Dilma convidará governadores para pacto anti-crime | Fábio Campana

Dilma convidará governadores para pacto anti-crime


Do blog do Josias de Souza

Dilma Rousseff convidará os governadores para uma reunião em Brasília. Ocorrerá até o mês de março.

Segundo o ministro José Eduardo Cardozo (Justiça), a presidente deseja celebrar com os executivos estaduais um pacto na área de segurança.

Chama-o de “pacto nacional contra o crime organizado”. Cardozo vai preparar o encontro de Dilma com os governadores.

Técnicos de sua pasta farão um diagnóstico de cada Estado. Depois, o ministro chamará a Brasília os secretários estaduais de segurança.

Essas informações foram repassadas pelo ministro aos repórteres Leonel Rocha e Marcelo Rocha, que o entrevistaram.

O resultado da conversa foi às páginas da última edição da revista Época. Vão abaixo algumas das declarações de Cardozo:

– O pacto: Esse pacto terá de ser construído com um minucioso trabalho técnico. Não queremos que seja um evento midiático e terá de estar alicerçado em bases jurídicas. As equipes técnicas vão se reunir para fazer um diagnóstico da situação específica em cada Estado, verificar quais as possibilidades orçamentárias e conjugar esforços. Também faremos uma reunião com os secretários de Segurança que servirá de preparação para o encontro dos governadores com a presidenta Dilma, que ocorrerá em fevereiro ou março.

– Os entraves: Sempre existem dificuldades na estrutura federativa brasileira, sejam de natureza jurídica, operacional ou política. Nem sempre os entes da Federação dialogam a partir de programas de governo. Essa é uma questão a ser superada. Temos de procurar nossas convergências, porque esse acordo político é essencial para combater o crime organizado, enfrentar o problema das drogas e tentar reduzir a violência.

– Os alvos: O crime organizado e o tráfico de drogas são os principais problemas. […] É necessário atacar as organizações criminosas, controlar melhor as fronteiras, fortalecer a investigação policial e o setor de inteligência, asfixiar o poderio financeiro das organizações e punir rigorosamente. Do lado do consumo de drogas, temos de atuar preventivamente do ponto de vista da saúde pública e dar atenção especial ao dependente.

– O crack: […] Merece atenção especial porque se transformou em um problema gravíssimo. Precisamos combater a produção e a distribuição com políticas adequadas de repressão, prevenção, orientação social e tratamento dos dependentes.

– O modelo do Complexo do Alemão: Não existe operação de combate ao crime organizado que possa ser feita com mágica. O que existe são ações competentes que devem ser construídas, planejadas e executadas de forma integrada. O caso do Alemão tem uma dimensão emblemática, ficou conhecido nacionalmente e mostra que aquela operação foi feita com acerto e muita competência pelas autoridades do Estado. E vamos reproduzi-la em todo o país, com adaptações.

– As fronteiras: A vigilância das fronteiras é fundamental para o combate ao crime organizado. E não haverá plano eficiente de combate aos crimes na fronteira sem colaboração com os vizinhos. O Ministério da Justiça já vinha estabelecendo protocolos de intenções com países vizinhos. Vamos voltar a discutir o assunto em uma viagem que farei à Bolívia. Há países que não têm as nossas condições técnicas e estruturais. Nesses casos, temos de saber o que eles podem fornecer e o que poderemos fornecer. Se há países com óbices legais, é importante discutir as ações desses governos para que suas leis sejam aperfeiçoadas. Se há países com dificuldades estruturais ou operacionais, vamos verificar como poderão ser superadas.

– O crime de colarinho branco: A estrutura do crime organizado é proporcional ao nível de corrupção no Estado, o que exige combater esse crime com muito vigor. Ao longo do governo Lula, a Polícia Federal atuou de forma republicana e livre de orientações políticas. Cada vez mais teremos uma polícia de Estado, e não de um governo. […] O governo garantiu independência do Ministério Público com nomeações de procuradores-gerais sem comprometimento com o acobertamento de situações. Essas ações terão continuidade.

– A ética sob Dilma: A presidenta Dilma Rousseff tem uma diretriz muito segura em relação à formação de sua equipe de governo. Ela nos orientou dizendo que as nomeações para cargos de confiança deveriam respeitar os critérios da Lei Ficha Limpa e que não permitiria indicações que transgredissem os critérios dessa lei. Ela me disse textualmente: se uma pessoa não tem condições de disputar eleição, não pode ocupar cargo público. Esse é o critério que a presidenta estabeleceu para todos os ministros e os cargos de confiança. Foi uma promessa eleitoral que ela cumprirá […].


11 comentários

  1. Zangado
    sábado, 15 de janeiro de 2011 – 14:31 hs

    Verba volant, scripta manent – palavras voam, escritos ficam. Vamos ver daqui um tempo o que fica de tudo isso.
    Lembremo-nos que ano vindouro vem eleições municipais. E dali mais dois anos eleições gerais.
    Eleições a cada dois anos, os males do Brasil são, pois tudo pára ao fim de fazerem mudanças para que tudo fique como está.
    A reforma política não será sequer tentada. Então, qualquer pacto ficará em suspense. Veremos ou não veremos.

  2. Borduna
    sábado, 15 de janeiro de 2011 – 16:25 hs

    Os primeriros a serem enquadrados no pacto e ser presos, certamente são alguns governadores……

  3. Mustafah
    sábado, 15 de janeiro de 2011 – 17:46 hs

    Mais conversa fiada, porque querem fugir da realidade, leis beneficas para os criminosos, a execução penal falha, salários famélicos para os policiais e acham que acordo entre políticos resolve algo.

  4. jr
    sábado, 15 de janeiro de 2011 – 18:40 hs

    Ter policias Civis e Militares com melhores salários e melhores condições de trabalho seria um bom começo para combater o crime organizado.
    Vejam o exemplo da PF que mudou muito em 8 anos.

  5. Laila
    sábado, 15 de janeiro de 2011 – 18:58 hs

    Ponto para a Presidente!
    Finalmente alguém parou de se esconder atrás do difuso termo “violência” e encara a questão de frente: combate ao CRIME.
    Já é uma mudança.
    Bom sinal.

  6. ginete
    domingo, 16 de janeiro de 2011 – 10:21 hs

    algins governadores poderão ser presos por fraude, desvio de dinheiro público, envolvimento com tráfico de drogas, alteração de imagens de radares de velocidade e assim por diante…

  7. Mônica Freitas
    domingo, 16 de janeiro de 2011 – 10:40 hs

    Ainda bem que o governador do Paraná não mais o Requião senão ele citaria a Carta de Puebla e envergonharia o Paraná!

  8. Vigilante do portão
    domingo, 16 de janeiro de 2011 – 15:48 hs

    E Quando não se quer resolver nada?
    Convoca-se uma grande reunião ou cria-se uma comissão.
    A nova moda, vai ser FAZER UM PACTO.
    Tuto pataquada.

    No governo Lula, quando da primeira crise na Sefurança (lembram, os ataques aos postos policiais, em SP?). Os governadores foram chamados e MEDIDAS URGENTES foram anunciadas….

    Tais como:

    Integrar as ações policiais;
    Melhorar o policiamento nas fronteiras;
    Melhorar o salário dos policiais

    Esse filminho, é velho.

  9. Parreiras Rodrigues
    domingo, 16 de janeiro de 2011 – 21:05 hs

    A gente deveria parar para pensar. Se diminuindo a violência, mas de forma sensível, todas as demais formas de desenvolvimento serão beneficiadas. A partir da Educação, passando pela Saúde para se chegar às realizações de vontades, de sonhos.

  10. Pereira Bueno
    domingo, 16 de janeiro de 2011 – 21:16 hs

    Se convidar somente os secretarios estaduais de segurança tudo bem a discussão pode até avançar. Mas se um alguém falar que secretários municipais também devam participar fujam disso pois a maioria não entende nada de segurança pública com suas guardinhas municipais. Fuja lôco disso aí! Segurança pública é coisa muito séria para meras discussões municipais.

  11. sem fronteiras
    domingo, 16 de janeiro de 2011 – 22:11 hs

    muito boa essa medida, mas para ser mais efetiva, deve começar de cima para baixo, iniciando nos 3 podreres em brasilia, vindo a todos os governadores e deputados estaduais, aos prefeitos e vereadores de todos os municipios, aos cargos comissionados, enfim a politicada toda,dai sim partir para os menos importantes.
    será que vai darrrrrrrrrrrrrrrrrrrr………………..

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