Osmar apoia Enio Verri e não enfrenta Alvaro | Fábio Campana

Osmar apoia Enio Verri e não enfrenta Alvaro

Do O Diário

Candidato ao governo Estado em 2010 e aliado estratégico da presidenta Dilma Rousseff (PT) no Paraná, o ex-senador Osmar Dias (PDT) era apontado como nome forte para compôr o primeiro escalão do governo federal. O esperado posto de ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, no entanto, caiu no colo do advogado Vagner Gonçalves Rossi (PMDB) – partidário do vice-presidente Michel Temer.

Quando muitos questionavam o futuro político de Osmar, veio a indicação de Dilma para que ele ocupasse a vice-presidência de Agronegócios e Micro e Pequenas Empresas do Banco do Brasil, cargo do qual tomou posse no último dia 19. Em entrevista a O Diário, Osmar falou sobre os desafios no novo cargo e citou uma série de “nãos”.

Desmentindo boatos, disse que não será candidato a prefeito de Maringá e que não dará apoio ao (ex)amigo e companheiro de PDT, o vice-prefeito de Maringá, Carlos Roberto Pupin, com quem se desentendeu depois das eleições. Seu candidato será o deputado estadual Enio Verri (PT).

Disse também que é cedo para pensar nas eleições de 2014, mas adiantou que não disputará cargo eletivo contra seu irmão, o senador Alvaro Dias (PSDB). Citando o governador do Paraná, Beto Richa, disse que não se governa apenas de gabinete e que é preciso visitar mais o interior.


Disse que não está de pleno acordo com o novo Código Florestal Brasileiro e, no término da entrevista, confirmou presença na Expoingá, em 6 de maio.
“Por questão de inteligência, não perco tempo com determinados blogs. Seria uma honra ser prefeito da minha cidade,mas esse não é o momento.”
Osmar Dias: “O PDT não tem nenhum nome em Maringá que possa figurar como candidato em 2012. No momento, a gente tem conversado com o candidato do PT, o deputado estadual Enio Verri.”

O Diário – Por escolha pessoal da presidenta Dilma, o senhor foi nomeado vice-presidente de Agronegócios e Micro e Pequenas Empresas do Banco do Brasil (BB). Foi uma surpresa ou a indicação já era esperada?

Osmar Dias – Quando você participa de um processo eleitoral como aquele que eu participei, com um esforço imenso para conseguir uma grande votação no Paraná para a presidente Dilma, você é incluído no processo de governança. Preparei-me a vida inteira para assumir um cargo no Executivo. Não fui eleito governador, mas posso ser importante nesse cargo que a presidente escolheu, porque está dentro da minha área.

O Diário – Sua presença na vice-presidência altera a política do BB para o agronegócio? O que o paranaense pode esperar do senhor à frente dessa pasta?

Osmar Dias – O Paraná será sempre a minha prioridade. Pretendo apresentar algumas propostas, como ampliar a participação do banco no combate à pobreza rural e urbana. O grande esforço será incluir mais famílias no Pronaf [Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar], que cresceu bastante em volume de recursos, mas precisa crescer em famílias. Hoje são atendidas 1,3 milhão de famílias pelo Pronaf e creio que dá para ampliar esse número. Os programas de geração de renda e inclusão social têm de ser permanentes e não se pode dispensar um instrumento da importância do Banco do Brasil para acelerar esse processo.

O Diário – Ser ministro da Agricultura está nos seus planos?

Osmar Dias – Meu objetivo era ser governador, para colocar em prática um projeto de Estado baseado num conhecimento que acumulei nesses anos de vida pública. Neste momento, estou feliz com essa missão que me foi dada e pensando apenas em desempenhar bem o meu papel. Não pedi para vir para cá [BB] e não vim com o espírito de receber retribuição pelo meu esforço na campanha eleitoral. Vim porque tenho condições de dar boa contribuição, senão não viria.

O Diário – E quanto às eleições de 2014, seus planos são de disputar o Senado Federal ou se lançar novamente para o governo do Paraná?
Osmar Dias – É muito cedo para tomar essa decisão. Tenho uma missão no Banco do Brasil e até 2014 vou trabalhar muito para atender às expectativas da presidente Dilma.

O Diário – Nas eleições do ano passado, o senador Alvaro Dias contrariou aliados de campanha ao afirmar que votaria no irmão Osmar Dias. O sr. mantém a postura de não disputar cargo eletivo contra seu irmão?

Osmar Dias – Sempre ficou claro que uma disputa entre nós está fora de cogitação. Inclusive, para reforçar, demorei para definir minha candidatura ao governo porque se especulava a possibilidade do Alvaro sair vice de José Serra. Cheguei a comunicar em uma convenção do PDT que não sairia candidato em função disso.

O Diário – Alguns blogueiros andam espalhando que o sr. seria candidato à prefeitura de Maringá no ano que vem. Há alguma verdade nisso?
Osmar Dias – Por questão de inteligência, não perco tempo com determinados blogs. Seria uma honra ser prefeito da minha cidade, mas esse não é o momento. Creio que preciso de tempo para planejar o que vou fazer da minha vida política no futuro.

O Diário – O PDT tem condições de ter candidato próprio a prefeito de Maringá?

Osmar Dias – Hoje o PDT não tem nenhum nome em Maringá que possa figurar como candidato nas eleições de 2012. No momento, a gente tem conversado com o virtual candidato do PT, o deputado estadual Enio Verri, que me apoiou na campanha. Como valorizo muito a lealdade, vejo o nome do Enio com muita simpatia.

O Diário – Após as eleições, houve um desentendimento do senhor com seu velho amigo e vice-prefeito de Maringá, Carlos Roberto Pupin. Ele segue no PDT?
Osmar Dias – O Pupin me telefonou e comunicou que está deixando o PDT para procurar outro partido. Desejo que ele seja feliz.

O Diário – Fora da capital, há a reclamação de que o governador Beto Richa tem visitado pouco as cidades do interior. Percorrer o Estado ou governar a partir do gabinete tem, na prática, alguma diferença?

Osmar Dias – Tem muita diferença. Quando fui secretário da Agricultura percorri o Estado inúmeras vezes, visitando propriedades rurais. Para governar bem, você tem de ver na prática o sofrimento e as dificuldades das pessoas e conferir se o programa de governo está sendo executado em todas as regiões. O governador tem de estar presente para corrigir determinadas falhas.

O Diário – O que o Paraná precisa fazer para avançar na agricultura?

Osmar Dias – Não vejo possibilidade de crescimento da agricultura no Paraná nem no Brasil sem medidas como o fortalecimento da assistência técnica, principalmente na agricultura familiar. Em terras férteis como as do Paraná, a produtividade é fundamental para o sucesso do negócio .

O Diário – Nos próximos dias deve ser votado no Congresso Nacional o novo Código Florestal Brasileiro. O texto, da forma como deve ser aprovado, te agrada?

Osmar Dias – Tem algumas coisas que precisariam ser modificadas. Não concordo, por exemplo, com aqueles que defendem que a legislação deva ser estadualizada, ou seja, delegar aos Estados a responsabilidade de definir reserva legal, mata ciliar, etc. A legislação ambiental tem de ser nacional, desde que considerando as características regionais, óbvio. Também não concordo que se ‘congele’ a possibilidade de aproveitamento de novas áreas. Não dá para considerar que uma pequena propriedade tenha de manter 20% de reserva legal mais mata ciliar.

O Diário – A partir de sua experiência como senador, é possível conciliar os interesses de ruralistas e ambientalistas?

Osmar Dias – Com bom senso dá para ter um encontro dos interesses. Radicalizando, nenhum dos lados terá razão. Temos de cuidar do meio ambiente, mas também é preciso produzir, até porque o Brasil é a grande esperança de abastecimento de alimentos do mundo.

O Diário – Que mensagem o senhor deixa para os eleitores maringaenses que te apoiaram na campanha de 2010?

Osmar Dias – Primeiro, quero dizer que estarei em 6 de maio na Expoingá. Será minha primeira visita oficial ao Paraná [depois da posse no BB], ocasião em que vou participar de um jantar promovido pelo Banco do Brasil. Quero também agradecer a confiança que o maringaense sempre depositou em mim, porque em todas as eleições que disputei sempre venci em Maringá.


10 comentários

  1. HENRY
    segunda-feira, 2 de maio de 2011 – 16:43 hs

    O EX SENADOR OSMAR “indeciso, laranja” DIAS, DEVERIA RECOLHER SE A SUA INSIGNIFICÂNCIA DO CARGO DE TERCEIRO ESCALÃO QUE ELE MERECEU, POR TER APOIADO OS QUADRILHEIROS DO pt “partido do trambique”.

  2. j. antonio
    segunda-feira, 2 de maio de 2011 – 16:47 hs

    Ainda sobre o ex-parlamentar: Esse não tem jeito. Não aprende mesmo. Nem no amor, nem na dor. Levou do Requião para 4 anos depois se aliar a ele em nome de Lula. Pelo lider sindical, flertou com todo mundo e nos 45 do segundo tempo abandonou Beto Richa para perder novamente a chance de chegar ao governo do Estado. Por Lula [e agora Dilma] trocou uma reeleição tida como certa pela dúvida da [não] eleição pra Governador. Quanto tempo no gelo pelos seus novos amigos/ aliados prá acabar sucumbido a um cargo de 3º escalão. E ainda tem a coragem de mostrar rancor contra seu antigo aliado e novo adversário, Beto Richa.
    Tem gente que não aprende mesmo e ainda reclama de falta de sorte. Ou de inteligência. A propósito como se explica a grande diferença política entre os irmãos Dias? Um, reconhecidamente, muito perspicaz. …..

  3. jobalo
    segunda-feira, 2 de maio de 2011 – 16:56 hs

    É não tem mais jeito, esse petezou de uma vez é uma pena pois eu até gostava dele antes das eleições, passadas.

  4. antonio carlos
    segunda-feira, 2 de maio de 2011 – 18:03 hs

    Infelizmente o amargor tomou conta do coração do urtigão, o cara depois das duas sovas seguidas, parece que tomou fel demais. Que pena, não consegue mais enxergar as coisas como elas são. Cuidado então urtigão, pode morrer envenenado se morder a língua. Tony

  5. Zé da Cooperativa
    segunda-feira, 2 de maio de 2011 – 19:02 hs

    O quê! o Osmar esta se achando perdeu feio na capitar, e agora quer apoiar o turma do Pt, para prefeito de Curitiba, acho que o pessoal vai dispensar sua ajuda, a familia dos Dias findou na politica do Paraná, agora é outros tempos e novas lideranças.
    E Viva o Paraná!

  6. Severo Calcário Tingueparte
    segunda-feira, 2 de maio de 2011 – 19:35 hs

    Osmar Dias, Alvaro Dias – já foi o tempo deles – ilusão – nunca foram nada – levaram sorte, mas acabou esta putrefática fase (…)

  7. CAÇADOR DE PETISTAS
    segunda-feira, 2 de maio de 2011 – 19:53 hs

    Não acredito que OSAMAR DIAS ainda não aprendeu ou não entendeu que, “No paraná, PT não entra e cândidato aliado ou alinhada nas idéias comunas do PT, “também não tem vez”..

  8. Norte Pioneirense
    segunda-feira, 2 de maio de 2011 – 19:55 hs

    Grande Osmar!!! esse é gente boa, mais infelizmente pagou o preço por se aliar com os trairas partidarios do bob req.

  9. Zequinha
    segunda-feira, 2 de maio de 2011 – 20:10 hs

    Realmente o Osmar tem razão. Em Maringá não há liderança no PDT para disputar a Prefeitura. O vice Pupim, que fez um bom trabalho e sempre assumiu a prefeitura quando o prefeito tinha alguma bomba pela frente, está saindo do PDT.
    Talvez, se o assessor Ademir Grazziotin mudar seu título para Mgá, ele possa ser um bom candidato a prefeito, com aquele conhecimento característico, humildade e simpatia.

  10. M.A.S
    terça-feira, 3 de maio de 2011 – 0:38 hs

    Osmar Dias, é melhor o Sr rever seus pensamentos a respeito dessa questão~.
    Eu tenho certeza absoluta que muitas pessoas do Paraná, nesse balanço dos 100 dias, já concluiu que que fez uma má escolha para o governo do nosso Estado.

Deixe seu comentário:

Campos obrigatórios estão marcados com *

*

*