Pedágio virou "saco do Papai Noel" | Fábio Campana

Pedágio virou “saco do Papai Noel”

Artigo de Ademar Traiano*

O pedágio virou uma espécie de “saco do Papai Noel” da política do Paraná. E não é de hoje. Em 2002, Roberto Requião se elegeu governador prometendo “baixar ou acabar com o pedágio”. Passados quatro anos não havia nem baixado e muito menos acabado com o pedágio. Ao contrário, Requião havia dado, a Caminhos do Paraná, mais um trecho para explorar, na Lapa. As tarifas continuaram subindo no ritmo previsto pelos contratos, apesar de dezenas de ações judiciais anunciadas com muito ruído e nenhum resultado prático.

Em 2006, Requião conseguiu se reeleger vendendo o mesmo peixe. Era preciso dar tempo para as ações judiciais frutificarem. Também prometia a construção das “estradas da liberdade”. Estradas de ótima qualidade que seriam construídas pelo governo do Estado, paralelas as rodovias com pedágio que dariam uma alternativa a custo zero ao motorista paranaense. Tudo isso se revelou mais uma enganação. As ações judiciais tiveram efeito nulo e as tais “estradas da liberdade” provaram ser mais uma ficção, gênero em que o ex-governador é muito produtivo.

Quem pensava que o pedágio já havia dado o que tinha que dar depois de dois estelionatos eleitorais sucessivos, uma surpresa. Bastou o governador Beto Richa anunciar que busca uma solução negociada para o impasse, estabelecendo uma trégua nas centenas de ações judiciais enquanto se tenta uma redução das tarifas para que a oposição – a mesma que passou os últimos oito anos sem conseguir obter resultado algum – gritasse que o governo está errado em negociar, pois ela tem uma solução para o problema do pedágio. Se essa solução maravilhosa existe, porque não a usaram? Falei por várias vezes sobre o tema na tribuna da Assembleia Legislativa.

O PT governou o Paraná junto com Requião nos últimos oito anos. Ocupando Secretarias e a liderança do governo na Assembléia duas vezes, com os deputados Ângelo Vanhoni e Natálio Stica. Mas jamais o PT mostrou ter uma fórmula para desatar o nó do pedágio. Não reduziram nem um centavo das tarifas. Agora sabem tudo o que precisa ser feito. Esse pessoal só fica criativo quando está na oposição.

A bancada de oposição na Assembléia, em especial a do PT, pretende impor vetos ao que pode ser negociado pelo governador Beto Richa com as concessionárias do pedágio. Um dos vetos é sobre um eventual alongamento dos atuais contratos em troca de redução de tarifa. O estranho é que, durante a campanha eleitoral do ano passado, disputando o governo de São Paulo, Aloizio Mercadante, estrela do PT, admitiu ampliar a duração dos contratos de pedágio, tendo como contrapartida a redução de tarifas. O PT pode alongar contratos em São Paulo, o Paraná não pode.

Aos fatos. Ninguém mais pensa em acabar com o pedágio. Ele veio para ficar porque o Estado moderno não tem mais recursos para investir em estradas. Nem a população – que não quer voltar àquelas estradas medonhas que existiam antes – nem o governo federal do PT, que privatizou diversas rodovias federais, querem o fim do pedágio.

O que precisamos fazer é o que está sendo feito. Com maturidade, com bom senso, sentar e negociar com as concessionárias uma redução das tarifas que são – ninguém contesta – muito altas. O que não dá é impor vetos antecipados ao que pode ser negociado. Tudo pode ser negociado, desde que seja para o bem do povo do Paraná.

Está provado que a arrogância e a prepotência não funcionam. Negociar é o melhor, senão o único caminho. O governador Beto Richa está percorrendo essa trilha para oferecer aos paranaenses boas estradas, duplicações e obras de engenharia a preços aceitáveis. Essa meta será atingida pelo diálogo, não pela bravata ou demagogia.


9 comentários

  1. Catulo
    sexta-feira, 27 de maio de 2011 – 15:05 hs

    Quase sem propaganda?
    hahaha
    O pedágio nunca vai acabar! e a tarifa também não vai baixar!
    Quanto a capacidade de enganar, através da mídia, sabemos que é muito alta!
    Não vamos longe, pra ver os investimentos “bem sucedidos” do nosso governador! Caso da linha verde, hoje visto como uma “barbarie” da engenharia.
    Como sita o nosso líder de governo, “obras de engenharia e duplicações”, se forem como estas feitas pelo Beto em Curitiba, prefiro que nem comece!

  2. Geraldo
    sexta-feira, 27 de maio de 2011 – 15:26 hs

    tá certo o deputado, chega de demagogia com o pedáio. se o beto baixar a tarifa sai consagrado.

  3. Jango
    sexta-feira, 27 de maio de 2011 – 15:29 hs

    Tem razão o deputado Traiano.

    Nada contra a abordagem do problema tomada pelo governo atual.
    Se queremos todos uma solução para a tarifa elevada (pafra ficar só neste item) temos que estabelecer diálogo.
    Mas este é só um lado da questão.

    O outro é a responsabilização dos governantes estelionatários (um abaixou ficticiamente o preço da tarifa às vésperas de eleições; outro fez prometeu o “pedágio baixa ou acaba”) pelo passivo judicial ocasionado com suas “políticas” e aditivos contratuais e um lote de 140 ações na Justiça, acarretando passivo judicial de mais de 300 milhões informados pelas próprias concessionárias.

    Até que ponto podem governantes usar dos “mecanismos” do Estado para causar prejuízo ao erário público de tal monta sem resolver uma questão não somente administrativa mas eminentemente social, e sem que até o momento se apure se houve improbidade em tais iniciativas detrimentosas ao erário público e à sociedade ?

    A sociedade consciente, séria, que paga os tributos espera consequências para ambos os lados do problema.

  4. Sadi Melchiades
    sexta-feira, 27 de maio de 2011 – 15:56 hs

    O pedágio não baixou e nem acabou. Agora estão querendo ampliar os contratos com as concessionárias até o ano de 2037. O que estamos assistindo é que os “frutos” dessa barbárie serão colhidos (ou engolidos) por nossos filhos e netos. O bom dessa história toda é que até lá a maioria desses larápios (governo e donos de concessionárias) já estarão com os pés juntos, livrando a sociedade de suas incômodas convivências.

  5. Borduna
    sexta-feira, 27 de maio de 2011 – 16:22 hs

    É, mas o povão goshhhhhhhhhhhhhta. Elegeram Bob Req Senador….

  6. João
    sexta-feira, 27 de maio de 2011 – 16:39 hs

    Diz-se “cita”, não “sita”.
    Mas, por qual motivo os contratos do pedágio não são amplamente divulgados?
    Onde está a supremacia do interesse público? O Judiciário se esqueceu dela?

  7. jurandir
    sexta-feira, 27 de maio de 2011 – 17:18 hs

    depois de oito anos de demagogia é hora de dar espaço para o bom senso.

  8. SAMURAI
    sábado, 28 de maio de 2011 – 6:36 hs

    Pedágio para Santa Catarina custa R$ 1,40 e no Paraná !?
    É uma vergonha !!!

  9. Maicon Santos
    domingo, 29 de maio de 2011 – 19:17 hs

    Não adianta criticar quem tentou acabar ou baixar o pedágio como fez Requião, temos que criticar o governador Jaime Lerner que foi quem criou estes contratos absurdos para o povo Paranense.

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