Deputados do Paraná propõem 5 CPIs para investigar ex-governador | Fábio Campana

Deputados do Paraná propõem 5 CPIs para investigar ex-governador

De Luciana Cristo do iG Paraná

Os deputados estaduais do Paraná conseguiram propor a instalação de cinco Comissões Parlamentares de Inquérito (CPIs), que é o limite de comissões possíveis simultaneamente, em menos de 30 dias de trabalho. Por trás das iniciativas está o propósito de investigar decisões da administração passada, do ex-governador e agora senador Roberto Requião (PMDB) – cujo governo é esmiuçado pelas investigações.

Requião influencia decisivamente a vida política do Paraná. Nesta terça, por exemplo, anunciou que é pré-candidato à Prefeitura de Curitiba e embaralhou o cenário para as eleições de 2012. Embora tenha vencido o tucano Gustavo Fruet (PSDB) na disputa por uma vaga em Brasília, ele viu seu grupo político perder o controle do Estado para Beto Richa (PSDB), que também fez maioria na Assembléia. Agora, o grupo de Richa tem a oportunidade de vasculhar a administração do senador pelo PMDB.

Dentre os assuntos em pauta nas CPIs estão o Porto de Paranaguá (onde a Polícia Federal deflagrou uma operação, em janeiro), o pedágio cobrado nas rodovias do Estado, as grandes falências e concordatas do Paraná, as eventuais escutas telefônicas descobertas na Assembleia Legislativa no início de fevereiro e, a mais recente, a falta de leitos do Sistema Único de Saúde (SUS) nos hospitais.

A CPI que mais está voltada para tentar encontrar problemas na administração de Requião é a do porto. “Queremos desvendar as falcatruas do governo Requião”, declara o deputado que propôs a investigação, Douglas Fabrício (PPS).

Mas as iniciativas não são unanimidade entre os parlamentares. O deputado Tadeu Veneri (PT), que não assinou nenhum dos cinco pedidos de abertura de CPI, considera que as CPIs já estão banalizadas e que estão muito mais voltadas para a publicidade do que para uma investigação de verdade. “Não faz sentido investigar o que a polícia já está investigando (como no caso do Porto ou dos Grampos). Vai se chegar ao final e concluir muito pouco, ficando a sensação de que não foi feito nada. Essa chuva de CPIs tira o foco de algumas coisas mais importantes”, opina o petista.

Para o deputado Elio Rusch (DEM), a base governista dispõe de outros mecanismos, como auditoria ou sindicância, para apurar possíveis irregularidades nos órgãos públicos. Rusch considera que, além de criar muita expectativa, as CPIs podem não ter nenhum resultado consistente ao fim dos 120 dias de trabalho previstos. “Pode-se cair num descrédito. Os deputados não vão nem ter tempo de acompanhar tanta CPI, como vão funcionar cinco simultaneamente? Não vejo razão para tanta CPI, os colegas deveriam ter mais cautela”, critica.

Das cinco CPIs propostas, duas já iniciaram os trabalhos: a CPI das Falências e a CPI dos Grampos. As outras estão em fase de designação dos integrantes e podem começar os trabalhos em até 15 dias. Os autores das CPIs defendem as investigações.

“É um instrumento legítimo do Poder Legislativo, mas não pode banalizar. Todas precisam ter a responsabilidade de trazer à tona resultados da investigação. A minha (CPI dos Grampos) foi proposta com base em uma denúncia grave, com repercussão nacional, algo que pode ter mudado destinos da Assembleia e votações, muito mais grave que crimes de escutas”, afirma Marcelo Rangel (PPS), que diz ainda não acreditar em prejuízo dos demais trabalhos da Assembleia por causa das CPIs.

O parlamentar Leonaldo Paranhos (PSC), que pretende esmiuçar a oferta de leitos do SUS em hospitais conveniados, alega que cada CPI investiga uma área diferente e por isso elas não entram em conflito. “Na área da saúde, só tem a minha (CPI). É um clamor da população resolver esse problema, que vem de vários anos, da falta de controle geral da oferta de leitos do SUS. Vamos buscar informações, solicitar cópias dos convênios e o único instrumento que tem força para isso é uma CPI”.

Mais investigações

Outras duas CPIs já foram cogitadas na Assembleia Legislativa do Paraná e aguardam na “fila”. A primeira, ideia do deputado Reni Pereira (PSB), quer saber detalhes sobre empresas que hoje são grandes devedoras do Estado do Paraná. A outra, de autoria de Douglas Fabrício (PPS), quer investigar o déficit nas contas do fundo de previdência dos servidores estaduais, o ParanáPrevidência. Em 2010, o Tribunal de Contas do Estado do Paraná apontou um rombo de R$ 3,2 bilhões nas contas do fundo.

Mas, em comum, todas elas têm um alvo: o ex-governador e atual senador Requião, que é uma das principais forças políticas do Estado.


13 comentários

  1. sábado, 5 de março de 2011 – 18:22 hs

    REQUIÃO DEVE ESTAR RINDO DESSES DEPUTADOS,POIS UMA CPI VAI FAZER OS DEPUTADOS PAGAR O MAIOR MICO E DEIXANDO O EX GOVERNADOR NA MÍDIA

  2. André Sobania
    sábado, 5 de março de 2011 – 18:29 hs

    Sinto Cheiro de pizza no ar.Isso é so pra dar holofotes para meia duzia de deputados

    Att

    André Sobania

  3. Zangado
    sábado, 5 de março de 2011 – 18:38 hs

    Enquanto a “nova” Assembléia quase que composta dos velhos deputados da últimas legislaturas ensaia um bloco de CPI’s para apurar denúncias requentadas, o Ministério Público estadual continua seu estado cataléptico em relação a extenso rol de denúncias públicas jamais apuradas …

    E assim vamos fazendo de conta que os poderes e as ditas autoridades de controle público realmente existem …

  4. PAULO
    sábado, 5 de março de 2011 – 19:02 hs

    ANTES NÓS INVESTIGARMOS DO QUE OUTROS, ASSIM TUDO CONTINUA SOB CONTROLE!!!!
    PAGO P/ VER SAIR ALGUMA COISA DESSAS CPIs

  5. Sidnei Belizário de Melo
    sábado, 5 de março de 2011 – 19:22 hs

    As empresas de consultoria em segurança que exploram a inteligência competitiva, utilizando equipamentos tecnológico modernos não regulamentados geralmente importados para fazer “grampos”, fotos, filmagens ilegais para fins de honorários, e sem critérios quando a legalidade, e geralmente utilizam através de infiltração nos órgãos da Polícia Civil, Polícia Militar, e do Sistema Penitenciário. O emprego de tecnologia ou equipamento de qualquer natureza para apurar infrações penais praticadas por civis deveria ter um critério mais responsável, ou seja seus agentes não poderiam explorar esses serviços particularmente, infelizmente no Brasil não temos este controle.

  6. CAÇADOR DE PETISTAS
    sábado, 5 de março de 2011 – 19:37 hs

    Se realmente a CPI cumprir seu papel, não haverá necessidade de 5 CPIs, uma basta para colocar este malaco na cadeia.

  7. Anônimo
    sábado, 5 de março de 2011 – 21:12 hs

    E com issso não permetir CPI para investigar a Assembléia e os Contratos do pedágio.

  8. FILET MIGNON
    sábado, 5 de março de 2011 – 21:57 hs

    Agora quem sabe, conseguimos colocar na cadeia, termos a devolução do grande volume de dinheiro “AFANADO” pelos Irmãos Metralhas do Paraná.
    Agora quem sabe, ficaremos livres, definitivamente, da quadrilha do PMDB e de alguns outros “correligionários” como NELSON JUSTUS, ALEXANDRE KHOURI, HERMAS BRANDÃO…
    DEUS TARDA, MAS NÃO FALTA!

  9. maria jose nunes teixeira
    sábado, 5 de março de 2011 – 22:09 hs

    esse idiota nao tem forca nenhuma , nem influencia nada,

    seria bom que fosse candidato para levar fumo.. em Ctba, ele nao

    consegue nada, só se elegeu porque os prefeitos do interior tem

    medo de se oposcao..

  10. Aramis du Maupassant
    domingo, 6 de março de 2011 – 0:05 hs

    Caro Zapata:
    Confesso com muitos risos-roucos:
    Essa foto do “Maria-loca” supera todas as do Sebastião Salgado,
    Reproduza-a sempre. Mesmo que não haja notícias.
    Saudações

  11. Paraguaio
    domingo, 6 de março de 2011 – 1:05 hs

    Esses laranjões, antes eram maioria do Requião.Agora são maioria contra? kkkkkkkkkkkkk……..

  12. oswaldo
    domingo, 6 de março de 2011 – 11:34 hs

    taum com medinho do homem………..
    querendo tirar da sucessão municipal………..
    c ele é ruim de voto medo de k??????

  13. Maria Eduarda
    segunda-feira, 7 de março de 2011 – 8:49 hs

    Se fosse pra pegar as roubalheiras do governo Requião nem precisava abrir CPI, era só dar uma olhadinha nas contas do governo, mas olhar com vontade mesmo, quem sabe conseguiriam descobrir de onde a Vovó Nana tinha aquelas doletas, é só olhar mais profundamente nas contas públicas e licitações, ver como andam as contas dos irmãos e de outros parentes.

    Deputados incompetentes, na real não querem descobrir é nada das falcatruas da família Requião, estão só fazendo mídia.

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