Acionada pelo Planalto, UnB 'investiga' trote sexista | Fábio Campana

Acionada pelo Planalto, UnB ‘investiga’ trote sexista

Do blog do Josias de Souza

Há 19 dias, produziram-se nas dependências da UnB (Universidade de Brasília) cenas que resultaram num pedido de explicações da Presidência da República e na abertura de uma sindicância.

Alunos veterenos da Faculdade de Agronomia e Veterinária submeteram um grupo de calouras a um trote aviltante. Sucedeu o seguinte:

Presidente do Centro Acadêmico de Agronomia da UnB, Caio Batista comandou a “recepção” às alunas. Deu-se por volta das dez horas da manhã de 11 de janeiro.

Caio vestia trajes femininos. Recobria-lhe o torso um pedaço de pano assemelhado a uma faixa presidencial. Segurava uma lingüiça.

Despejava sobre a peça camadas de leite condensado. Formadas em fila, as calouras foram instadas a levar a lingüiça à boca, chupando-a.

Ao redor, cerca de 250 universitários se divertiam com a humilhação alheia. O trote não é original. Repete-se ano após ano.

Os veteranos alegam que a coisa é consentida. Só participa quem quer. Não haveria, portanto, o aviltamento que as imagens sugerem.

Dessa vez, porém, a ignomínia ganhou contornos de denúncia. Foi à Secretaria de Políticas para Mulheres da Presidência da República um relato do ocorrido.

O texto chegou ao Palácio do Planalto acompanhado de fotos como as que ilustram essa notícia. Imagens captadas pela própria agência noticiosa da UnB.

O material foi à mesa de Ana Paula Gonçalves, ouvidora da Secretaria de Políticas para Mulheres. Ela tomou duas providências.

Remeteu um ofício ao Ministério Público, requerendo providências. Endereçou uma segunda correspondência à reitoria da UnB. Cobrou explicações.

No texto, a ouvidora Ana Paula anotou: “As calouras foram submetidas a uma encenação que incita ao sexo oral, ridicularizando e desrespeitando as mulheres”.

Premido pelas evidências, o reitor José Geraldo de Souza Jr. viu-se compelido a requerer explicações ao diretor da Faculdade de Agronomia, Cícero Lopes.

O reitor escreveu ao diretor: “As fotos traduzem atos de violência e discriminação contra as mulheres…”

“…Elas mostram a diminuição da dignidade e violam a ética da convivência comunitária”.

Tomado pelas palavras de seu despacho, o doutor José Geraldo parecia desconhecer a prática. São velhas e repetitivas, contudo. Ele as conhece há muito.

Conforme já noticiado aqui, a UnB hesita em punir os responsáveis pelos trotes sujos praticados reitadamente em seu campus.

Acossada pelo pedido de explicações que traz a logomarca da Presidencia da República, a reitoria fez por pressão o que não fizera por obrigação.

Aberta nesta sexta (28), a sindicância correrá por 30 dias. Não há, porém, segurança quanto à punição dos responsáveis pelo trote da lingüiça.

Em entrevista à agência de notícias da universidade, o reitor José Geraldo soou dicotômico. Primeiro, rendeu homenagens ao obvio:

“A prática excedeu aquilo que consideramos regras de convivência. Concordo com a Secretaria de Políticas para Mulheres e acredito que houve agressão à dignidade”.

Depois, servindo-se de lero-lero que conduz à inação, o reitor esclareceu que a sindicância não tem o propósito de demonizar os veteranos:

“Somos uma instituição educadora. Devemos criar punições educadoras e transformar essas práticas”. Não esmiuçou o que seria uma punição educadora.

Perguntou-se ao professor Cícero Lopes, o diretor da Faculdade de Agronomia, quais seriam as punições aos veteranos da lingüiça.

E ele: “Não há como saber quais são as punições. Isso depende das investigações da sindicância”.

Curioso, muito curioso, curiosíssimo. Uma simples corrida d’olhos pelas fotos elimina até o benefício da dúvida.

Caio Batista, o presidente de centro acadêmico que empunhou a linguiça, estranhou que o episódio houvesse extrapolado as fronteiras da universidade:

“Só passa pelo trote quem quer. Quem se sente prejudicado deve resolver isso aqui, e não fora”.

Um detalhe desafia a tradicional letargia da UnB diante dos trotes. O Planalto acionou o Ministério Público.

Um órgão integrado por procuradores cuja única atribuição é procurar. Decerto não terão dificuldades para achar.

De resto, os veteranos da UnB como que dão de ombros para a nova conjuntura política da Capital.

Hoje, a Presidência da República veste saias. E detesta humilhações. Sobretudo quando praticadas contra mulheres.


18 comentários

  1. Amelio ral aas
    domingo, 30 de janeiro de 2011 – 15:52 hs

    Passa se o tempo,e a gente ve sempre a mesma história,trotes machucam,trotes matam,e porque não proibem.Nas escolas é facil reconhecer os fazedores de encrenca,deveriam ser expulsos,mas os direitos,e os chatos de plantão,acham que é preciso aguentar esses desordeiros,bote uma norma de que se os modos desses pseudo estudantes forem em rito sumario expulsos se organisarem badernas ,os professores vão ficar livres dessas tralhas,eas escolas terão paz;

  2. Capao da Imbuia
    domingo, 30 de janeiro de 2011 – 17:12 hs

    Primeiro chama a mae dele para participar do trote, depois prende o sujeito por 90 dias, ainda aplica uma suspensao de um ano para todos os veteranos que participaram do trote, para dar exemplo a todos, e as que participaram da uma suspensao de 06 meses..

  3. Borduna
    domingo, 30 de janeiro de 2011 – 19:08 hs

    Essa é a imagem da Universidade Brasileira….

  4. Junior
    domingo, 30 de janeiro de 2011 – 19:23 hs

    Muita polemica por bobagem.

  5. domingo, 30 de janeiro de 2011 – 19:31 hs

    DEIXA ELE FAZER (,,,TENTAR) FAZER UM TROTE DESSE COMIGO?????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????

  6. xereta
    domingo, 30 de janeiro de 2011 – 21:22 hs

    O trote se repete ano após ano, e ano após ano esses estudantes que serão o “futuro” do nosso país, se sujeitam a ir até os locais programados e participarem desse tipo de coisa. Quem será que deve ser punido, quem organiza ou quem vai até o lugar? Quem é o imbecil nessa história?

  7. PERCI LIMA
    domingo, 30 de janeiro de 2011 – 23:17 hs

    É FÁCIL ACABAR COM ESSA PALHAÇADA.

    FOTOGRAFA OU FILMA OS CRETINOS QUE ABUSAM DESSA PALHAÇADA E EXPULSA ESSES BABACAS DA UNIVERSIDADE EM TODO O BRASIL.

    QUE VÃO SE FORMAR NA BOLIVIA OU NO PARAGUAI. AÍ QUERO VER SE ELES SÃO HOMENS DE HUMILHAR AS PESSOAS.

    E A JUSTIÇA ONDE ESTÁ PARA PROTEGER AOS MAIS FRACOS? DE OLHOS VENDADOS, UMA VEZ QUE ELA É CEGA MESMO!

  8. Max-RochaS;
    segunda-feira, 31 de janeiro de 2011 – 0:30 hs

    Novamente a impunidade se faz presente. Interessante o paradoxo que se coloca quando discutimos, por exemplo, a “Lei da Palmada” que pretende transformar em crime um ato enraizado na cultura mundial de tão antigo. O problema: como diferenciar uma “palmada violenta” de uma “palmada educadora”?
    Por outro lado, um episódio dos Simpsons me lembra que, enquanto alguns conhecimentos e comportamentos se aprende através do exemplo, outros, somente pela experiência direta.
    (A cena em questão é do final do episódio, quando Homer pede àquele que poderia ter sido seu pai que o ensine que o fogo queima – o que, efetivamente, só aprendemos depois de nos queimarmos.)
    O comportamento é, de modo geral, assim: só aprendemos que algo é errado depois de sermos punidos. Existem certos acontecimentos que exigem de nós um julgamento bastante apurado para dizer se é “bom” ou “ruim”. E geralmente atitudes que são transmitidas como “brincadeiras tradicionais” somente são eliminadas quando alguém se dispõe a quebrar a corrente.
    Enquanto os veteranos praticantes continuarem sem punição de qualquer tipo, e os calouros aceitando a provocação de boca aberta (desculpe o trocadilho) as autoridades não farão nada a respeito e a “tradição” permanecerá.
    Segundo o discente Caio Batista, apontado no caso, “Só passa pelo trote quem quer. (…)”. Mas e quanto às represálias sociais sofridas por quem não participou, vindas até da própria turma?
    Antes mesmo de ser caso de polícia ou Ministério Público, isso é uma questão cultural que precisa ser revista com boas propostas que tradicionalizem uma Recepção ao invés de um ato de agressão.
    Na minha universidade (UESB), por exemplo, o curso de Engenharia Agronômica tem (má) fama de ter o pior trote de todos. Por outro lado, cursos como o de Pedagogia e História tem mudado isso. Há anos que em Pedagogia se faz um Café da Manhã (ou da Noite) como recepção. E em História, realiza-se uma feira para troca de material didático. Em ambos os casos ainda se realiza a pintura ritualística e o passeio em fila de elefante pela universidade. Mas de forma muito mais calma e pacífica que abusos como este.

  9. observador
    segunda-feira, 31 de janeiro de 2011 – 8:47 hs

    ahhh pur favor… participa do trote quem quer… ninguem eh forçado a absolutamente nada..quem nunca foi acadêmico eh que eh contra.. ninguem desrespeitou ninguem.. desrespeito seria se tivessem forçados as garotas a isso..

  10. Jacare do Mal
    segunda-feira, 31 de janeiro de 2011 – 8:57 hs

    Com certeza Capão da Imbuia e la dentro do Xilindro manda a meninada ensinar bons modos a este bossal que não aprendeu nada na faculdade e vai ser um pessimo profissional envergonhando a classe e para os outros que sobraram avisa fez de novo jubila sem do e piedade, por que não pegam os calouros e saem coletar donativos para os desabrigados e muito mais util mas a UnB e um ninho de cavalgaduras certo estava os militares tem que baixar a porrada nestes estudantes manes.

  11. Emerson Paranhos
    segunda-feira, 31 de janeiro de 2011 – 8:58 hs

    Chama o Cel Nascimento, ops!!!, digo chamem o ex comandante dos bombeiros do PR. Resolve em alguns segundos!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

  12. Rubens Tyson
    segunda-feira, 31 de janeiro de 2011 – 9:19 hs

    Pessoas,
    Não perceberam não que o trote é uma encenação da vida real?
    Alguém com a faixa presidencial com uma linguiça na mão, pede a todos que façam uma fila e deem uma chupada na linguiça. Esse é o nosso Brasil!!!

  13. Jesse
    segunda-feira, 31 de janeiro de 2011 – 9:32 hs

    Esta corja de pseudos estudantes são o futuro do Brasil???

  14. ELISEU MEIRA
    segunda-feira, 31 de janeiro de 2011 – 10:39 hs

    – cade o ministério publico de brasilia que fica inerte ante uma situação vexatória e repugnante como esta , que imagem deploravel a UnB passa para o resto do mundo, que tipo de profissionais irão se formar estes rapazes que fizeram isto, cadeia neles já para nunca mais fazerem este tipo de sacanagem.

  15. Marins...
    segunda-feira, 31 de janeiro de 2011 – 11:10 hs

    Encheu a boca d’água em Girardi!!!

  16. JAMELÃO
    segunda-feira, 31 de janeiro de 2011 – 16:16 hs

    Tinha senador na fila?

  17. Tiguera Marron
    segunda-feira, 31 de janeiro de 2011 – 16:50 hs

    E o bonitão vestido de mulher! Acredito que não via a hora de chegar o dia o dia do trote só para se produzir! é a evolução da educação no Brasil!!

  18. Caco
    segunda-feira, 31 de janeiro de 2011 – 17:34 hs

    No minimo expulsar os imbecis da universidade e instaurar processo crime… e divulgar para o exemplo ser mostrado.

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