Planalto prepara 'reação' a eventual retaliação do PR | Fábio Campana

Planalto prepara ‘reação’ a eventual retaliação do PR

Do Josias de Souza

Apeado do Ministério dos Transportes e desmoralizado no notíciario, o Partido da República organiza para a próxima semana um encontro de seus caciques.

Vai a debate uma interrogação: vale a pena continuar apoiando o governo Dilma Rousseff no Congresso?

Dilma e seus operadores consideram remota –“remotíssima”, no dizer de um auxiliar da presidente— a hipótese de o PR migrar para a oposição.

Porém, avalia-se que um pedaço da legenda, submetido à asfixia dos Transportes, deve evoluir da fidelidade para a conspiração contra o governo.

Em resposta, o Planalto planeja dividir o PR, isolando os aliados tóxicos e prestigiando os que se mantiverem fieis.

A operação envolve riscos. Mas, a julgar pelo que diz em privado, Dilma parece decidida a esticar a corda.

Chama-se Valdemar Costa Neto (PR-SP) o principal personagem da encrenca. Por determinação de Dilma, será desligado da tomada.

O problema é que o deputado Valdemar, secretário-geral do PR, é quem controla a legenda.

No papel, o presidente é o ex-ministro e senador Alfredo Nascimento (AM). No mundo real, quem dá as cartas é o mensaleiro Valdemar.

Na avaliação do Planalto, o poder de Valdemar cresce desde Lula na proporção direta da influência dele na máquina estatal.

Imagina-se que, afastado do cofre dos Transportes, Valdemar vai experimentar uma natural e gradativa perda de influência no partido.

Para apressar o processo, Dilma planeja cacifar os líderes do PR que, embora insatisfeitos com o monopólio de mando de Valdemar, jamais o confrontaram.

Encabeçam a lista os senadores Blairo Maggi (MT) e Clésio Andrade (MG). Serão estimulados a medir forças com Valdemar.

Embora periférico no condomínio governista, o PR não é uma legenda negligenciável. Na Câmara, soma 41 votos. No Senado, seis.

Parêntese: na fase pré-crise, os senadores do PR jantaram no Alvorada e posaram sorridentes ao lado da anfitriã. Foto lá no alto. Fecha parênteses.

Há na Câmara um problema adicional. O PR lidera um bloco integrado por outros sete partidos: PRB, PTdoB, PRTB, PRP, PHS, PTC e PSL.

No total, esse bloco leva ao painel eletrônico da Câmara 64 votos. Cuida-se de afastar os 23 que não são do PR de eventuais movimentos de rebeldia.

Além de monitorar Valdemar e suas adjacências, o Planalto mede os passos do deputado Anthony Garotinho, visto como uma espécie de “bala perdida”.

Presidente do diretório do PR no Rio de Janeiro, Garotinho paira sobre a liderança de Valdemar.

Além de dispor do próprio voto, ele exerce influência sobre os outros seis deputados que integram a bancada fluminense do PR.

A tática da divisão espanta os demais partidos da coligação de Dilma. Receia-se que, bem sucedida no PR, a presidente se anime a impor o método a outros aliados de “dois gumes”.


3 comentários

  1. PAULISTA DA PAZ
    terça-feira, 26 de julho de 2011 – 12:06 hs

    cuidem-se aliados da Dilmandona

  2. terça-feira, 26 de julho de 2011 – 12:33 hs

    A tal FAXINA da Dilma é SELETIVA, como bem diz Merval Pereira em O Globo.

    Elles só fazem o que os deixa , bem na fita. E a marola continua como enganação típico desse governico.

  3. ivanowski
    terça-feira, 26 de julho de 2011 – 14:47 hs

    . No Gov do PT da Dilma é “só alegria e maracutaia”. Veja a foto. Diz tudo e + um pouco …
    rsrsrs

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