Ministro deu aval a entidade fantasma que levou R$ 3,1 milhões | Fábio Campana

Ministro deu aval a entidade fantasma que levou R$ 3,1 milhões

Alexandre Padilha (Relações Institucionais) assinou carta que permitiu o instituto que só existe no papel viabilizar convênios de R$ 3,1 milhões, sem licitação, com Ministério do Turismo; ministro alega fraude e pede investigação da PF.

O fac-símile do documento e a história toda da falcatrua você lê no Leia Mais.


Cópia. Documento foi feito em papel timbrado da Presidência

BRASÍLIA – Um documento que leva a assinatura do ministro das Relações Institucionais, Alexandre Padilha, foi usado para aprovar convênios de R$ 3,1 milhões em favor de uma entidade fantasma no Ministério do Turismo. O papel com a assinatura do ministro tem data de 22 de março deste ano e está anexado ao processo que Instituto Brasil de Arte, Esporte, Cultura e Lazer (Inbrasil) apresentou ao ministério para obter a liberação de verbas.

O Inbrasil só existe no papel. É mais uma entidade de fachada que negociou para assumir um estatuto antigo e intermediar, sem licitação, convênios com o governo federal, conforme revela o Estado em reportagens publicadas desde domingo.

O ofício com a assinatura do ministro diz que o Inbrasil “vem de acordo com o seu estatuto funcionando nos últimos 3 anos de forma regular prestando relevantes serviços à comunidade”.

O Inbrasil está registrado na casa do publicitário Antônio Carlos Silva, num bairro nobre de Brasília. Ele aparece como “diretor fiscal” do instituto. Mas o endereço é apenas um rito burocrático. Lá não funciona nenhum instituto. A entidade foi criada para ajudar turbinar os negócios da Vibe Marketing Promocional, de André Fratti Silva, filho de Antonio Carlos. Fratti Silva é militante petista e se engajou na campanha de Dilma Rousseff.

A empresa executa os convênios doInbrasil com o governo. Usa o Inbrasil só para conseguir os recursos públicos sem precisar de concorrência. Esse instituto recebeu, por exemplo, R$ 1,1 milhão para realizar o Festival de Inverno de Brasília, organizado pela Vibe Marketing em junho. Outros R$ 2 milhões foram liberados para um projeto sobre os 50 anos de Brasília, idealizado pela Vibe e que ainda não foi executado. Tudo sem licitação.

Uma ex-assessora de Padilha, Crisley Lins, contou ao Estado que pediu ao ministro para assinar uma declaração atestando o funcionamento do Inbrasil. Esse tipo de documento, com respaldo de alguma autoridade, é exigido pelos ministérios para a abertura do cofre. Ex-assessora do ministro, Crisley hoje trabalha para o deputado Paulo César (PR-RJ) que, embora seja do Rio, destinou R$ 300 mil de suas emendas orçamentárias para o evento do Inbrasil em Brasília.

Esplanada

Cotado para ser ministro do governo de Dilma Rousseff , Padilha é o interlocutor do governo na negociação de emendas parlamentares. Crisley Lins trabalhou com Padilha em 2007 na subchefia de Assuntos Federativos, quando ele comandava essa área no Planalto. Ela detalhou à reportagem como abordou o ministro sobre a assinatura a favor do Inbrasil: “Ele estava em viagem, embarcando, no avião da FAB. Eu liguei e falei: ‘doutor, estou precisando de uma ajuda. Ele disse ‘manda pra assessoria, que resolve’. Eu redigi e enviei para assessoria. Eu recebi do gabinete dele o arquivo eletrônico”, disse à reportagem, em conversa gravada.

Em nota ao Estado, o ministro afirmou que não assinou o documento e que pediu ao Ministério da Justiça para que a Polícia Federal investigue o que, segundo ele, é uma “fraude”. Na terça-feira, Padilha defendeu que as denúncias contra o senador Gim Argello sobre envolvimento com instituto fantasmas fossem investigadas “até o fim”. Gim renunciou à relatoria do Orçamento de 2011 após as revelações do Estado de emendas dele para entidades fantasmas.

A declaração que leva a assinatura de Padilha diz que a entidade funciona há três anos, mas o Inbrasil existe desde fevereiro de 2009, quando assumiu o estatuto do Instituto Cidadania Esportiva, mudou o nome e passou a buscar contratos com a União.

O presidente escolhido foi Sérgio Eustáquio Assunção, considerado inelegível pelo Tribunal de Contas da União (TCU) por irregularidades no Ministério da Cultura quando coordenador-geral de Audiovisual, no governo de Fernando Henrique Cardoso.


9 comentários

  1. cadu
    sexta-feira, 10 de dezembro de 2010 – 10:15 hs

    Anuncie aí Fábio:

    Do informante da CMC

    Um casal de vereadores está falando aos 4 ventos na CMC que unirão-se em breve, até aí tudo bem, o que mais impressiona é o local, segundo os próprios sua união acontecerá lá pelas bandas de CANCÚN, e o valor da epopéia, 160 mil dólares.
    Será que juntaram esse valor no tempo em que estão na CMC?
    Fica a pergunta.

  2. ALEMÃO
    sexta-feira, 10 de dezembro de 2010 – 10:35 hs

    Sei que tem cheiro de fraude no ar. Mas é muita cara de pau dessa corja e são todos iguais ao chefe: Eu não sabia de nada.

  3. Joãozinho
    sexta-feira, 10 de dezembro de 2010 – 12:52 hs

    hehehe…mais uma FALCATRUA da era lula/dilmá

  4. CAMPO MOURAO
    sexta-feira, 10 de dezembro de 2010 – 14:40 hs

    E vamos engordar as contas do governo com mais aumento de impostos. Esse é o PT que queremos.kkkkkkkkkkkkk..

  5. Rena
    sexta-feira, 10 de dezembro de 2010 – 16:34 hs

    Ainda chamam para ser ministro uma coisa desta, que vergonha vai continuar o mesma.

  6. Leonardo
    sexta-feira, 10 de dezembro de 2010 – 19:37 hs

    Ahh! Sério!…
    O ministro e o dinheiro não são fantasmas.estão bem vivos.

  7. Edilson Hugo Ranciaro
    sábado, 11 de dezembro de 2010 – 14:50 hs

    A Presidente Dilma, deveria acabar com esse Ministério….deixa isso para os Estados…..

  8. OSSOBUCO
    sábado, 11 de dezembro de 2010 – 21:49 hs

    Já foi comprovado que o documento é falso, só esperando a retratação do Estadão!

  9. Cajucy
    sábado, 11 de dezembro de 2010 – 22:13 hs

    E Padilha desmente sem ao menos ficar vermelho? Haja óleo de peroba…

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