Ciranda, cirandinha | Fábio Campana

Ciranda, cirandinha

Carlos Alberto Pessôa para a Revista Ideias

Antes de retomar o fio da meada deixado em suspense ontem, recordarei: gastar mais do que se arrecada produz déficit, que se transforma em dívida, que paga juro, que aumenta a despesa, que pressiona o déficit, que pressiona a dívida.

Juntemos à ciranda a tradição brasileira de default. Ou calote em língua de gente. E teremos bela taxa básica de juro. A maior do mundo, mundo, vasto mundo entre emergentes&ricos. Pronto; chegamos ao ponto deixado em suspenso na edição anterior desta vibrante folha eletrônica.

– Qual o efeito dos belos juros que pagamos para rolar a crescente dívida pública?

– Eles atraem pilhas de grana global. Que acabam por valorizar o REAL. Ora, a valorização do real estimula a importação e desestimula a exportação. E assim desequilibra a balança comercial. E desafia os nossos produtores no mercado interno. Que chiam, choram, rangem os dentes. E, apocalípticos, acenam com o espectro da desindustrialização. Será possível? Aguarde o próximo e emocionante capítulo.


2 comentários

  1. quarta-feira, 12 de janeiro de 2011 – 17:21 hs

    O governo lula, tão cantado em verso e prosa pelos menos avisados, deixou um belo presente para todos nós, uma dívida interna de R$1,7 trilhão. Só em juros para os banqueiros, foram pagos mais de R$ 180 bilhões em 2010. Essa dívida, empurrada com a barriga, é sustentada com a venda de títulos da dívida pública, cujo mercado a cada nova venda, está pressionando por juros maiores. Juros maiores inibem investimentos, o que provoca a queda do ritmo de contratações e dos próprios investimentos do governo. Consequência, pressão inflacionária, menor arrecadação, menos crédito, um círculo vicioso se forma. Nunca antes na história deste país tantos foram tão enganados!

  2. Sandro
    sexta-feira, 14 de janeiro de 2011 – 4:53 hs

    Menos avisados são aqueles que desconhecem o fato de que quando o FHC pegou o governo, tal dívida girava em torno de R$ 60 Bi e, mesmo com a “privataria” que realizou, arrecadando bilhões de US$, quando entregou o governo ao operário, a dívida pública tinha aumentado mais de 1000%, chegando a quase R$ 700 bi e equivalia a quase 70% do PIB à épca (2003). Ao contrário, o governo do operário, apesar de ter tido um aumento em valores nominais na dívida pública, a verdade dos fatos é que ela hoje equivale a aproximadamente 40% do PIB, portanto completamente administrável. Some-se a isso que ao contrário do que foi informado na matéria, a dívida tem se comportado na relação dívida/PIB com um viés descendente e não ascendente. Portanto, senhores, eu prefiro o português, idioma muito mais belo, mas como preferem alguns, em língua de “gente”, take easy, no problems!

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