Marcha das Vadias: um protesto contra o estupro e a violência doméstica | Fábio Campana

Marcha das Vadias: um protesto contra o estupro e a violência doméstica

Jadson André da Banda B

As mulheres cansaram de ser agredidas e resolveram escandalizar a sociedade em função disso. Os recorrentes casos de estupro, violência doméstica e contra crianças impulsionaram uma ação que começou no Canadá, com o nome “Slut Walk” – traduzido para o português como “Marcha das Vadias” – e já tomou as ruas de cidades em 20 países. A marcha, que chega a Curitiba e deve acontecer no próximo sábado (16), é uma nova versão dos movimentos feministas contra violência sexual; a diferença agora é que as mulheres resolveram chamar a atenção ainda mais, começando pelo slogan: “Não sou puta, não sou santa. Sou Livre”.

“O nome é acido, mas nós precisamos discutir essa acides. Vadia é um termo que veio da boca dos homens e nós precisamos desmistificá-lo. Tem maior apelo também, se fizéssemos uma passeata comum, o grito não teria a mesma força. As pessoas olham o termo e querem descobrir do que se trata, assim acabam tendo contado com as informações e abrem a cabeça”, explicou Ludmila Nascarella, atriz e produtora cultural que faz parte da organização do evento em Curitiba. O evento conta com mais de 10 mil pessoas confirmadas pelo Facebook.

De acordo com os organizadores, a cada 24 segundos uma mulher é agredida no Brasil. Mas o objetivo da marcha não é só levantar este alerta, a organização pretende abordar temas ligados ao abuso e violência contra crianças e os preconceitos sofridos pelas prostitutas – principais alvos de violência sexual – e homossexuais.

“Num caso de estupro, a mulher acaba levando parte da culpa sob o argumento de que ‘provocou’ o agressor devido a sua roupa ou seus gestos. Queremos uma educação que repudie o estupro ao invés de ensinar as mulheres se defenderem dele. Além disso, queremos mais liberdade para mulher exercer sua sexualidade sem preconceitos machistas”, salientou Ludmila.

O evento conta com a participação de vários órgãos do governo municipal e estadual, ligados principalmente a saúde e aos direitos humanos. Organizações não governamentais e outros movimentos sociais como o da Marcha da Liberdade de Expressão, também estão engrossando as fileiras da Marcha das Vadias.

Debate e passeata

A passeata de sábado tem saída programada para as 11h da manhã, do Passeio Público na capital. Nesta quinta-feira (14), a organização convocou entidades sociais e a imprensa para participar de um debate que será realizado na Reitoria da Universidade Federal do Paraná. Quem tiver interesse de participar do debate, que visa exatamente a desmistificação do termo “vadia”, além de discutir assuntos inerentes a proposta do movimento, pode comparece ao Anfiteatro 100, no edifício Dom Pedro I, rua General Carneiro nº 460, no centro de Curitiba. As discussões serão iniciadas a partir das 19h.


7 comentários

  1. LuAtena
    quarta-feira, 13 de julho de 2011 – 18:50 hs

    Em tempos de banalidade, realmente não há outra forma de chamar a atenção para assuntos que deveriam ser resolvidos por meio sanção estatal… A boa e velha melancia na cabeça parece ser aúnica maneira de fazer com quem alguém se importe com alguma coisa por aqui, mas há o risco da ridicularização da causa, o que infelizmente a tornaria ainda mais banal aos desatentos/desiludidos brasileiros. Quando vamos tratar assuntos sérios de forma séria???

  2. Ludmila Nascarella
    quarta-feira, 13 de julho de 2011 – 23:44 hs

    Obrigada pelo apoio!
    Vamos tornar Curitiba uma cidade mais livre!
    Um inicio abençoado ao movimento do basta!
    A sociedade ensina “não seja estuprada” ao invés de “Não estupre”!
    Doçura á todos!
    Respeito!
    Ludmila

  3. xereta
    quinta-feira, 14 de julho de 2011 – 8:45 hs

    É o fim do mundo mesmo! Querem respeito se desrespeitando!

  4. Valete de Paus ♣
    quinta-feira, 14 de julho de 2011 – 9:07 hs

    MARCHA DAS “VADIAS”… CARAMBA!!!
    SE FILMAREM ESSA MARCHA VAI ACONTECER UMA EPIDÊMIA DE SEPARAÇÃO E DIVÓRCIOS, DO QUE EU CONHEÇO DE GENTE QUE DEVERIA EMPUNHAR ESSA BANDEIRA, TEM ATÉ MÃE DE COMPANHEIRO DE TRABALHO…HEHEHEHEHEHE…

  5. valkiria polo
    quinta-feira, 14 de julho de 2011 – 11:31 hs

    me orgulho dessas meninas….mães,,,,
    trabalhadoras….
    se despem e mostram suas feridas….ainda sangram…
    vamos todas juntas formar esta marcha mais humana…
    só pedem …AMOR e RESPEITO….
    tão pouco…e tão vital….
    Valkiria

  6. Thiago Medeiros
    quinta-feira, 14 de julho de 2011 – 12:27 hs

    O local é bastante apropriado para este tipo de mulher.

  7. quinta-feira, 14 de julho de 2011 – 16:05 hs

    Caraca..cuidado com os termos usados…pra qualquer um, isso ai seria um encontro de rampeiras de beira de estrada…será que mulheres precisam mesmo desse tipo de marcha….usem a inteligencia pra conseguir as coisas, não é necessário se rebaixar tanto…

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