Nosso Tempo Digital leva história da fronteira para web | Fábio Campana

Nosso Tempo Digital leva história da fronteira para web

Na segunda, 20 de junho, o lançamento da exposição e do site do jornal Nosso Tempo, com a coleção inteira digitalizada. Na primeira fase figurei como editor por razões de exigência legal. Muito me honrou. Foi uma das experiências jornalísticas mais importantes feitas no país naquela época, quando jornalismo era para bravos, dispostos a enfrentar as agruras do regime fardado. Ave Aluizio Palmar.

SERVICO:
Lançamento Nosso Tempo Digital
Digitalização do acervo do jornal Nosso Tempo (1980-1994), publicação dos arquivos na internet e montagem de exposição.
Data: 20 de junho (segunda-feira)
Horário: 20 horas
Local: Salão de eventos do Hotel Foz do Iguaçu
Avenida Brasil, 97

Site com acervo do extinto jornal Nosso Tempo
será lançado em Foz do Iguaçu na segunda, 20

O Brasil enfrenta a ditadura militar. A população reivindica o fim do governo opressor, o fim da censura e a volta das liberdades civis. É nesse contexto que nasce o jornal Nosso Tempo. A primeira edição do semanário circula em 3 de dezembro de 1980, com uma corajosa capa denunciando a tortura em órgãos de segurança da cidade.
Durante grande parte da década de 1980, Nosso Tempo é o único jornal de uma região estratégica no contexto nacional. Cabe ao semanário registrar a história de Foz do Iguaçu, dos municípios do Oeste do Paraná, do Paraguai e da Argentina, os governos, as manifestações populares, as transformações da sociedade, enfim, o dia a dia de uma zona de conflitos constantes.
Trinta anos após a primeira edição, a quase centenária Foz do Iguaçu ganha um presente para a preservação da sua história. O acervo do jornal foi recuperado, digitalizado e publicado na internet. Agora será possível fazer uma releitura histórica visitando o site Nosso Tempo Digital, a ser lançado segunda-feira, 20, no salão de eventos do Hotel Foz do Iguaçu.
Além da apresentação do portal, será lançada uma exposição com a reprodução de 40 capas e páginas históricas do jornal. A edição retrata bandeiras levantadas por Nosso Tempo, como a luta para derrubar a ditadura no Brasil e no Paraguai, a liberdade de expressão, solidariedade aos árabes, Diretas Já, manifestações populares, e entrevistas com pioneiros.
O evento também pretende integrar gerações, fazer uma ponte entre quem viveu o extinto “nanico” da imprensa alternativa (personagens, editores, trabalhadores e apoiadores) e os moradores da cidade, como trabalhadores de diferentes áreas, estudantes, universitários, jornalistas, sindicalistas, e educadores.

O projeto – A primeira etapa do projeto reúne as 387 edições de 1980 a 1989. Esse material estava disponível apenas em coleções particulares e na Biblioteca Municipal. O acervo, entretanto, tem se deteriorado com o tempo, correndo o risco de desaparecer com o passar dos anos. Já a segunda etapa do projeto, com a digitalização das edições de 1990 a 1994, será lançada no segundo semestre.
O projeto é um sonho antigo e uma realização de MEGAFONE – Rede Cidadania na Comunicação, com patrocínio da Itaipu Binacional e Uniamérica. Apoiam a iniciativa o Sindicato dos Jornalistas do Paraná (Subseção de Foz do Iguaçu), Casa da América Latina, Guatá – Cultura em Movimento, e Centro de Direitos Humanos e Memória Popular.
O objetivo dos organizadores é preservar a memória da cidade, facilitar o acesso à história local e regional registrada pelo Nosso Tempo, democratizar a consulta ao acervo aliando alta tecnologia e as facilidades da internet, além de estimular a digitalização de outros documentos.
Antes a pesquisa era restrita, com horários delimitados, e consumia muito tempo de leitura. Agora uma pesquisa pode ser feita em segundos com a digitação de palavras-chaves no buscador.
“Com a publicação do acervo na web, queremos fazer jus aos conceitos de democratização da informação, acessibilidade de pesquisa e releitura histórica. Esses são os pilares do Nosso Tempo Digital. Com ele é possível viajar no passado para entender melhor nosso presente e assim contornar o esquecimento seletivo a quem interessa apagar o passado!”, afirmou o jornalista Alexandre Palmar, um dos organizadores do projeto.
Para Wemerson Augusto, também jornalista e organizador, “o projeto alia tecnologia e memória. Ler, reler e digitalizar o Nosso Tempo foi muito bom. Já digitalizados, os arquivos ajudarão os leitores a compreender melhor parte da história das Três Fronteiras, do contexto do país na época e dos anseios da população”.
Conforme o jornalista e organizador Douglas Furiatti, o pioneirismo do projeto é importante para abrir caminho à digitalização em Foz do Iguaçu e região. “O Nosso Tempo Digital não apenas imortaliza um valoroso jornal que circulou na cidade como abre a possibilidade de outros veículos impressos seguirem o mesmo caminho. Não se trata de uma edição diária on-line, e sim de todo o conteúdo veiculado na história dos periódicos publicado num site específico”, ressaltou Furiatti.

O jornal – Em 1980, o general João Figueiredo é presidente do país. Ney Braga governa o Paraná, e Clóvis Cunha Viana é o prefeito de Foz do Iguaçu. Nenhum dos três chega ao posto por meio do voto direto dos eleitores. O editorial da edição de estreia de Nosso Tempo revela a linha de atuação: “Nossa liberdade nos dará condições de falar de tudo e de todos, promover o que é válido e combater o que nos pareça condenável. Não faremos do jornal um imenso frio noticiário desalmado…”. É assim ao longo dos anos 80. Para viajar pelas páginas do jornal visite www.nossotempodigital.com.br.


2 comentários

  1. rodrigo lopes haderchpek
    terça-feira, 21 de junho de 2011 – 0:06 hs

    eu estiv no evento e prstegiei,; com trajado com uma camiseta do mst e um bone do che, mas gostei muito agora vamos ter um ecelente material de pesquissa para produçao, academica
    e tanben para fims politicos

  2. terça-feira, 21 de junho de 2011 – 13:28 hs

    Realmente os organizadores estão de parabéns!
    O evento foi lindo, as falas foram muito boas…
    E sem contar que a idéia do projeto também é realmente incrível. Muito bom para que nós que nascemos já no fim da ditadura possamos conhecer um pouco mais da história dessa cidade!

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