, a Polícia Federal não recebeu uma mísera palavra de estímulo do governo.

O Planalto peocupou-se em prestigiar o principal parceiro político de sua coligação. Batizada de Operação Voucher, a ação policial inspirou uma iniciativa paralela.

Após reunião palaciana conduzida por Dilma Rousseff, o governo deflagrou o que um auxiliar da presidente chamou de “Operação Amansa PMDB.”

Enviada ao Senado, a ministra Ideli Salvatti, operadora do balcão, reuniu-se com os senadores do PMDB.

Apressou-se em avisar que a solidariedade de Dilma com a legenda, no comando da pasta do Turismo, é “irrestrita.”

Ideli ouviu dos senadores, entre eles o líder Renan Calheiros (PMDB-AL), críticas ao suposto “abuso” da Polícia Federal.

Munida de panos quentes, Ideli disse a ação da PT surpreendera a própria Dilma. Segundo a versão da ministra, o Planalto não foi informado da ação.

Dilma só soube do que estava por vir no início da manhã. Quando o ministro José Eduardo Cardozo (Justiça) lhe contou, já estavam em campo os 200 agentes que a PF destacou para realizar as prisões.

À saída do encontro com os senadores, Ideli declarou que o governo não toleraria eventuais excessos da Polícia Federal.

Antes, a ministra Gleisi Hoffmann (Casa Civil), petista como Ideli, havia tocado o telefone para o colega Pedro Novais (Turismo).

Gleisi disse ao ministro pemedebê que a ação da PF não o tinha como alvo. Referia-se a convênio celebrado em 2009, ainda na gestão Lula.

Comandate licenciado do PMDB, o vice-presidente Michel Temer obtivera a mesma informação numa conversa telefônica com o ministro Cardozo.

Superior hierárquico da PF, o petista da Justiça dissera a Temer que, além de ser de 2009, a encrenca envolvia gente do PT.

Em telefonemas a lideranças do PMDB, Temer cuidou de calibrar-lhes a reação. Até então, a atmosfera era de franca animosidade.

A tribo dos pemedebê tomava as prisões do Turismo como um plano do Planalto para adensar a atmosfera de desgaste iniciada com as denúncias da Agricultura.

Na Agricultura, alvejaram-se dois expoentes do partido: Romero Jucá, que teve o irmão Oscar Jucá Neto demitido da Conab; e Temer, padrinho do ministro Wagner Rossi.

No Turismo, imaginava o PMDB, desceria à vala comum José Sarney, que endossou a indicação do deputado maranhense Pedro Novais para a posição de ministro.

Desfeito o mal-estar, os líderes do PMDB puseram-se a realçar que a investigação se referia a uma fase em que o PT dava as cartas no Turismo.

O problema é que há entre os 35 presos um ex-deputado do PMDB baiano, Colbert Martins, secretário Nacional de Desenvolvimento de Programas de Turismo.

Embora nomeado em março de 2011, Colbert foi recolhido ao `PF’s Inn’ por conta da encrenca de 2009. Liberou a última parcela de um convênio micado de R$ 4,45 milhões.

Havia pareceres técnicos recomendando a liberação, alerdeou a cúpula do PMDB. A prisão seria parte do abuso de que falaram os senadores a Ideli. Porém…

…Porém, afagado pelas ministras petistas de Dilma e orientado por Temer, o PMDB passou a atribuir o suposto excesso ao Ministério Público e à Justiça, não mais ao Planalto.

À noite, como lhe pedira Gleisi mais cedo, Pedro Novais divulgou nota na qual informa sobre a suspensão de convênios e a requisição de auditoria da CGU.

Parte dos presos foi transferida de Brasília para Macapá, onde corre o inquérito que apura os malfeitos do Turismo.

A imagem de um Colbert algemado (lá no alto, na foto do centro), sendo conduzido ao avião que levou os presos à capital do Amapá, voltou a acender o pavio do PMDB.

Para os líderes do partido, a cena injetou humilhação no abuso. As primeiras críticas, porém, soaram em privado.

Ao final do dia, a “Operação Amansa PMDB” revelou-se um sucesso. O episódio expôs, contudo, a tensão e a desconfiança que permeiam as relações do partido de Temer com a legenda de Dilma.


4 comentários

  1. ivanowski
    quarta-feira, 10 de agosto de 2011 – 8:52 hs

    . Vê se pode isso ??
    . Tem jeito de ser ministra?

    . E Senadores, Deputados e toda tribo de políticos em Brasília, DÃO ATENÇÃO à Ministra de Diuma …

    . Pode ???

  2. Ed
    quarta-feira, 10 de agosto de 2011 – 14:09 hs

    Lógico, né? Para quem até beijou o Sarney na boca!

  3. tony
    quarta-feira, 10 de agosto de 2011 – 17:52 hs

    Como é bom ser ministra, dá para se conseguir angariar uns bons quilinhos. Também com cama e comida grátis, até eu ganharia uns bons quilinhos. Tony

  4. Beto
    quarta-feira, 10 de agosto de 2011 – 21:29 hs

    Tá gordinha né??
    Falando sério…
    essa onda de denuncismo nos ministérios é para desviar a atenção o foco da corrupção é Paulo Bernardo e Gleisi
    anel rodoviario de Maringá e por aí a fora …. vamos investigar

Deixe seu comentário:

Campos obrigatórios estão marcados com *

*

*