Educadora acusada de assédio desabafa: "a pressão foi terrível mas a verdade prevaleceu" | Fábio Campana

Educadora acusada de assédio desabafa: “a pressão foi terrível mas a verdade prevaleceu”

De Denise Mello e Antonio Nascimento da Banda B

A educadora Lucilene Geffer, de 25 anos, disse que ficou aliviada com a divulgação do laudo oficial do Instituto Médico Legal (IML) que descartou a possibilidade de abuso sexual em uma criança de 3 anos do CMEI do Bonfim, em Almirante Tamandaré, região metropolitana de Curitiba. Lucilene foi acusada pela mãe da criança de ter abusado sexualmente da filha durante o horário em que ela estava na creche. A denúncia foi feita na delegacia da cidade na última quarta-feira (22).

Lucilene participou da reunião com os pais promovida nesta quarta-feira (29) pela manhã, pela Secretaria da Educação do município. Ela disse que o pesadelo acabou. “Estou aliviada, vivi uma pressão muito grande nos últimos dias por ser acusada de uma coisa que não fiz. Nem conhecia direito a criança. Fiquei muito assustada com tudo isso, mas estou com a consciência tranquila”, disse a educadora à Banda B.

Lucilene é estagiária do CMEI Bonfin há três meses. Ela foi acusada pela mãe da criança, Regiane de Fátima, de ter abusado da filha usando o cabo de uma vassoura nas partes íntimas. O abuso foi descartado pelo laudo médico. Na reunião hoje de manhã, o secretário de educação, Romildo Brito, apresentou o laudo para Regiane, que disse não estar convencida. “Minha filha está machucada e esse laudo não me convenceu. Estou revoltada e vou tirar meus dois filhos daqui”, disse a mãe. A criança apresenta, segundo o laudo, uma pequena fissura na virilha e a polícia investiga como a lesão foi causada.

O prefeito de Almirante Tamandaré, Vilson Goinski, reuniu hoje cerca de 50 pais no CMEI Bonfin e esclareceu o laudo que desmente o abuso. Ele explicou que, num primeiro momento, afastou a educadora temporariamente para investigar o caso e que está convencido de que tudo não passou de uma grande armação política. “Não culpo a mãe da criança, que ficou transtornada, mas o laudo deixa claro que não houve nenhum abuso. Hoje, estamos aqui para um ato de desagravo à educadora e a todos os profissionais da educação de Almirante Tamandaré que foram vítimas de calúnia nos últimos dias. Tudo leva a crer que esta denúncia foi armada por uma ex-funcionária que foi demitida há um ano. A polícia está investigando”, disse Goinski.

Revolta

A denúncia provocou grande revolta na população na última semana. O CMEI chegou a ser alvo de vandalismo no último domingo (26) e muitas funcionárias foram hostilizadas. “Fiquei arrasada. Todos nós aqui saíamos na rua e éramos apontados com revolta. Todo o nosso trabalho foi colocado em dúvida. Vivemos um inferno. Onde colocávamos a cara tinha gente nos acusando”, disse a copeira do CMEI Joana Charney.

Outra funcionária que prefere não se identificar, disse que acertaram uma pedrada em seu carro na segunda-feira quando saía do trabalho.

A investigação na delegacia de Almirante Tamandaré prossegue para saber se a denúncia teve interesse político e se a pequena lesão externa que aparece na criança foi causada por alguma agressão dentro ou fora da creche.


7 comentários

  1. Professor Pedro - Ivaiporã
    quarta-feira, 29 de junho de 2011 – 17:20 hs

    EM CASOS COMO ESTES, A CAUTELA É ESSENCIAL. NÃO VOU DIZER QUE SEJA O CASO, MAS, HÁ MUITAS PESSOAS INESCRUPULOSAS QUE POR NÃO SIMPATIZAR SIMPLESMENTE COM ALGUÉM OU QUERER DESTRUÍ-LA, UTILIZA-SE DAS MAIS DIVERSAS ARMAS, ESPERO QUE NAO TENHA SIDO O CASO DESTA MÃE, E ESPERO, MAIS AINDA, QUE A EXPLICAÇÃO DA LESÃO, SEJA MELHOR ESCLARECIDA, PARA O BEM TANTO DA CRIANÇA, QUANTO DESTA INOCENTE EDUCADORA QUE INICIA SUA VIDA PROFISSIONAL DE FORMA TÃO CONTURBADA.

  2. tony
    quarta-feira, 29 de junho de 2011 – 21:54 hs

    Quem foi abusada não foi a criança, mas a educadora, porque acusar alguém de abuso sexual não é moleza. A moça foi linchada moralmente. Agora quero ver a mãe da menina abusada arrumar aquela grana do dano moral a que vai ser condenada. Fique esperta, porque vem chumbo grosso aí, mãe maluca. Tony

  3. M.A.S
    quarta-feira, 29 de junho de 2011 – 22:49 hs

    Tem alguém querendo descarregar a raiva em alguém.
    Essa história como já disse é coisa séria e precisa ser tratada com muita seriedade para que alguém não se machuque.
    No caso a mãe da menina, que não consegue acreditar na honestidade da professora.

  4. Verdade
    quarta-feira, 29 de junho de 2011 – 23:23 hs

    Concordo com o professor Pedro, muitos larápios só acusam e nunca provam nada. O que deveria fazer é: Se acusou e não tem prova, deveria ir parar na cadeia! Só assim esses pilantras pensariam duas vezes antes de acusar alguém de alguma coisa.

  5. Dizao
    quinta-feira, 30 de junho de 2011 – 7:59 hs

    casos acontecidos, apontam grandes erros, que causam prejuízos irreparáveis, mesmo depois de esclarecido o caso, vai ficar marcado para sempre, nas pessoas envolvidas. Por isso deve ter o máximo de cudiado em lidar com a honra alheia.

  6. GLOSTORA
    quinta-feira, 30 de junho de 2011 – 9:05 hs

    Querida Lucilene, o que você passou não desejo para ninguém, você foi condenada sem julgamento. Não deixe barato, exija reparação por danos morais de quem quer que seja. Até traficantes não tem seus nomes publicados por precaução, o seu foi.

  7. Parreiras Rodrigues
    quinta-feira, 30 de junho de 2011 – 11:30 hs

    O resultado de pré-julgamentos que mais se assemelham a pré condenações.

    E também o resultado da generalização: A acusação foi estendida à toda à classe, como na política, como no caso dos padres pedófilos, dos pastores vigaristas, dos policiais venais, etc…

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