Gleisi: "Devemos ajudar o Paraguai, com sensibilidade" | Fábio Campana

Gleisi: “Devemos ajudar o Paraguai, com sensibilidade”

Entrevista de Glesi Hoffmann para Fábio Góis do Congresso em Foco


Senadora do Paraná defende revisão do acordo de Itaipu, conferindo mais recursos ao Paraguai na sociedade com o Brasil. Ela também propõe a criação de uma aposentadoria para donas de casa

Ela também é loura e tem olhos claros. Mas, na sua avaliação, param aí as semelhanças com a estrela de Hollywood e ex-princesa de Mônaco Grace Kelly (1929-1982). A razão da comparação é que, por causa de Grace Kelly, a senadora paranaense se chama Gleisi. Seu pai queria fazer uma homenagem à mãe de Albert, Caroline e Stephanie, mas achava que o nome dela era grafado com “l”, e não com “r”. Daí, Gleisi, e não Grace.

A mulher do ministro das Comunicações, Paulo Bernardo, porém, rejeita semelhanças e pompas de princesa. Gleisi foi a primeira mulher em 30 anos a exercer uma diretoria em Itaipu, a poderosa empresa binacional do setor elétrico. E é também a primeira mulher a eleger-se para um mandato no Senado pelo Paraná. É com esse espírito pioneiro que essa paranaense de 46 anos dispõe-se a trabalhar no Congresso.


“Graças a Deus, as mulheres estão mudando muito, estão mostrando o seu valor. Acho que temos de mostrar o que viemos fazer aqui, que é trabalhar bastante e mostrar resultado”, enfatiza a senadora petista. Especialista em orçamento, Gleisi foi chefe de gabinete de Paulo Bernardo antes de os dois se casarem. Ali, montou uma das primeiras estruturas de fiscalização no Congresso das contas do governo através do Sistema Integrado de Administração Financeira (Siafi). Foi essa experiência de Gleisi com a análise das contas públicas que levou o ex-presidente Lula a convidá-la, em 2003, para exercer a Diretoria Executiva Financeira de Itaipu.

Para Gleisi, a Hidrelétrica de Itaipu é um empreendimento “maravilhoso”. E é por conta da experiência na hidrelétrica que ela defende um ponto que gera polêmica: a revisão do tratado de Itaipu para conferir vantagens ao parceiro brasileiro, o Paraguai. Para ela, o Brasil, com um Produto Interno Bruto (PIB) muito maior do que o Paraguai, deve ajudar o país vizinho com “sensibilidade”.

“Eu defendo ardorosamente a aprovação das notas reversais [mecanismo que, com cálculo alterado em eventual aprovação no Congresso, triplicará os valores recebidos pelo Paraguai referentes à energia de Itaipu] pelo Congresso Nacional. Temos quase 300 mil brasileiros que plantam naquele país e criam suas famílias lá. Então, nós temos muita responsabilidade de ajudar o país a dar certo, porque uma parcela expressiva do povo brasileiro também vai dar certo”, disse a senadora, lembrando que o tratado, assinado em 1973, precisava de uma readequação.

“Temos de lembrar que o Paraguai fica privado de vender sua energia para outros países até 2023. Então, é ser algoz demais fazer um tratado em que um país é obrigado a comprar a nossa energia até 2023 pelo preço que nós queremos, sem poder negociar com outros países. Acho que é de bom tom a gente ter um pouco de sensibilidade”, acrescentou, rebatendo as críticas de que os contribuintes brasileiros acabariam pagando o preço. Ela diz que o valor renegociado é tão “residual” para o Brasil que não reflete nas contas ao consumidor, enquanto que no país vizinho, com PIB muito menor, o “impacto significativo” permitiria investimentos diversos.

Gleisi iniciou a trajetória no movimento estudantil, em Curitiba. No currículo, reúne funções como ex-presidente do PT paranaense, secretária extraordinária de Reestruturação Administrativa (Mato Grosso do Sul, 1999) e secretária de Gestão Pública da Prefeitura de Londrina (2001). Participou também da equipe de transição para o primeiro mandato do presidente Lula, quando conheceu a presidenta Dilma Rousseff – vista por ela como “uma das profissionais mais competentes na área de gestão”. “Eu dizia isso durante a campanha [em 2010]. Muitas pessoas não acreditavam, achavam que ela era apenas uma criação do presidente Lula, e que não ia ter força nem condições de fazer um bom governo. Ela está surpreendendo muito bem todo mundo – é firme, determinada, sabe aonde quer chegar. Conduz as coisas de maneira a ter resultados, mas também tem muita sensibilidade”, considera.

Especializada em Gestão de Organizações Públicas e Finanças Públicas, com cursos em entidades como o Fundo Monetário Internacional (FMI), Gleisi defende também a postura da equipe econômica no recente corte de gastos em R$ 50 bilhões. “Eu vi como uma responsabilidade grande de governo. Depois de um ciclo expansionista que nós tivemos na economia, de grandes investimentos e de estímulo ao consumo, nós temos de, agora, ter um contra-ciclo. Porque nós temos uma inflação que foi estimulada, por conta de todos os investimentos feitos, e que foram necessários e corretos. Agora nós temos uma crise de outra ordem, e devemos ter mecanismos de outra ordem para enfrentar a crise”, avalia.

Com tom de voz baixo, e de maneira atenciosa, Gleisi falou por quase 20 minutos à reportagem. Ela acabava de deixar a sala da Presidência do Senado, onde se reuniu com José Sarney (PMDB-AP), depois de reuniões na Esplanada dos Ministérios. Acabada a entrevista e feitos os devidos cumprimentos, voltou-se para os servidores de seu gabinete e exclamou, em bem-humorada convocação: “Equipe econômica!”. Era uma esvaziada quinta-feira pré-carnavalesca no Senado, sem sessões deliberativas e número diminuto de senadores na Casa.


25 comentários

  1. Cajucy
    segunda-feira, 7 de março de 2011 – 15:40 hs

    Com mais “sensibilidade” quer dizer o quê? Mais dinheiro do já sofrido e surrupiado povo brasileiro?

    Tudo que for oferecido a mais ao Paraguai, fugindo ao tratado em vigor, nada mais é do que enfiar a mão no bolso do cidadão brasileiro que pagará mais caro pela energia para poder mostrar mais “sensibilidade” com o Paraguai.

    Portanto, o que for dado a mais aos paraguaios,por certo, a conta do brasileiro terá aumento para cobrir o furo, não é mesmo? Olho vivo…

  2. Lorena Meyers
    segunda-feira, 7 de março de 2011 – 15:58 hs

    Triste reino da princesa monoglota.
    65% dos recursos recebidos pelos hermanos do Py são carreados para a corrupção.
    Primeiro que os guaranis tragam esse número para algo dem torno de 25%, como em todo resto do 3º mundo, depois vvc, ops…vc, pode brincar com nosso dinheiro e ajudar os vizinhos, princesa Poliana Primeira.

  3. Porecatu
    segunda-feira, 7 de março de 2011 – 16:20 hs

    Que tal anexar o Paraguai? Ficaria mais barato.

  4. JJP
    segunda-feira, 7 de março de 2011 – 16:53 hs

    Isso é ridiculo… Não temos que revisar acordo nenhum.

    É a cara do PT, quebrar contratos em nome dos amigos comunistas.

  5. Cardoso
    segunda-feira, 7 de março de 2011 – 17:15 hs

    A senadora tem um palanque permanente neste blog. O elogio… “Gleisi foi a primeira mulher em 30 anos a exercer uma diretoria em Itaipu” exige o complemento: apesar da sua inexperiência no setor elétrico.

    Quanto ao benefício defendido pela senadora é bom lembrar de que o Paraguay apesar de ser sócio do Brasil na construção da usina, não contribuiu com nenhum tostão para a mesma.

  6. DEXTER
    segunda-feira, 7 de março de 2011 – 19:05 hs

    Mas o que??????? Revisar acordo com Paraguai?????? Meu Deus! Quem votou nessa senhora que a ature!
    Revisar acordos, como disse o amigo supra, e’ coisa de comuna!!!

  7. DEXTER
    segunda-feira, 7 de março de 2011 – 19:06 hs

    PT = Perda Total. E tenho dito!

  8. Zangado
    segunda-feira, 7 de março de 2011 – 19:10 hs

    Estou estupefacto !
    Gleise entende de tudo, fala de tudo, se apresenta a qualquer assunto !
    Que prodígio !
    Mas onde estão os produtos de tanto discurso ?

  9. Tyllerand
    segunda-feira, 7 de março de 2011 – 20:20 hs

    Ô Gleisi! Preocupe-se com as dezenas de organizações que você quer criar e não promova a quebra de contratos com cláusulas pétreas que favorecem o Brasil. Quer ser boazinha com o Paraguai? Mude de cidadania, mude-se para lá, mas não tente fazer vazar dinheiro do Brasil para fora para aparecer na mídia!

  10. Divanir
    segunda-feira, 7 de março de 2011 – 21:38 hs

    Vai passar o mandato só emitimdo idéias absurdas. Começe a agir e para com bobagens.

  11. Malazartes
    segunda-feira, 7 de março de 2011 – 21:49 hs

    Mas, seu Zé:

    Faz preço pelo barranco do lado de lá, paga e pronto. Sócio que não colocou nada no projeto e tira milhões, não queremos.
    No mais, que vão à merda!

  12. Ferreirinha
    segunda-feira, 7 de março de 2011 – 23:12 hs

    Já entregamos a metade da maior hidro do mundo. Agora temos de comprar Uisque made em Paraguay … já que fornecemos o iodo para a matéria prima … Vamos, sim, ajudar. Que tar?

  13. Paraguaio
    terça-feira, 8 de março de 2011 – 0:31 hs

    Argggg!!!! Isso cheira a diretoria financeira da Itaipu. Beto se cuide. amarre seu barco em outro porto, pois o destino é…….

  14. verdade
    terça-feira, 8 de março de 2011 – 11:55 hs

    itaipu foi contruida no governo da direita gerou empregos gera energia ea petezada usofrui se emprega e banca campanha politica e mordomia acorda povo brasileiro

  15. Marli
    terça-feira, 8 de março de 2011 – 11:56 hs

    Concordo com o zangado: ela entende de tudo, mas e os resultados??

    Como ele, tb estou estupefata, e cansada dessa converda fiada, afinal, todos os cargos que essa mulher ocupou são políticos, não precisaram de competência.

  16. Vigilante do Portão
    terça-feira, 8 de março de 2011 – 12:07 hs

    Essa, é boa de FALATÓRIO.

    POUCA AÇÃO.

    Cadê a APOSENTADORIA DAS DONAS DE CASA?

  17. tony
    terça-feira, 8 de março de 2011 – 15:55 hs

    Como é bom fazer caridade com o dinheiro alheio, não sai do bolso da gente mesmo. Para encurtar a história, por que a senadora não propõe que todo mundo receba aposentadoria? Aí não haveria discriminiação alguma, sendo ou não dona-de-casa, todos receberíamos o nosso quinhão. Mas para quem é tão especializada em Finanças, de onde a Previdência vai tirar a grana para pagar toda esta gente? Sem esquercermo-nos de que muitas donas-de-casa já são pensionistas, ou seja, já recebem da Previdência. Demagogia sempre custa caro. Tony

  18. CAÇADOR DE PETISTAS
    terça-feira, 8 de março de 2011 – 17:09 hs

    Só falácia. Aprendeu com o mentiroso Lula da Silva. É o retrato do PT, mentiras, mentiras e mentiras.

  19. coveiro
    terça-feira, 8 de março de 2011 – 17:57 hs

    Alucinada, perdulária com o dinheiro alheio. Acorda Barbie das Araucárias e caí fora!

  20. JJP
    terça-feira, 8 de março de 2011 – 20:59 hs

    Cassação nela!!!

  21. terça-feira, 8 de março de 2011 – 21:18 hs

    VIU EM QUEM VOCES VOTARAO AGORA AGUENTE ESSA FIGURA .

  22. parana vigilante
    quarta-feira, 9 de março de 2011 – 9:18 hs

    Se o povo pudesse conhecer esta mulher de fala mansa,,,,,,seria uma decepção, pois na verdade é mal educada e dissimulada. O PT tem que explicar algumas coisas, por exemplo o caso Batisti e agora apoio ao Mariscal Lugo. Este último tentou copiar Stroner que era tido como padrinho de todos os paraguaios. Padrinho viu e não pai, hahahaah.

  23. paulo
    quarta-feira, 9 de março de 2011 – 11:47 hs

    competente? entende do assunto?
    qual concurso ela prestou e passou? qual pesquisa de relevância academica, seu esposo então nem se fala. Há, é formada em direito,muitos brasileiros são, e pelas asneiras qualquer leigo sabe
    que estudou pouco.
    A lastimar o povo paranaense ter eleito esta safada,oportunista .

  24. quarta-feira, 9 de março de 2011 – 14:09 hs

    A senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR) defende a revisão do acordo de Itaipu, conferindo mais recursos ao Paraguai na sociedade com o Brasil.”Devemos ajudar o Paraguai, com sensibilidade”, declara Gleisi. Ela também propõe a criação de uma aposentadoria para as donas de casa. Fonte: Congresso em Foco.
    Esperamos que a senadora, antes de se preocupar com o Paraguai, envide esforços para trabalhar primeiro em prol dos grandes problemas nacionais e que são muitos. É elogiável esse charme petista humanitário. Mas aqui os problemas sociais continuam graves. Talvez a sua condição de vida, de oportunidades, de intelectualidade etc. veja o Brasil de outra forma, sob a ótica oblíqua da companheirada petista, cujo governo Lula vendia uma imagem distorcida ao exterior da verdadeira realidade social brasileira.
    Não se esqueça, senadora, de aqui continua tendo um Haiti ou um Paraguai de miséria em todos os rincões brasileiros ainda não resolvido e que não podemos esconder. Antes de ver a pobreza do Paraguai, seja mais transparente e realista com a nossa situação. Não podemos ter política social de meia sola, de faz de conta, política de fachada, para mostrar que podemos também socorrer os nossos irmãos paraguaios. Conquanto a senadora possa discordar, mas o seu governo petista pouco combateu a miséria brasileira. Bolsa Família, bem, foi um conjunto de ideias aproveitadas de governos anteriores. Mas a miséria continua. Quem anda pelas cidades brasileiras, de cabo a rabo, não pode desconhecer a quantidade de pessoas desempregadas, sem lares, sem comida e sem nada, que a cada dia o contingente aumenta mais, morando nas praças, sob viadutos, calçadas públicas à vista da cúpula governista petista, da senhora, de seu marido etc. e ninguém demonstra interesse veemente em resolver essa situação. Agora vem a senadora com hipocrisia manifestar preocupação com a situação do Paraguai, para que seja feita revisão do Acordo de Itaipu? Tenha santa paciência! A senadora pode conhecer como ninguém o Acordo de Itaipu, mas revela irresponsabilidade em não se preocupar preliminarmente com os problemas nacionais.
    Por outro lado, é muito nobre a preocupação da senadora com a aposentadoria das donas de casa. Mas, na forma do disposto constitucional de que todos são iguais perante a lei, inclusive para pagar impostos e demais contribuições previdenciárias, que a sua proposta não venha onerar a Previdência Social. A Previdência Social brasileira não pode servir de casa de bonomia para amparar cidadãos sem contribuição, como certos governos têm feito.

  25. sem fronteiras
    quarta-feira, 9 de março de 2011 – 14:56 hs

    é recebem votos aqui pra legislar pelos direitos dos hermanos paraguayos, é uma vergonha.

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